Eu resolvi mudar o nome da fic para The Bet e a segunda para Shards Of Love, mas o Universo é ainda o de Poké School -q
Fandom: Pokémon (Special e o Anime)
Classificação: Romance/Comédia/Universo Alternativo
Ships: Special , OldRival, Contest, Ikari, Poké, Mangaquest, one-sided HoennShipping (MayxBrendan)
Tipo: LongFic (20 capítulos)
The Bet - Rewritten
Day 1: First Meetings
Dizem que , quando as coisas acontecem na vida, acontecem por um motivo. Que toda a sua dor só está lá para depois dar lugar à felicidade. Que mesmo que você ache que está no fundo do poço um dia, logo virá um príncipe num cavalo branco que fará da sua vida um paraíso.
Bem, me chamem de fantasiosa, mas eu sempre acreditei nisso. Claro que existem muitas coisas que só pioram a sua vida, e provavelmente nenhum príncipe vai aparecer na sua porta em cima de um cavalo branco para andar com você até o pôr do sol. Mesmo assim, eu sempre fui otimista.
Talvez isso seja da minha mãe, ela sempre me falava para acreditar que tudo vai melhorar antes de... ah, espera, que horas são mesmo?
Levantei da cama lentamente, bocejando. Mesmo que hoje fosse o primeiro dia de aula , eu morria de vontade de voltar para a cama e ficar só mais uns minutinhos....
Para com isso Yellow, você não pode. Agora vá tomar banho porque já são 5:50. Peguei algumas roupas que já tinha separado e fui até o banheiro. Como sempre, tomei apenas uma ducha rápida para tentar acordar (o que foi uma tentativa falha, mas tudo bem), e quando já estava arrumada, voltei ao meu quarto.
- Okay, agora eu preciso de... – Falei, olhando pelos móveis atrás de...ah, ali! Fui até em cima da escrivaninha e peguei um boné laranja. Ele podia estar um pouquinho velho, mas era grande e podia esconder todo o meu cabelo.
Coloquei-o e desci até o andar de baixo, indo até a cozinha. Coloquei um pouco de água para ferver (meu pai provavelmente iria acordar a qualquer momento) e , como não tinha muito tempo, resolvi fazer alguns bolinhos daqueles de xícara. Peguei os ingredientes no armário e fui fazendo a massa, quando ouvi sons na escada.
- Bom dia, Yellow! – Me virei, e sorri para meu pai que descia da escada e ia até a mesa da cozinha. – E então, nervosa para o primeiro dia de aula? – Ele continuou, sentando-se em uma das cadeiras.
- Só um pouco. – Respondi, enquanto colocava a massa dos bolinhos junto com um pedaço de chocolate em duas xícaras. – Mas as garotas vão estar todas lá, então eu vou ficar bem. – Terminei, desligando o fogão já que a água já estava fervida e preparando o café.
- Que ótimo, filha. – Ele me disse, agradecendo quando coloquei uma xícara de café sob a mesa. – Diga um olá para sua prima, certo?
- Pode deixar, pai. – Respondi, colocando os bolinhos no microondas.
Eu e meu pai nos damos bem. Acho que fomos assim desde que eu me lembro. Não precisamos conversar muito, e mesmo assim sempre nos entendemos. Ele sempre está se preocupando comigo, e acho que isso tem a ver com o que aconteceu a um tempo atrás...
- Ah, Yellow, os bolinhos estão prontos. – Voltei para a realidade ao ouvir a voz do meu pai, e abri o microondas para pegar os bolinhos. Coloquei-os na mesa e, pegando duas colheres e um copo de suco de laranja, me sentei e comecei a comer silenciosamente.
Assim que terminei o meu café da manhã, me despedi do meu pai, peguei minha mochila e saí pela porta. Eu moro num bairro bem calmo da cidade, formado principalmente por casas. O que eu mais gosto daqui é que é bem perto das escolas da região (tanto a que eu estudei antes quanto a que eu estudo agora) e eu posso ir andando calmamente até lá.
Depois de andar um pouco, ouvi uma voz me chamando. Sorrindo, me virei ao reconhecer minha prima correndo pela rua até mim. Ela tem cabelo ruivo e curto, que hoje estava preso em um dos lados. Se não tivéssemos ambas olhos em tons de verde, não daria nem para perceber que somos parentes.
- Ah, Mi-chan! Bom dia! – Falei, indo até minha prima e abraçando-a. Ela riu um pouco, me abraçando de volta.
- Há quanto tempo, Yellow! – Ela respondeu, me olhando de cima a baixo. – Você vai mesmo cumprir a aposta , não vai...? – Continuou, notando com uma gota para meus jeans largados e minha blusa verde.
- Eu não tenho escolha, tenho? – Respondi, sorrindo. Se eu pudesse, não cumpriria a aposta. Mas eu fiz minha amiga cumprir uma aposta no ano anterior, então eu me sentia em dívida com ela...
Ah, desculpa! Eu nem mencionei a aposta, não é? Bom, é um pouco complicado, mas, aqui vai..
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Havia cinco garotas no quarto, que pareciam estar bem entretidas num jogo de verdade ou desafio. Era como se fosse um tipo de “ritual” para elas, pois sempre faziam esse jogo todo o início de ano.
Havia cinco garotas no quarto, que pareciam estar bem entretidas num jogo de verdade ou desafio. Era como se fosse um tipo de “ritual” para elas, pois sempre faziam esse jogo todo o início de ano.
- Gira a garrafa logo, Hikari! – Exclamou a mais velha do grupo, seus cabelos castanhos médios presos em um rabo de cavalo frouxo caindo para frente de seu corpo.
- Não precisa se apressar tanto assim, Blue-san! – A loira das garotas respondeu, seus olhos verdes a fitando apreensivos.
- Yellow! Não me precisa colocar “san” no meu nome. Só me chame de Blue, certo? – Blue disse, fazendo bico. Todos ficaram com uma gota na cabeça. – E vamos logo! Eu quero ver quem vai pegar o desafio!
Como pedido, a garota de mechas escuras e olhos azuis pegou a garrafa e a girou. Uma outra jovem, essa de cabelos castanhos que eram separados em duas mechas separadas e olhos azuis claros comemorou, já que seria a fazer o desafio.
- E então, May... O que vai ser? – A ruiva do grupo perguntou, olhando curiosamente para sua prima que parecia um tanto receosa por ter que cumprir o desafio.
- Deixa eu ver... – May murmurou para si mesma, colocando uma mão no queixo. – Ah, sim! Yellow, eu quero que você finja ser uma princesa de um reino distante procurada na nossa escola! – Ela exclamou, parecendo feliz com o resultado.
- Err... May, eu não acho que dê para fazer uma coisa dessas... – Hikari falou, rindo um pouco.
- Mas... E se ela fingisse ser um garoto? – Todas olharam para Blue, que sorria
maquiavelicamente. – Nossa chamada é mista, e “Yellow” pode ser um nome de garoto também. Ninguém a conhece além de nós, e como nossa E.F só começa depois de duas semanas de aula...
- Ótima idéia, Blue! – May exclamou, feliz novamente. – Então é isso, Yellow! Você vai ser um garoto a partir do primeiro dia de escola! – Ela terminou, satisfeita.
Será que isso é vingança pelo que a Yellow mandou ela fazer ano passado? , Misty ponderou com uma gota. A Blue parece estar se divertindo com essa idéia também. Tenho certeza de que ela já tramava fazer uma coisa dessas...
Enquanto isso , Yellow estava pensando seriamente sobre o assunto. Se fingir de garoto poderia ser perigoso, pois ela teria que usar banheiros masculinos e participar de atividades masculinas...além de que ela provavelmente iria ser descoberta logo quando as aulas de E.F começassem.
Ai ai, em que confusão eu fui me meter...
...É, foi isso. Não culpo a May por ter me passado algo assim, eu acabei pegando pesado com o desafio no ano passado dela. Sobre o que era? Digamos que envolveu o garoto que ela odeia e um pequeno ‘ato’ por um dia...
- Mesmo assim Yellow, você não está preocupada? – Misty perguntou, me tirando outra vez dos meus devaneios. – Quando a aula de educação física chegar, você provavelmente vai ser descoberta. Você pode até levar uma bronca de alguns professores...
- Eu não sou de não cumprir coisas, você sabe disso, Misty. – Respondi, séria. – E além do mais, eu nem preciso me preocupar em sair mais cedo ou de colocar o meu boné quando acordo e chego em casa... – Terminei, olhando vagamente para o céu.
Pude ouvir minha prima bufar , mas acabei ignorando. Ela sabe que eu não sou de falar nesse assunto, então quando eu falo é porque o assunto acabou. Err... eu posso parecer um pouco rude assim, mas ela sabe que não é por querer.
- Ah, estamos chegando. – Minha prima falou, apontando para os portões da escola e sorrindo para mim. – Vamos lá, as garotas devem estar esperando.
A escola é um pouco maior que eu imaginava, mas como a minha antiga era maior ainda, é melhor eu não falar nada. Como minhas amigas já estudavam lá antes, eu já sei mais ou menos como as coisas funcionam por lá. Os professores são normais, a comida da cantina é mais ou menos (isso me encorajou a trazer uns sanduíches que tinha feito ontem) e tinha um caminho com árvores de cerejeira em um dos cantos da escola onde elas sempre ficavam .
Quando passamos pelo portão, avistei as garotas conversando animadamente em um canto. Os uniformes de todo mundo eram praticamente os mesmos (uma blusa branca, saia que variava em vermelho, azul, amarelo ou rosa e um casaco bege para quem quisesse usar) , exceto pelas saias diferenciadas e alguns acessórios que elas mesmas usavam.
- Ah, hey Yellow, Misty! – Blue disse assim que chegamos perto, vindo para nos abraçar. – Então você vai mesmo cumprir a aposta, huh? – Ela notou, sorrindo ao olhar as minhas roupas.
- Se eu fosse você nem teria cumprido o desafio... – Hikari comentou, com uma gota.
- Eu não sou de não cumprir coisas, Hikari-chan. – Respondi, sorrindo sem jeito. Pude perceber alguns olhares para o grupo, e lembrei que Blue, minha amiga de infância, era popular com garotos desde que eu a conheci. E quando eu digo popular, eu realmente quero dizer isso. Só espero que eles não fiquem com ciúmes por ver um garoto no grupo...
- Pessoal, estou indo agora, tá? – Blue falou, piscando. – Encontro vocês no recreio, se possível. Nunca sei até onde esses garotos podem ir... – Ela terminou, olhando apreensiva para um grupo de meninos que a olhavam.
- Tudo bem, Blue, vamos indo também. – Misty disse, acenando. – A May deve chegar atrasada mesmo, nem adianta esperar por ela.
Blue apenas riu, acenou e foi em direção do prédio do ensino médio. Como a minha nova escola é um ótimo preparatório para faculdades, existem muitas turmas de ensino Médio. Por esse motivo, fizeram dois prédios separando os dois. ...Pelo menos foi isso que a Misty me falou.
Fomos para a sala, que no momento estava apenas com algumas garotas que conversavam animadas sobre algo, alguns garotos conversando entre si e outra garota que também parecia ser uma novata, que lia um livro qualquer desinteressada.
Ouvi parte dos cochichos das garotas: parecia que elas estavam comentando sobre um tal de “Red”. Como eu sou muito curiosa, resolvi perguntar para minhas amigas para ver se recebia alguma ‘luz’.
- Er... Alguém aí sabe quem é Red? – Perguntei baixinho, disfarçando um pouco minha voz caso alguém fora do meu grupo ouvisse.
- Ah, Red? Só o garoto mais popular da escola. – Hikari respondeu, um sorriso sonhador estampado no rosto. – Ele é capitão do time de futebol junto com seu amigo Green. Eles e a Blue são amigos, acho.
Nesse momento, as portas da sala abriram novamente, e me virei para ver três garotos entrarem. Um tinha cabelos verdes e uma expressão um pouco metida, outro de cabelos pretos bagunçados e olhos também escuros, e um de cabelos roxos e olhos de mesma cor que estava com uma expressão séria.
As garotas do grupinho foram para cima do primeiro, deixando o resto da sala (inclusive os dois outros garotos) com uma gota na cabeça. Vendo minha confusão, Misty resolveu explicar. O primeiro garoto era Drew Hayden, o garoto mais popular, metido e desejado do prédio fundamental. O segundo era Ash Ketchum ( e pude perceber as bochechas da minha prima corarem um pouco ao falar isso), um “idiota”. O último era Paul Baskerville, o garoto mais ‘sério’ da sala, que aparentemente também atraía algumas garotas pelo seu jeito ‘frio’.
- Esse Drew...ele é tão metido assim? – Perguntei, olhando outra vez para o garoto rodeado por fangirls. Ele podia ser popular, mas a Blue era prova viva de que nem todos os populares são idiotas...
- Ele não é só metido, e sim um canalha rodeado por garotas. – Ouvi uma voz me responder, e virei para encontrar May atrás de nós. – Por que vocês sempre falam de coisas irritantes quando eu chego, hein?
- Ah, bom dia May-chan. – Respondi, sorrindo. May era, junto com Hikari, uma amiga que eu tinha conhecido através da minha prima Misty. Junto com Blue, elas formavam o meu grupo desde muitos anos atrás.
- Bom dia, May. – Hikari disse, sorrindo. – Mas tem certeza que vai falar isso do Drew? Que eu saiba vocês são bem mais que simples rivais... – Ela terminou, rindo divertida da cara corada que sua amiga ficou.
- O que é que você disse?? – May bradou, chamando a atenção de todos da classe. Fiquei com uma gota, e ouvi um riso baixo vindo de um canto da sala. Pude ver Drew se aproximando de nós, e May se virar para ele com raiva.
- Ora ora, se não é a selvagem gritando outra vez. Só podia ser você mesmo hein?
- O quê , Drew-eca? – May respondeu furiosa, pronta para começar uma discurssão, quando...
- Ei vocês dois, parem agora! - O professor de história , um homem já velho e um pouco rude como eu pude perceber, exclamou da mesa onde acabara de colocar suas coisas. Eeh, com toda essa confusão eu nem o vi entrando... – Vocês não podem ficar sem brigar por pelo menos uma aula que eu dou?
- NÃO! –Os dois responderam, muito concentrados na briga para prestar atenção no que diziam.
- Então para fora, nesse momento! – O professor gritou, apontando para a porta. May e Drew tentaram argumentar, mas o professor apenas abriu a porta e eles, sem mais opções, saíram enquanto encaravam um ao outro.
- Não se preocupa Yellow, é assim quase todo o dia. – Misty comentou, tirando seu material de sua mochila como se nada tivesse acontecido. – Você acaba se acostumando por um tempo.
- Se você diz... – Murmurei, ainda um pouco surpresa com tudo o que tinha acontecido.
O resto das aulas foi comum, e logo estávamos no recreio. Decidi convidar a Crystal para vir lanchar conosco, pois ela estava constantemente fugindo das garotas que tentavam conversar com ela sobre os garotos “sexys” da escola.
May nos encontrou no meio do caminho, aparentemente emburrada por ter levado bronca da diretora e culpando o Drew por tudo, como sempre.
Fomos andando em direção ao lugar em que minhas amigas lanchavam, enquanto apreciávamos as cerejeiras que, mesmo sem flores, estavam estunteantes.
- É tudo tão lindo aqui... – Ouvi Crystal murmurar, e me virei para ela sorrindo.
- Não é? – Comentei sorrindo, não esquecendo de disfarçar minha voz. – Eu também sou novo aqui, e essa escola é tão bonita quanto à minha anterior. Principalmente essa parte.
- Ei vocês dois, é aqui! – Hikari disse, acenando já sentada em baixo de uma cerejeira aparentemente maior que as outras. Ao seu lado, Misty sentava-se calmamente e pegava um pote com o que pareciam ser biscoitos. May estava ao seu lado, já comendo um de seus vários
pacotes de biscoitos. Ela tem um apetite bem grande mesmo...
- Então, vamos? – Perguntei para Crys, e ela sorriu concordando. Sinto que podemos nos tornar bem amigas... só espero que ela não me odeie se descobrir que eu sou uma garota.
Começamos a lanchar calmamente, conversando sobre coisas diversas. Como eu já suspeitava, a nova integrante do nosso grupo se mostrou bem divertida e inteligente, e aparentemente ótima em artes marciais.
- Ah ,sim , mas você viu Misty? –May perguntou, mudando o assunto enquanto comia um cookie. – Tinham garotas falando do Yellow hoje~
- Eeh? Sério? – Eu perguntei, assutada. Eu não sou muito “especial” como garoto, e ainda sou bem pequena... não, deviam estar me olhando por outro motivo, é isso.
- Mas pessoal... isso não é normal? – Crystal perguntou, com uma sobrancelha arqueada. Ah sim, ela não sabe disso, não é...
- Uh... mesmo assim, eu achei que só olhavam para o Drew-eca e o “Pauly” na sala, hehe... – May falou, tentando disfarçar.
Misty iria falar algo para mudar o assunto se não avistasse três adolescentes correndo ao longe. – Uh, o que é aquilo?
- Parece ser a Blue e mais dois garotos... – Comentei, vendo uma garota de cabelos castanhos médios e olhos azuis cintilantes correndo em nossa direção, seguida por um garoto de olhos verdes e cabelo castanho claro e outro de cabelos negros e olhos vermelhos vivos. Será que esses são o Red e o Green? Eles são bem bonitos mesmo...
Eles rapidamente se esconderam atrás da árvore, e Blue fez um sinal com as mãos para ficarmos caladas. Em poucos segundos , um grupo cheio de garotas e garotos carregando lanches passou por nós disparado. O-o que foi aquilo??
- Alguém pode me explicar por que aquele monte de alunos acabou de passar por aqui? – Crystal perguntou, com uma gota.
- Ah, desculpa, eles sempre nos seguem para ver se queremos comer o que eles prepararam ou não. – Blue respondeu, sorrindo ao sair detrás da árvore. – Prazer, eu sou Blue. Se você está com o resto do pessoal então deve ser legal, né? – Ela terminou, sentando ao meu lado e pegando um sanduíche.
- Ah, claro... – Crystal respondeu, ainda sem entender. – E vocês são...? – Ela perguntou, encarando agora para os dois garotos que saíram de perto da árvore e também sentaram-se perto do grupo.
- Ah, desculpa. – O de olhos vermelhos disse, rindo um pouco – Com tantas pessoas me conhecendo, eu acabo esquecendo de me apresentar. Meu nome é Red. Ah, então esse é o “garoto mais popular da escola”... os olhos dele são bem bonitos mesmo.
- O meu é Green, prazer. – O outro jovem respondeu educadamente, não parecendo se interessar por ninguém do grupo.
- Mas então, Yellow, como foi seu primeiro dia? – Blue me perguntou, sorrindo enquanto se aproximava de mim, fazendo todos me olharem.
- Bom, eu acho. – Respondi um pouco sem graça. Eu não gosto de ser o centro de atenções, huh...
- Ah, você deve ser o Yellow! – Red falou, sorrindo para mim Você é um garoto agora Yellow, não core só por que ele é popular, ouviu? – A Blue me falou que você vinha para o colégio.
- Err... Sim, prazer. – Respondi, tentando ser o mais normal possível. Felizmente, Blue resolveu me ajudar começando a falar do professor chato que tinha começado a dar aula para ela, e a conversa continuou até que o recreio acabasse.
- Até mais, garotas! – Blue disse, acenando e indo com seus dois amigos até dos prédios da escola.
- E como você pode ver Yellow, eles são os mais populares da escola. – Hikari falou com uma
gota, ao ver a quantidade de pessoas que começou a segui-los depois de uns minutos. – A Blue quase não consegue vir aqui por causa disso, você deu sorte hoje.
- Ehehe... – Falei, também ficando com uma gota. Eles são bem legais também, isso é um pouco raro vindo de garotos populares.
- Então... talvez você consiga arrumar um garoto desses um dia, hein? – May falou me abraçando e piscando. Crystal ficou com uma expressão um tanto confusa, então Misty apenas suspirou e teve que contar tudo para ela Ótimo, primeiro dia e já descobrem da aposta. Isso não vai dar certo... pelo menos foi a Crystal, imagina se fosse alguém ruim?
- Ah...entendi. – A garota de olhos azul clarinhos murmurou, com uma gota. – Vocês realmente não poderiam ter arrumado uma aposta melhor?
- Não! A Yellow já me fez bancar a fangirl do Drew por um dia , isso é o mínimo que ela podia pagar em troca. – May disse, me encarando maldosamente. Sim, eu realmente peguei pesado com a aposta dela...
- Aiai, vamos parar com isso, ok? – Misty disse, se colocando entre May e eu. – Mudando de assunto. Vocês já sabem em que matéria extra curricular querem entrar?
- Acho que vou para música. – Hikari respondeu, pensativa. – Eu não sou muito de pintar...
- Eu vou para pintura. Sempre gostei de desenhar. – Falei, sorrindo. – Se bem que eu sei tocar piano também...
- Sério? Eu sempre quis tocar piano... acho que vou acabar indo para aulas de desenho também. - Crys comentou, suspirando.
O sino bateu, então tivemos que correr até a sala para não nos atrasarmos. Como algumas das nossas matérias são opcionais, eu e Misty fomos para ecologia enquanto Hikari e May foram para álgebra e Crys para literatura. A aula foi bem divertida, e depois de nos encontrarmos outra vez para aula mais aulas comuns, a aula finalmente terminou.
Como esperado, Blue nos arrastou para a casa dela para saber das boas novas do primeiro dia com mais detalhes. Chamamos a Crys, mas ela aparentemente estava ocupada em casa entçao decidimos ir só nós mesmas.
Dei um pequeno “olá” para o vizinho de Blue, Silver, que me acenou brevemente pela porta. Ele podia ser um pouco calado e rude, mas era uma boa pessoa se você o conhecesse melhor. Como eles eram vizinhos, Blue e Silver sempre foram bons amigos, e consequentemente eu e Misty também.
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Fomos para o quarto de Blue, e começamos a conversar. Rimos de piadas que Blue fazia, das colocações feitas por Hikari e pelas exclamações de May sobre seu rival de cabelos verdes.
- Não me diga então que o professor de história estava mal humorado por causa de você e seu namorado, May? – Blue perguntou , fazendo bico e ignorando completamente a resposta raivosa de sua amiga. – Ele nos encheu de matéria no primeiro dia de aula por sua culpa!
- Se o Drew não fosse um idiota , isso não teria acontecido. – May comentou, cruzando os braços.
- Sei... – Misty apenas falou baixinho, olhando para o rosto vermelho de sua amiga. – Então, Blue, já decidiu o que quer fazer esse ano nos esportes?
- Claro! Vou fazer vôlei, como sempre. – Ela respondeu, sorrindo e se virando para mim. – E você, Yellow? Vai tentar a sorte no time de futebol da escola?
- Não sei ainda... – Respondi, suspirando. Eu era um pouco boa em esportes sim, mas essa aposta tinha tirado toda a minha animação para o primeiro dia de E.F . – Os times são por ano ou misturados?
- Misturados. Tanto os esportes quanto as matérias extra curriculares são misturadas. Separam do primeiro ao sexto ano e do sétimo ao terceiro do médio. – Misty me respondeu. – Elas começam juntas, eu acho.
- Mas vamos parar de falar de escola, sim? Que tal falarmos de outra coisa? – Hikari comentou, emburrada, e decidimos mudar de assunto. Algum tempo depois, resolvi voltar para casa pois estava começando a escurecer. Misty e eu voltamos andando calmamente pelas suas, até que ela se virou para mim.
- Sabe, eu ainda estou preocupada. Você realmente devia pensar melhor nisso, Yellow.
- Mi-chan! – Respondi, um pouco emburrada também. – Eu já disse que vou ficar bem. Isso provavelmente só vai surpreender a nossa classe um pouco, nada de mais. Não precisa se preocupar.
Bom, pelo menos eu acho...
------------- End! -------------------
Yo~ Finalmente reescrevi o capítulo 1. Espero que minha escrita esteja melhor agora... huh. E bem, nos vemos no próximo capítulo! :D O primeiro cap foi com o POV da Yellow, mas eu pretendo fazer o resto em terceira pessoa mesmo. -qq
O dia estava chuvoso quando Yellow acordou. Ela fez algo para comer normalmente, deixou o café pronto para seu pai e saiu de casa. Como hoje seria o dia de escolha de armários, ela decidiu ir mais cedo para pegar um bom.
Yo~ Finalmente reescrevi o capítulo 1. Espero que minha escrita esteja melhor agora... huh. E bem, nos vemos no próximo capítulo! :D O primeiro cap foi com o POV da Yellow, mas eu pretendo fazer o resto em terceira pessoa mesmo. -qq
The Bet ( Pokémon School AU)
Chapter 2: O armário da sorte é o 887!
Poucos alunos estavam na escola; ela notou enquanto fechava seu guarda chuva na frente do prédio. Devia ser por causa da chuva, ela fazia todos ficarem com sono... É melhor que eu pare de pensar em sono senão vou acabar dormindo aqui mesmo.
Yellow tinha algumas más memórias a respeito de dormir em lugares. Quando ela se cansava muito, era normal que ela acabasse pegando no sono sem mais nem menos. Como no intervalo de uma partida de futebol, ou no meio de um teste, ou até estudando.
Pelo menos eu estou um pouquinho melhor agora... Ela comentou para si mesma, passando pelos corredores vazios até sua sala.
Como esperado, não havia quase ninguém lá. Mesmo assim, a jovem pôde observar Crystal dormindo em uma das cadeiras da frente e Paul no canto da sala em silêncio. Sorrindo, colocou sua mochila em uma cadeira ao lado de sua amiga e resolveu a deixar dormindo mais um pouco.
Ela foi então até uma mesa que tinha sido posta no corredor principal do prédio, e cumprimentou a professora que estava encarregada de supervisionar a caixa onde estavam os números.
Vamos lá.... Yellow tirou um dos papéis de dentro da urna, e viu o número. Armário 887? Mas os armários daqui não são até o 800?
- Com licença... – Ela começou, se dirigindo para sua professora. – É que eu peguei um número que não tem nesse prédio...
- Ah, sim! Você é aluna nova não é? – A loira apenas assentiu timidamente. – É que não há armários suficientes nesse prédio para todos os alunos. Assim, alguns têm que usar armários do prédio do ensino médio. – Ela explicou.
- Ah... – Yellow murmurou para si mesma, um pouco desapontada. Pelo menos eu posso cruzar com a Blue quando vou até lá... – Entendi. Obrigada, professora.
Bom, já que não tenho escolha... vamos até o meu armário! A garota pensou, virando até a saída e caminhando até o outro prédio. Pelo menos parece que é no primeiro andar... , Ela constatou, vendo os números escritos nas portas dos armários.
- É...aqui. – Ela murmurou, chegando em frente ao seu armário. Não era muito grande, mas era espaçoso o suficiente para guardar tudo o que ela precisava. Depois eu tenho que mudar um pouco o visual dele...
- Ah, posso falar com a Blue sobre isso depois. Melhor voltar para a sala. – Ela falou para si mesma, andando calmamente pelos corredores que só agora começavam a ficar cheios de alunos.
Quando voltou para sua sala, viu que Crystal já estava acordada e distraidamente escrevendo coisas em seu caderno. Yellow foi até ela, que percebeu sua presença e sorriu. - Bom dia, Yellow.
- Bom dia para você também, Crys. – A outra respondeu , já quase se acostumando a disfarçar sua voz.
- Já pegou seu número de armário? O meu é 701. – A garota de olhos azuis claros comentou, mostrando o número em suas mãos.
- Já. Eu acabei ficando com o 887, que é lá no prédio do ensino médio. – Yellow respondeu com uma gota.
Ela só pôde perceber que fora cercada por umas cinco garotas que estavam conversando na sala quando uma delas deu um grito e segurou os ombros da mesma.
- Você pegou o 887? – A garota perguntou, incrédula. – Troca comigo, vai! O meu é muito melhor, perto da sala!
- Err... – Yellow murmurou, não entendendo nada. Ela ficaria feliz de trocar seu armário sim, mas primeiro queria descobrir porque todas as garotas queriam ficar com um armário tão longe assim. Era só um armário, certo?
E foi nessa confusão que Misty se encontrou ao entrar com suas amigas na sala. Ela arqueou uma sobrancelha, vendo a montoeira de garotas que aumentava a cada segundo entre o que aparentemente eram Yellow e Crystal.
- Huh, o que tá acontecendo aqui? – A ruiva perguntou para uma das garotas do aglomerado.
- O Yellow pegou o armário 887! – Ela respondeu, ainda animada.
- E-eh? Ela pegou o quê? - Hikari falou, surpresa. Misty, sabendo que provavelmente sua prima e Crys não sabiam nada do armário, tratou de tirá-las do meio das garotas.
- Olha, o Yellow não vai trocar de armário e ponto final. Agora dá para pararem com isso e deixar ele em paz?? – Ela gritou, se metendo no meio das garotas.
- Mas ele nem precisa daquele armário! – Uma das garotas falou , indignada, movendo seus cabelos loiros bem claros de lugar.
- E por acaso você precisa? – May interveio, cruzando os braços. – É melhor assim do que se uma de vocês conseguisse. Agora dá para deixar meu amigo em paz?
- Humph! – A mesma disse, bufando, mas pareceu desistir. As outras tentaram insistir, mas viram que não iria ter resultado e voltaram para seus grupos no canto da sala.
- Tá, agora que a poeira baixou... – Crystal começou, virando para suas amigas. – Por que diabos todas aquelas garotas queriam esse armário?
- É o armário do lado dos armários do Red e do Green. Como eles são os garotos mais populares da escola, é típico que as garotas queiram ficar com esse armário.
- E ele ainda é bem longe da nossa sala... – Yellow comentou, com uma gota. – Se elas não tivessem vindo para cima de mim e só tivessem perguntado , eu provavelmente aceitaria na hora...
- É melhor não, Yellow. – Hikari falou, cruzando os braços. – Como a Misty disse, é melhor que você fique com esse armário do que elas. Aqueles dois já sofrem diariamente como a Blue por causa dos fãs, ninguém merece ter que ficar no armário ao lado de uma.
- ...É, talvez você esteja certa. – A loira concluiu, suspirando. – Não quero nem imaginar o que deve ser ter pessoas te perseguindo o dia inteiro. E isso também me dá tempo para falar mais com a Blue...
- Ok, está certo então! – May concluiu, sorridente. – Mas ainda sim, você até que tem sorte. Eu vou ter que ficar do lado de uma daquelas garotas do grupinho. – Ela terminou, se irritando um pouco.
- Boa sorte, May. – Crystal respondeu, sorrindo. – Eu vou ficar bem perto da sala, então saí ganhando.
- E pelo que parece, eu e a Hikari estamos a dois armários de distância. – A ruiva do grupo comentou, enquanto tirava seu material da mochila. - Acho que essa arrumação não foi tão mal assim, pelo menos...
- Bom dia pessoal! – A professora de português falou, entrando sorridente na sala. – Sentem-se em suas carteiras, por favor. – Como pedido, todos relutantemente sentaram.
A aula passou tranquilamente. Depois de dois tempos de português, as garotas tiveram de se separar novamente para outra aula. Esta, para Yellow, poderia ter sido menos demorada ( física sempre a deixava com sono...) , mas finalmente o recreio chegou.
- Física não é uma matéria que eu me dou bem... – Crys comentou, se espreguiçando. – Prefiro muito mais química, tem menos zero para todos os lados.
- Sim. – Yellow teve de concordar, não conseguindo segurar seu bocejo. – E eu ainda acordei cedo hoje, então quase dormi durante a aula.
- Bom, vamos? – A garota de cabelos azuis perguntou, sorrindo. – As garotas já devem estar lá nos esperando para lanchar.
A loira apenas concordou, e as duas se puseram a caminhar até as grandes cerejeiras do jardim da escola. A chuva já tinha terminado há algum tempo, e algumas poças ainda restavam na grama.
As duas logo avistaram suas amigas, sentadas em cima de algum pano de piquenique (provavelmente Misty tinha trazido, ela sempre é prevenida) e conversando.
Ao se aproximarem, Yellow não evitou que sua sobrancelha levantasse: Por que diabos sua prima estava tão corada? E por que Hikari estava com cara de que ia matar alguém?
- Uh... Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou, sentando-se junto com sua amiga perto da árvore.
- Ah, vocês chegaram, finalmente. – Misty falou, tossindo para tentar disfarçar suas bochechas vermelhas. – A Hikari estava falando o que deixou ela com raiva, e eu estava com medo de ter que controlá-la sozinha.
- O que houve? – Crystal perguntou, também curiosa, encarando a jovem de cabelos negros azulados do grupo, que estava praticamente “uma fera”.
- Aquele idiota, isso o que houve! – Ela bradou, cruzando os braços ainda mais. – Pervertido de araques... vai ver quando eu chutar ele direto para a lua...
- Calma Hikari. – Misty falou, com uma gota. – Explica primeiro de matar esse “idiota”, pelo menos.
- Ah, tudo bem, tudo bem... – Ela bufou, e, ajeitando-se um pouco em sua posição, começou a contar. – É o seguinte...
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Hikari andava apressada pelos corredores. Como sempre, tinha ficado tempo demais falando com suas amigas e nem percebera que já estava atrasada para sua aula de biologia no segundo andar.
E, é claro, toda a vez que ela está atrasada, o chão tem que ter a idéia incrível de ficar molhado e fazer ela escorregar.
...Ué, por que eu não to dolorida mesmo? - Ela pensou, e só aí percebeu que a pessoa com quem trombara a tinha segurado pelo braço quando ela estava a milímetros do chão.
- Ah, obrigada... – Ela começou, se virando para agradecer e olhando diretamente para Paul. – Eh? - Ela murmurou, não acreditando que justo ele fora gentil o suficiente para não deixá-la cair.
- O que foi garota, perdeu algo na minha cara? – Ele perguntou, rude como de costume.
- Não. – Ela respondeu, franzindo as sobrancelhas e corando um pouco. – De qualquer modo, obrigada. Eu fico te devendo uma, Paul.
- Não precisa não. – Ele respondeu, a soltando e se virando, para a olhar por uma última vez, sorrindo. – A gente se vê depois, “cerejinha”.
E, com isso, ele se foi pelos corredores. Hikari, confusa, parou para pensar: cerejinha? De onde diabos ele tinha tirado esse... espera aí, não era essa a estampa de sua roupa de baixo hoje?
- Seu... – Ela virou na direção de que ele tinha ido, corando mais que um tomate.
-Seu pervertido!! Nunca te disseram que é rude ficar olhando para a roupa íntima dos outros?!
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- ...Huh. – Crystal comentou, não sabendo outra coisa para falar. – Eu não sabia que esse garoto era “assim”...
- Tem razão, ele parece muito mais rude do que pervertido. – Yellow disse, com uma gota e corando por se imaginar na mesma situação... O que era um pouco improvável com a roupa que usava.
- Aquele palhaço vai se ver comigo... – Sua amiga agora murmurava, envolta no que parecia ser uma nuvem negra.
...A Hikari pode ser um pouco estranha às vezes... – Era o que provavelmente todas pensavam no momento.
- Mas agora que a Hikari já falou a parte dela... – Crystal começou, se virando para Misty que ainda estava vermelha e um pouco quieta demais. – Pode me explicar por que você está assim, Misty?
- ...Assim o quê? – Ela perguntou, corando ainda mais.
- Com a cara parecendo um tomate. – Hikari explicou direta. Ela provavelmente também deve querer saber sobre isso, huh... – Yellow pensou, ainda com uma gota.
- E-eu? – A ruiva murmurou, inutilmente tentando esconder o fato de que alguma coisa tinha acontecido. – Não foi nada de mais não...
- Se você está desse jeito, então aconteceu alguma coisa. – Yellow comentou, desconfiada. – Vamos, prima, não deve ser tão sério assim... – Ela insistiu, chegando mais perto de Misty.
- Ah, tá bom, tá bom! – A ruiva bufou, cruzando os braços. – Eu conto! Mas não foi nada mesmo...
- Do jeito que você estava corada, eu duvido. – Hikari falou, dando um risinho ao fazer sua amiga corar outra vez.
- Tanto faz, Hikari. – Misty encarou levemente sua amiga, e começou a finalmente contar o que havia acontecido...
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A aula de biologia que Misty tinha separadamente acabara mais cedo, mas parecia que ela não estava muito feliz com isso. Além de ter que ficar esperando suas amigas saírem para poder ter alguém para conversar, ainda tinha o fato de sua aula ter acabado de ser um desastre.
E claro, isso tudo tinha que ter sido falta de ninguém mais ninguém menos do que Ash. Ugh, se pelo menos ela pudesse se teletransportar por um momento para um mundo que ele não existisse...
- Hey, Misty, espera!
Falando no diabo. A ruiva se virou, encarando o jovem de cabelos negros e bagunçados enquanto ele corria para chegar até ela. Recompondo sua respiração, ele sorriu um pouco sem graça.
- Desculpa pelo que aconteceu hoje... – Ele disse, e Misty teve que seriamente se controlar para não tacar seu lanche no garoto e sair andando.
- Ash. Você quase explodiu o laboratório inteiro hoje na sala, e ainda conseguiu derramar um pouco de sei lá o quê que você conseguiu fazer no meu cabelo. Acho que uma desculpa não vai bastar. – Ela esbravejou, e imediatamente se perguntou porque está se quer respondendo ao garoto.
- É sério, foi sem querer! – Ele insistiu, chegando mais perto da garota. – E também, você já tirou toda aquela... gosma do seu cabelo, não é? A professora até falou que não ia acontecer nada com ele, é...
- Ash. – Ele parou imediatamente, deixando com que Misty continuasse. Ele estava com medo de que se não fizesse isso, estaria assinando sua sentença de morte. – Se você não tem mais nada para falar, dá para me deixar em paz?
- Ah, espera, eu tenho algo sim. – Ash falou, olhando em volta. Misty bufou, batendo incessantemente os pés para mostrar que não iria esperar por muito tempo. Finalmente, o garoto voltou , em suas mãos o que parecia ser uma flor.
- O que é isso...? – A ruiva murmurando, recebendo a tulipa de um tom branco que parecia ter pontas em um azul bem leve, quase imperceptível.
- Err... um pedido de desculpas. – O garoto respondeu, nervoso. Sua mãe sempre dizia que garotas sempre gostavam de flores, então ele esperava que Misty ficasse pelo menos um pouco menos nervosa.
A garota corou instantaneamente, tentando murmurar alguma coisa mas falhando. Ash, vendo isso como um sinal de que ela ainda estava brava, resolveu aproveitar o aparente “curto circuito” da ruiva para escapar.
- Então... nos vemos mais tarde! – Ele disse, e saiu andando pelo caminho entre as cerejeiras, que ainda tinham suas folhas molhadas por causa da chuva.
- Huh, espera... – Misty tentou o chamar, mas quando conseguiu falar alguma coisa o garoto estava muito longe para ouvir. Ela suspirou, olhando outra vez para a tulipa que ganhara de presente.
- Obrigada... – Ela sussurrou para a flor como se ela fosse Ash, e lentamente caminhou em direção ao seu ponto de encontro com as garotas, a tulipa branca segura em suas mãos.
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- Nossa, que... Gracinha. – Yellow disse, sorrindo. Então parece que a Misty gosta dele, não é... – Ela refletiu em sua cabeça, olhando para a flor que podia ser vista um pouco atrás da ruiva do grupo. Ela sabia exatamente o significado daquela flor, e esperava que o garoto não tivesse a usado apenas por “coincidência do destino”.
- Se pelo menos o Paul tivesse me tratado dessa maneira também... – Hikari falou, cruzando os braços e bufando. Ao receber olhares de todas as garotas , ela corou e tratou de se corrigir. – Não que eu teria gostado, claro.
- Sei... – Misty falou, aproveitando o momento para se vingar do comentário anterior da jovem de cabelos azuis escuros. Mas, de repente, pareceu perceber alguma coisa diferente no grupo. – Pessoal... não tem algo diferente aqui não?
- Diferente...? – Yellow perguntou, olhando para os lados. – Como assim Mis... Espera aí. – Ela se interrompeu, também percebendo a mudança.
– Onde diabos a May foi se meter??
----------------------------------------- Finis --------------------------------
Oieee~ Demoreeeei, né? :D Desculpa pessoal, eu estive um pouco sem inspiração por uma semana x.x Mas eu voltei, e voltei com tudo~ O cap está meio curto, mas eu não pude fazer muito já que no original o 2º capítulo era beeeem mais curto que esse D: Well, esperem mais algumas atualizações, e também o prêmio do jogo de detetive que a Miyako~nyan ganhou! *-* Prometo que o capítulo 3 será gigaaaante!
Ah sim. Para quem ficou curioso, as tulipas brancas significam "declaração de amor" na linguagem das flores. :D Que foooofo, ele acertou até o tipo de flor para dar <3 ...se ele pelo menos soubesse o que elas querem dizer. e.e Bom, até mais pessoal!
Kissu~ ;****
The Bet (Pokémon School AU)
Chapter 3: Rivais, tem certeza?
Yellow e suas amigas estavam debaixo da cerejeira, seu ponto de encontro típico com suas amigas. Era um recreio normal, de um dia normal, só que algo, ou melhor, alguém, estava faltando.
- Onde será que a May foi parar, hein? –Misty se perguntou, olhando para os lados. – Bem que eu senti falta dos comentários dela.
- Será que a aula dela ainda não acabou? – Yellow perguntou, checando seu relógio.
- Não, não, eu esbarrei com o Silver quando estava vindo. Ele tem esse tempo de aula com a May. – Hikari comentou, se lembrando de seu percurso para o ponto de encontro.
- Ela deve estar por aí... melhor ligar para ela. – Misty disse, pegando seu celular.
Elas tentaram uma vez, duas... e nada. Hikari suspirou, cruzando os braços.
- Que estranho... aquela garota sempre anda com o celular.
- E ele nem tá desligado. – Yellow comentou, preocupada. – Será que aconteceu alguma coisa?
- Não acho. – Misty disse, guardando o celular no bolso. – Do jeito que aquela garota é, deve ter esquecido o celular na sala.
No mesmo momento , o sinal do fim do recreio começou a tocar. Crystal suspirou, se levantando com um pouco de esforço. – É melhor irmos logo. De repente ela já voltou para a sala.
Resolvendo aceitar a idéia, as quatro se dirigiram para sua sala. Teriam um tempo de matemática juntas, então não precisaram se separar no caminho. Ao chegar na sala , não viram sua amiga em lugar nenhum. E, estranhamente, nenhum rastro de cabelos verdes.
- Gente, o Drew não tinha aula nesse período? – Misty perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Tinha... – Hikari concordou, e um sorriso malicioso se formou em seu rosto. – Estranho, os dois sumiram ao mesmo tempo. Será que estão confessando seu amor incondicional um pelo outro?
- Aqueles dois? É mais provável que estejam se espancando em algum corredor por aí. – Misty riu, e chamou as outras para se sentarem nas cadeiras. – Eles provavelmente vão voltar daqui a pouco. Venham logo antes que o professor chegue e nos dê uma bronca.
As garotas se sentaram e começaram a ter aula. Como Misty previu, Drew entrou no fim do primeiro tempo dela, um sorriso confiante no rosto. Um pouco depois, May abriu a porta da sala, com uma expressão que podia ser tanto de vergonha quanto de raiva e os cabelos um pouco bagunçados.
- Viu, eu disse que estavam se espancando. – Misty comentou, enquanto sua amiga sentava-se numa cadeira próxima. Hikari abriu um sorriso, porém, ao ver uma pequena flor vermelha que sua amiga segurava.
- Tem certeza? Pessoas não se espancam com rosas... – Todas as outras notaram , também, ficaram desconfiadas. Ao longe, algumas garotas seguidoras do Drew conversavam ardorosamente, lançando olhares mortais para a rosa vermelha que May ainda segurava.
– O que aconteceu May? E de onde veio essa rosa? – Yellow perguntou, pausando um pouco sua escrita para olhar para a amiga.
- Ugh, depois eu falo tá? – May respondeu, guardando cuidadosamente a rosa em sua mochila, tomando cuidado para não despedaçá-la.
- Garotas, prestem atenção na aula! – A professora disse, bufando e parando de explicar. Como não queriam levar bronca, elas resolveram perguntar isso mais tarde.
E o mais tarde se mostrou no fim da aula, enquanto elas voltavam da escola. Como a história era um pouco longa, May decidiu convidar todas para almoçar em sua casa. Crystal teve que recusar, mas as outras aceitaram e logo estavam todas em frente à casa de May.
- Vocês tem sorte do meu irmão estar na casa de um amigo hoje, ele ficaria nos irritando se estivesse em casa. – May comentou, abrindo a porta de casa.
- Ah, quê isso! O Max é legal! – Hikari disse, sorrindo divertida. Ela estava cada vez mais entretida com o que poderia ter acontecido.
- Legal com você, Hikari. – A morena respondeu, bufando. – Cheguei mãe! Eu trouxe as garotas para almoçar aqui, tudo bem?
- Ah, olá! – Uma voz feminina falou, e uma mulher de uns 30 anos saiu da cozinha. Tinha olhos azuis assim como os de May, e um cabelo castanho amendoado. Ela sorriu quando viu as amigas de May. – Tudo bem garotas? Estou quase terminando o almoço, então podem se sentir em casa, ok?
- Obrigada, Sra. Maple. – Yellow falou, junto com as outras garotas. May tirou a rosa cuidadosamente de sua bolsa, se dirigindo à mãe mais uma vez. – Mãe, pode pegar um jarro com água para mim? Eu quero colocar essa rosa em algum lugar.
- Claro filha. Mas posso saber de quem é essa rosa? – A mulher respondeu, sorrindo interessada. May corou, respondendo que iria “falar disso mais tarde”. Sua mãe insistiu um pouco , mas resolveu entregar logo o jarro e terminar o almoço.
Elas então subiram para o segundo andar até o quarto de May, e deixaram as mochilas em cima da cama. O quarto dela era bem decorado: móveis em vermelho e branco, um quadro decorado e uma escrivaninha com um laptop colorido.
Sua cama era cheia de bichinhos coloridos, e algumas almofadas também. Nas paredes, adesivos de parede de flores estavam grudados em alguns lugares.
- Então May, pode sentar e contar tudo! – Hikari disse, encarando a garota que acabara de colocar o jarro na escrivaninha.
- Não foi muita coisa, sério. – May disse, agarrando um ursinho e se sentando no chão do quarto.
- Do jeito que você guardou essa rosa aí, eu duvido. – Misty comentou, sorrindo e deixando sua amiga corada outra vez.
- Tudo bem, pode não ter sido, mas me deixem contar logo!
- Tá bom. – Hikari disse, se calando para poder ouvir. A morena do grupo suspirou e, assim, começou a contar.
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Que inferno. Que inferno! O que fui que eu fiz para ficar numa sala sozinha arrumando papéis entediantes com o garoto mais idiota do planeta Terra? – May resmungou em seus pensamentos, separando outra pilha de documentos numa fileira.
Ah, lembrei. É porque ele é um idiota. Estúpido. Cabeça de gosma. – Ela continuou , olhando de relance para o “Dreweca” que tentava organizar alguns documentos de uma pasta. E tudo por um intervalo mísero de cinco minutinhos...
A professora de biologia estava quase encerrando a aula e tinha ido beber água, então todos estavam sentados em lugares diferentes conversando. Como esperado, haviam várias garotas em volta de Drew, e estas pareciam suspirar a cada momento que ele falava uma palavra sequer.
May estava sentada, entediada na verdade, e olhava pela janela. Não tinha ninguém que ela conhecia direito nessa aula, e ela não estava com vontade de ser mais uma fangirl em volta do seu rival.
Aiai, não tem nenhuma garota inteligente nessa aula não? – Ela refletiu, olhando para o grupo de garotas. Uma dela, ruiva de cabelos curtos, fingiu desmaiar e se tacou em cima do cabelo verde.
Ela sentiu seu estômago contrair, e bufou. Que vontade de estrangular essa garota. Ela não tá vendo que é só fingimento? , ela pensou ao ver seu rival fingir galantear a mesma.
Quando, de repente, a mesma garota começou a se inclinar perigosamente na direção de Drew. De alguma maneira estranha que May não pôde explicar, ela sentiu um peso enorme vindo de seu peito.
Ela se virou para frente quando parecia que os dois iriam se beijar, fechando bem os olhos. Que droga May, ele é só seu rival! Um galinha idiota! É claro que ele fica com quase metade da escola, você já sabia isso antes!
A jovem então se virou novamente , já esperando ver o resultado que esperava. Ao invés disso, porém, Drew apenas parecia ter ‘desviado’, e a garota que se inclinara estava fazendo bico de um jeito exagerado para ele.
- Ah, Drew, só um vai? – A garota ruiva reclamou, usando um tom de voz um pouco agudo demais para sua idade ao falar. O garoto arqueou uma sobrancelha, e sorriu galanteadoramente.
- Me desculpe, mas estou guardando o primeiro para alguém especial. – Ele respondeu, e as garotas começaram a suspirar e o fazer perguntas de quem seria essa pessoa. Enquanto isso, May arqueou uma sobrancelha, soltando sua respiração que não percebera que estava prendendo.
Então ele não é tão galinha como eu pensava, huh? – Ela refletiu, o encarando. De repente, ele olhou para ela e seus olhares se cruzaram. Pelo que parecia uma fração de segundo ele pareceu um pouco surpreso, antes de ficar com seu sorriso sarcástico habitual.
- Ora ora, a selvagem me admirando, isso é novidade! – Ele disse, jogando seus cabelos para o lado. – Não vai me dizer que se apaixonou por mim?
- Vai sonhando, cabelo verde. – A garota respondeu friamente, tentando disfarçar seu rosto um pouco vermelho. – Só estava vendo o quão ridículo você é se achando o máximo.
- Mas eu tenho o direito disso, não? – Ele comentou, se voltando para suas seguidoras, que assentiram rapidamente.
- Como sempre, buscando reforço com suas fãs. – May notou, cruzando os braços. – Quando é que você vai parar de buscar ajuda com outros, hein Dreweca?
Direto no alvo. – Ela pensou, sorrindo vitoriosa ao ver que o garoto estava começando a perder a máscara de superioridade.
- Quer que eu faça isso agora? – Ele começou, se levantando da cadeira e se aproximando de May. – Eu aposto que consigo fazer você se apaixonar por mim em um piscar de olhos.
- Então boa sorte, cabeça de alga. Não vai conseguir isso nunca. – Ela respondeu, e os dois entraram em um ‘concurso de encarar’. May estava quase perdendo a paciência e dando um soco no garoto quando a professora voltou.
Ela encontrou a sala inteira voltada para aqueles dois, os garotos gritando “briga!” e as garotas berrando “Mostra para essa ridícula, Drew!” . Conclusão normal que todo mundo tem: Eles estão prestes a se matar.
- Hey, vocês dois! – Ela berrou, acabando com a troca de olhares mortais de May e Drew. – Eu chego cinco minutinhos depois, e vocês já estão quase se matando no meio da sala??!
- Mas professora, esse idiota começou! Eu só estava parada na minha carteira! – May disse, apontando para o garoto que apenas deu uma risada.
- Ah, claro. A culpa é sempre minha. Pelo que eu saiba você começou a falar mal de mim, eu só estava dizendo coisas verdadeiras. – Drew falou, sorrindo. May corou outra vez, cerrando os punhos.
- Coisas verdadeiras, huh? Eu vou te mostrar algo verdadeiro, seu... – May esbravejou, pegando seu rival pelo colarinho de seu uniforme e fazendo o coro de “briga” começar outra vez.
- Já chega! – A professora gritou, fazendo a sala ficar em silêncio. – Não agüento mais! Vocês dois, vão agora para a sala do diretor!
May bufou alto, largando Drew e saindo da sala com passos fortes. Era sempre isso que acontecia. Ele tinha que fazer ela se descontrolar todo o santo dia, e sempre a deixava em encrencas.
Ugh, e ainda é para a sala do diretor. Eu odeio aquele cara... – Ela pensou, chegando à porta grande da diretoria. Entrou, não se importando em segurar a porta para Drew que estava bem atrás dela, e se sentou num dos sofás da sala de espera.
Não soube quanto tempo ficou ali, mas também não quis olhar para o relógio de parede por ele ser na direção de Drew. E, naquela hora, ela não desejava nem ver o rastro dele.
A secretária finalmente os chamou, e pediu para que entrassem. Os dois então se dirigiram a uma porta um pouco mais conservada que as outras, e entraram.
A sala do diretor era comum. Uma escrivaninha grande, cheia de documentos e canetas. Algumas pastas ao canto, provavelmente fichas de alunos, e uma decoração um pouco antiquada. Sentado na cadeira do meio estava Giovanni, o diretor da escola.
- Ora, o que temos aqui? – Ele falou, colocando o café que tomava na mesa. – Vocês dois adoram se meter em encrenca, não é?
- Me desculpe,diretor. Prometo que não farei isso outra vez. – May falou, abaixando a cabeça. Sabia que o diretor podia fazer qualquer coisa para castigá-los, e ela queria estar viva até o recreio.
- Sim, diretor. – Drew apenas concordou, também não querendo entrar em encrenca. Giovanni suspirou, passando suas mãos pelo seu rosto.
- Muito bem, acho que posso desculpá-los dessa vez. Mas se fizerem mais alguma coisinha sequer...
Só que aí um celular começou a tocar. E ter um telefone tocando e dois alunos procurando os seus para ver de onde o barulho vindo na frente do dono de uma escola que proíbe que celulares estejam ligados na hora de aula é um problema. Um problema sério.
May negou a chamada rapidamente, e desligou seu celular. Não teve tempo de ver quem ligava, mas resolveu que ia amaldiçoar quem quer que tenha sido pois o diretor não estava com uma cara das melhores.
-Vocês dois sabem que aqui é proibido celulares ligados , não é? – Ele perguntou devagar, parecendo controlar sua raiva.
- S-sim, professor. – Os dois jovens responderam em uníssono, ambos assustados demais para notarem que falaram ao mesmo tempo.
- Ótimo. – Ele disse, tomando um gole do seu café. – Já sei o que vou fazer com vocês.
Por favor, sem bilhetes para a casa ou suspensões, tudo menos isso... – May torcia em sua mente, mordendo o lábio para tentar não parecer muito nervosa. Sua mãe a mataria se ela ficasse sabendo das encrencas em que ela se metia.
- Tem uma sala minha com alguns papéis que eu preciso separar em turmas e anos diferentes. Ia mandar minha secretária fazer isso, mas acho que ela merece um descanso.
- Mas professor, o recreio já está quase acabando e...
- Pensasse nisso antes de fazer o que fez, senhor Hayden. – O diretor cortou Drew, o lançando um olhar reprovador. – Agora vão, antes que eu mude de idéia e os suspenda por uma semana inteira.
Os dois saíram rapidamente para evitar uma futura morte pavorosa que seus pais os causariam. May estava cada vez com mais raiva de Drew, mas conseguiu se segurar. Ela não queria levar uma suspensão, isso seria simplesmente o apocalipse para ela.
E é assim que ela terminou com um idiota separando papéis numa sala. O dia estava maravilhoso, ah se estava.
- Hey , não vem me ajudar não? – Drew perguntou, e ela se virou para ele ainda com raiva. – Tem muitos papéis desse lado do que no seu.
- Isso é porque eu os organizo bem mais rápido que você, estúpido. – Ela respondeu, colocando alguns papéis na mesa. Ela era bem atrapalhada com coisas, mas Drew também não era feito para arrumação pelo que parecia.
- Que seja selvagem. Você quer acabar com isso logo, não quer? – Drew comentou, suspirando pesadamente. May, sem outra escolha, foi até ele. Ela podia jurar que tinha visto algo que não era um papel em suas mãos antes que a droga do papel no chão a fizesse escorregar.
E adivinha onde ela foi parar? Bem em cima do cabelo verde, a milímetros do rosto dele. É gravidade, eu te odeio.
Nenhum dos dois falou nada, tentando ainda descobrir o que diabos tinha acontecido e tentando esfriar um pouco seus rostos. Drew , depois de uns minutos congelado olhando diretamente nos olhos da garota em cima dele, pareceu recuperar sua voz.
- Huh, dá para sair de cima de mim?
Claro que May não bancaria a fã apaixonada de momentos atrás e se aproximaria mais. Então , em um segundo, ela estava em pé e ajeitando sua saia.
- B-bom, você queria ajuda né? Pois bem. – Ela falou nervosa, tentando organizar os papéis sem deixá-los cair. – Aqui, tá arrumado, agora com licença que...
- Ei, você vai simplesmente sair e me deixar sozinho aqui com isso? – O garoto perguntou, se levantando e apontando para os papéis do chão ainda caídos.
- É, vou. – May respondeu, se virando. E é claro, ele tinha que segurar seu braço. Obrigada May, nem fugir de um garoto estúpido você consegue.
- Espera, eu quero te dar algo primeiro. – Ele disse, estranhamente sério depois de virá-la pelo seu braço. Em suas mãos, estava uma rosa vermelha.
- Você vai dar uma flor para mim? – Ela perguntou, corando outra vez. E ainda é a minha favorita... O que diabos ele está pensando?
- É a intenção. – Ele respondeu, estendendo a rosa. A garota de mechas em castanho a pegou relutantemente, ainda não sabendo o motivo daquilo.
- Se isso for algo que você dá para todas as suas fãs, eu vou devolver, ouviu?
- Não não, eu não dou flores para minhas fãs. – Ele sorriu, dessa vez sem sarcasmo nenhum. – É para você, May.
-... Posso saber o porquê, pelo menos? – Ela perguntou, corando um pouco mais. Não me diga que a pessoa especial que ele mencionou... Sou eu?
- Claro. É porque você é diferente das outras. E... – Ele começou , indo para a porta lentamente. –...porque você vai ficar aqui arrumando o resto dos papéis por mim.
E, assim, ele saiu pela porta, a fechando. May demorou um segundo para descobrir o que tinha acontecido, e dois para entrar em um curto circuito de raiva.
- Volta aqui, seu idiota! Você não vai me deixar sozinha aqui com esses papéis! Não vai mesmo! – Ela bradou, correndo atrás dele e nem se importando mais com os papéis. Aquele garoto iria pagar por dar esperanças falsas a ela, e iria pagar caro.
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- Interessante... – Misty disse, sorrindo divertida. – Então ele te deu uma rosa, coisa que ele não faz com nenhuma outra garota, e disse que está guardando um beijo para alguém especial?
- Para com isso, Misty. Ele só queria zoar com a minha cara, e você sabe disso. – May respondeu, apertando seu bichinho contra si. – Ele quer que eu comece a gostar dele, por isso fez isso.
- Mas May, olha só... – Yellow começou, pensando. – Ele não sabia que ficaria preso arrumando papéis com você hoje nem que faria essa aposta. E se ele te deu essa rosa, então ele levou por todo o caminho da sua sala até a sala dos papéis.
- Ela tem razão, May. – Hikari falou, cruzando os braços. – Ele estava planejando dar essa rosa para você há algum tempo se teve todo esse cuidado. Poderia ter muito bem entregado na sala na frente de todo mundo, mas não fez isso.
- Ugh, parem com isso! Agora minha cabeça está confusa! – Ela resmungou, enfiando a cabeça em seu bichinho.
- Ok, ok, é melhor parar mesmo. –Hikari falou, sorrindo. – Mas que tem algo aí, tem. Talvez o tal de “cabeça de alga” esteja gostando de alguém mesmo. E se for May, isso acabou de comprovar que é você.
- Não fala besteiras, Hikari. – A morena bufou. – Agora vamos, o almoço já deve estar pronto.
As garotas almoçaram, e logo tiveram que ir embora. May passou a tarde alternando entre tentar fazer dever e olhar para o novo integrante de seu quarto, que estava situado próximo à janela.
- Aquele estúpido... O que diabos ele está pensando? – Ela murmurou para si mesma, tocando levemente nas pétalas da rosa. Eu não contei sobre meu 'acidente' com o Drew. Será que eu devia? Naquela hora os olhos dele pareciam tão verdes...
- E agora? Não vou conseguir mais me concentrar! – A garota colocou as mãos no rosto, angustiada. Se jogou em sua cama, ficando de cabeça para cima olhando para o teto.
Mas se ele gostar mesmo de mim, o que eu faço? Ele sempre foi meu rival até agora, nunca tinha pensado nisso... – Ela pensou, aflita. Ele não era tão idiota assim antes... Eu tinha até chegado a pensar que gostava dele antes daquelas garotas se meterem no meio e estragarem tudo...
- Droga, Drew, por que você não quer sair da minha cabeça? – Ela murmurou, virando para ficar com o rosto em seu travesseiro.
Se continuar assim, talvez você consiga ganhar a sua aposta...
----------------------------- End. ---------------------------------------------
Na na na na na na, contest! Eu já disse que eu amo esse ship? Se não, vou dizer agora: Eu amo esse ship. *-* É tão fofo, e provocante, e mais fofo ainda, e confuso, e... aiai, tudo o que eu toco vira ship, é incrível. Espero que esse cap tenha ficado bom, eu desenvolvi bem mais do que o original. x.x Expliquei algumas coisas que não faziam sentido também, e tudo mais.
A próxima fic que estou trabalhando é uma oneshot feliz, então talvez demore um pouquinho mais para fazer o próximo cap. Mas eu vou me esforçar para fazê-lo o mais rápido possível! >.< Torçam por mim, seres de minha vida. ;-; Kissus! ;******
The Bet
Chapter 4: Amigos na infância, inimigos na atualidade?
Yellow acordou como de costume. Levantou, tomou banho, fez o
café... Essa rotina já se repetia a mais ou menos uma semana. Daqui a pouco as
aulas extracurriculares começariam...
Ugh, porque tinha que
passar tão rápido? – A loira pensou, enquanto tomava um gole de seu suco de
uva. No começo achava que não iria ter muitos problemas com esconder o fato de
que era garota, mas...
Agora que tenho novos
amigos, não posso deixar de pensar como eles vão reagir se descobrirem... –
Ela continuou, olhando pela janela.
Blue tinha tido muito mais tempo para passar o recreio com
eles, e isso tinha a deixado mais próxima dos “garotos mais populares da
escola.” Além disso, estava se dando bem com outros garotos de sua sala, e com
os professores também...
-Será que eles vão se decepcionar comigo? Ficarem com raiva?
– Ela se perguntou, aflita. – Ai, em que confusão a May foi me meter...
Falando nela... A May
anda estranha esses dias também. – Yellow completou em sua mente,
terminando seu suco e levantando. Será
que aconteceu alguma coisa a mais naquele acidente com o Drew?
- Yellow, está tudo bem? – O pai da moça perguntou,
arqueando uma sobrancelha de seu canto da mesa em que tomava café. – Você parece em apuros com essa cara.
- Acho que estou mesmo, pai. – Ela respondeu, sorrindo sem
graça. – Estou indo. Até mais tarde!
- Se cuide! – O homem só teve tempo de falar isso antes da
porta bater. Suspirou, murmurando. – Esses adolescentes de hoje em dia...
A loira andou calmamente até a escola, indo até o prédio do
ensino médio para pegar seus livros. Abriu seu armário, pegou algumas coisas e
já estava indo quando sentiu uma batida em suas costas.
- Ah, bom dia Red! – Ela disse, sorrindo para o garoto de
olhos vermelhos. Ele sorriu de volta, indo até seu armário.
- Bom dia. Vai ter aula de ciências? – Ele perguntou,
olhando para o livro nas mãos da jovem.
- Física. Apesar de não querer ter isso hoje. – Ela
respondeu, bufando. O garoto riu, e umas garotas paradas do outro lado do
corredor começaram a ter ataques.
- Parece que suas fãs estão te espionando outra vez. – A
jovem observou, com uma gota. Red concordou , sorrindo sem graça.
- Desculpa por isso. Elas não estão te dando problemas, né?
- Não, só perguntam algumas coisas de vez em quando. – Ela
respondeu, e acrescentou mentalmente: Mas
quando souberem que sou garota, vou estar ferrada...
- Bom, até mais! – O garoto mais velho se despediu, e foi
andando para sua sala. Yellow resolveu fazer o mesmo, fechando seu armário e
indo para o prédio do ensino fundamental.
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Hikari cantarolava músicas distraidamente enquanto passava
pelos corredores da escola. Suas mechas azuis escuras deslizavam em tempo com
seus passos, e sua saia – um pouco mais curta que o normal- dançava com o ritmo
e a brisa que vinha dos movimentos da jovem.
Ela andava calmamente, até que parou. E por que parou? Bom,
ela viu um pequeno objeto, muito pequeno, mas perigoso e mortal o suficiente
para fazê-la entrar em desespero.
- BARATA! – Ela gritou, correndo para longe do inseto
inofensivo. Se jogou no primeiro vulto aparentemente forte o suficiente para
lidar com a praga, apertando bem os olhos.
- Hikari? – Ela abriu os olhos, e viu seu amigo de infância,
Kenny. Ele parecia um pouco corado, não esperando que alguém se tacasse em cima
dele no corredor.
- Ah, Kenny... – Ela murmurou, largando dele rapidamente. –
D-desculpa, mas é que eu vi uma barata e...
- A-ah, tudo bem. –
Ele respondeu, se recuperando um pouco e ficando com um sorriso malicioso. –
Continua com medo de tudo, né DeeDee?
- Não me chama disso, idiota! – Ela reclamou, dando um soco
no ombro de seu amigo. – E você sabe que não gosto muito de baratas.
- Aham, sei... – Ele continuou, rindo da cara raivosa de sua
amiga. – Bom, tenho aula de física agora. Até mais, DeeDee! – Ele se despediu,
piscando e partindo pelo corredor.
- Eu disse para não me
chamar desse apelido! – A garota gritou, e pôde ver seu amigo rir disso
enquanto se distanciava. Ela bufou: ele tinha que sempre fazer isso?!
E ele também gosta de
mim, não é? Não devia me irritar... – Ela pensou para si mesma, cruzando os
braços. Kenny tinha se declarado para ela nas férias, e ela acabara o dando um
fora.
Espero que ele não
tenha ficado muito abalado... – Continuou, suspirando e voltando a andar. Mas ele sabe que eu já estou comprometida...
Mesmo que eu nem saiba onde o príncipe está agora.
A garota ficaria mais nos seus devaneios se o sinal não
tivesse tocado. Lembrando que sua classe ainda era no fim do corredor, começou
a correr para tentar chegar antes do professor.
- Droga, por que eu tenho que estar sempre atrasada? – Ela resmungou, não vendo por onde andava e
batendo em alguém. Ela caiu, sentindo uma pontada no pé esquerdo.
Ai! Será que eu torci?
– Ela pensou, tentando examinar o ferimento até que percebeu a pessoa que tinha
esbarrado.
- Você adora esbarrar em mim do nada, né cerejinha? – Paul
disse, arqueando uma sobrancelha para a garota caída.
- Cala a boca, idiota. Eu tava atrasada e foi sem querer,
tudo bem? – Ela respondeu, bufando. Ainda não tinha se vingado do seu novo
apelido.
- Vai querer ajuda ou não? – O garoto suspirou, estendendo
uma mão para ela levantar. A jovem relutantemente aceitou, mas caiu outra vez
quando pisou e lembrou que tinha machucado o pé.
- Você se machucou...? – Paul perguntou, sua expressão um
pouco preocupada. A garota sorriu sem graça.
- S-sem problemas! Deve ter sido só mau jeito... – Ela
falou, tentando levantar e soltando um gemido de dor. – Ok, pode ter sido mais que um mau jeito...
Paul suspirou, vendo a garota machucada no chão tentando dar
desculpas. – Você só me arruma problemas, hein...
- O que quer dizer com isso? H-hey, espera... - Hikari
tentou protestar, mas em um segundo já estava flutuando. – O-o que você está fazendo?
- Uma boa ação. – Ele respondeu, enquanto carregava a garota
com os braços na direção da enfermaria.
-... Tá, que seja. – A garota desistiu, fazendo bico. Não
conseguiria ir andando até a enfermaria nesse estado, e até que ser carregada
assim era confortável...
Parecemos até recém casados assim... – Ela pensou com uma gota,
corando um pouco. Olhou para cima, e tentou adivinhar o que seu “herói” estava
pensando. Será que ele não se importa com
isso?
- Que foi? – Ele perguntou sem desviar o olhar. Hikari corou
um pouco mais por ser descoberta, olhando para frente.
- N-nada.
-... – Paul levantou uma sobrancelha, desconfiado, mas
resolveu não perguntar mais. Não sabia nem porque estava ajudando...
Logo os dois chegaram na enfermaria. A enfermeira, uma
mulher de uns trinta anos de cabelos rosas, levantou para recebê-los.
- Ah, o que houve? – A mulher perguntou, chegando perto dos
dois. – Sua namorada tropeçou?
- E-eu não sou a namorada dele! – Hikari exclamou antes que
o garoto que a segurava pudesse dizer alguma coisa.
- Desculpe... – A enfermeira disse, com uma gota. – É que
pela maneira que ele estava te carregando, eu...
- Tudo bem. – Paul a cortou, ficando um pouco impaciente. –
Ela torceu o pé.
- Oh, claro. – Isso acordou a mulher, e que abriu uma
cortina para a cama da enfermaria. – Pode deitá-la aqui.
Sem precisar dizer mais nada, o garoto a obedeceu. Depois de
observar o ferimento, a enfermeira sorriu.
- Não é sério. – Ela levantou de sua posição, botando as
mãos no quadril. – Você só precisa descansar um pouco seu pé e colocar bastante
gelo que vai ficar bom!
- Ok, obrigada. – Hikari respondeu educadamente, fazendo
menção de levantar e sendo parada pela enfermeira.
- Espera, onde acha que está indo??
- Uh,para a aula...? – A garota falou, confusa.
- Nada disso! Você vai descansar esse seu pé agora. Pode
voltar depois do recreio. – A mulher disse, sorrindo. – Vou pegar um pouco de
gelo para você.
- Ok... – Hikari falou, deitando na cama e olhando para o
lado. – Você vai ficar aí parado?
- Não vou voltar para a aula mesmo se sair daqui. – Paul
respondeu, sentando numa cadeira próxima. – Durma um pouco, parece cansada.
- Humph....Não é como se eu fosse te obedecer... – Bocejo. –
Tão...rápido. – E em alguins minutos, ela tinha caído no sono.
Ela não deve ter
dormido direito. – O garoto notou, ao olhar para as olheiras da jovem. Estudando? Ou problemas em casa?
- Ah, ela dormiu? – A enfermeira voltou com gelo, e
suspirou. – Bom, não tem problema. Pode colocar isso no pé dela, por favor?
- Eu?
- É, quem mais? – A enfermeira bufou, como se fosse óbvio. –
Tenho que falar com a diretora sobre nossos estoques de remédios. Cuide da sua
amiga enquanto isso ouviu?
-... Que seja. – Paul disse por fim, pegando o gelo e
colocando ele devagar no pé da garota sonolenta. Ela estremeceu, e ele esboçou
um sorriso.
Foi nessa hora que ele percebeu a pulseira em seu braço.
Parecia ser valiosa, com pedras em um púrpura e partes em prata. A pulseira
brilhava numa intensidade anormal, parecendo estar respondendo a algo.
Será que isso é...
– Paul pensou, aproximando-se do objeto. Só
pode ser.
- Ela ainda se lembra? – Ele murmurou, arregalando os olhos.
Em sua mochila jogada no canto da sala, um objeto estranho cintilava. Era uma
pulseira igual com pedras em roxo, que parecia ter encontrado seu par depois de
anos de separação.
----------------------------------------- Continua
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Hohohohoho~ Cap
4(parte 1) pronto! Foi bem rápido, acho que é porque tem continuação. Hmm. Bom,
espero que tenham gostado, seres. Dedico o cap à Bii, minha amiga dives que ama
ikari, assim como tinha dedicado antes no original. :D E dalhe enfermeira
ikarishipper!
Kissus! ;****
The Bet
Chapter 5: Amigos de infância, rivais na atualidade? Parte 2.
Uma garotinha, de mais ou menos uns seis anos, andava por um
parque cheio de crianças. Ela possuía uma fita grande prendendo seu cabelo azul
escuro e seus olhos de mesma cor observavam animadamente o pirulito que sua mãe
lhe dera.
Ela procurava um lugar para sentar e apreciar sua guloseima,
quando dois garotos de sete ou oito anos se aproximaram.
- Olha o que temos aqui! – O mais velho disse, pegando o
doce das mãos da garotinha.
- Me dá! Ele é meu! – Ela berrou, tentando alcançar o
pirulito, mas sem sucesso. Assim, ela resolveu apelar para a força.
E nesse caso força seria uma canelada na barriga do garoto.
- Ai! Essa é brava! – Ele disse, ao sentir a canelada que a
garota lhe dera. Ele começou a ficar, com raiva, bufando. – Quer brigar, hein?
Vou te mostrar o que é um soco, sua...
- Parem aí! – Uma nova voz foi ouvida, e as crianças viraram
para encontrar um garotinho de sete anos de cabelos roxos. Ele parecia com
raiva, se aproximando do grupo e parando em frente à garota.
- E o que você vai fazer, tacar pedras em mim? – O mais
velho riu, e seu comparsa tímido fez o mesmo. Sorrindo sarcasticamente, o
menino respondeu:
- Boa idéia. – E pegou uma pedrinha mais ou menos grande do
chão, tacando na cabeça do mais velho que berrou de dor. Ameaçou pegar outras
pedras, só que o garoto começou a chorar, entregando o doce.
- V-você é mal! M-muito mal! – Eles falaram, saindo correndo
provavelmente para contar tudo para suas mães.
- Patético. – O mais velho disse, se virando para a
garotinha. – Aqui.
- O-obrigada... – Ela disse, aceitando a guloseima. – E-ei,
espera, aonde você vai? – Ela perguntou, vendo o garoto começar a se afastar.
-Já te ajudei, então
posso ir embora.
- Nada disso! – Ela disse, bufando. – Você me ajudou, tenho
que te recompensar.
- Não quero nada, problemática. – Ele respondeu, arqueando
uma sobrancelha.
- Não seja bobo! – Ela falou, mostrando a língua. Ela sorriu
de repente, tendo uma idéia. – Ah! Que tal se você fosse meu namorado?
- E como isso é uma recompensa? – O garoto perguntou,
ficando vermelho.
- Ué, você normalmente fica sozinho aqui... E agora que me
salvou, pode ser meu príncipe! – A garota explicou, sorrindo abertamente.
O garotinho não disse nada, mas suas bochechas vermelhas que
competiam com a saia da garota responderam por si mesmas. A menina sorriu outra
vez, indo até sua mochila e pegando algo.
- O que é isso? – O garotinho perguntou, olhando pelo ombro
dela para ver o que ela tinha pegado.
- Ah, são braceletes da minha avó! – Ela falou, pegando duas
pulseiras iguais, mas com pedras de tons diferentes. – Ia entregar uma dessas
para a Zoey, mas acho que ela não vai se importar.
- E para que servem? – Ele perguntou, recebendo uma pulseira
prata com pedras em roxo e um pingente de coração no centro. A pulseira estava
brilhando, o que fez o garoto se assustar um pouco.
- Minha avó disse que eles são mágicos, e que brilham quando
estão próximos. – A menina explicou, aproximando os objetos. – Quem usa esse
bracelete sempre volta a se encontrar, mesmo que tenha que se separar algum
dia...
- Isso não é só conto de fadas que ela te contou antes de
dormir? – O garoto perguntou com uma gota, sendo respondido com um olhar de
raiva da garota.
- Claro que não! – Ela reclamou, aproximando os braceletes.
– Não está vendo?
Eles até que tem um
brilho incomum... – Ele pensou, ao ver os objetos. – Pode ser só glitter,
talvez.
- Ugh, desisto. De qualquer forma, aqui. – Ela entregou a jóia
ao garoto, que recusou a colocar algo assim
em seu braço. – Hey, príncipe...
- O que foi?
- Qual o seu nome? – Ela o perguntou, com um olhar confuso.
O garoto não respondeu. Ao invés disso, olhou pelo pátio e
viu uma mulher mais velha, bem bonita por sinal, chamando o nome de alguém.
- Ah, é a minha mãe! – A garotinha notou, acenando para a
mulher. – Tenho que ir. Até amanhã, príncipe!
- Espera! – Ele gritou, ao ver a garota correr ao encontro
da mãe. Ela parou, olhando para trás. – Qual o seu nome?
- Hikari! – Ela gritou de volta, sorrindo. – Não falte
amanhã, ouviu príncipe?
- Sim. – Ele respondeu baixo, vendo a menina abraçar sua
mãe. – Não vou faltar.
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Se eu pudesse voltar
no tempo... – Ele pensou, olhando para o bracelete que a garota usava e
vendo suas memórias surgirem em sua mente.
Mas aquilo estragou
tudo. – Ele suspirou. Percebeu que a garota estava se mexendo, parecendo
acordar.
Ela abriu os olhos, os esfregando e bocejando. Pareceu notar
onde estava, pois levantou rapidamente e olhou para o jovem ao seu lado.
- Não acredito que eu caí no sono... – Ela resmungou, caindo
outra vez sobre as cobertas. – Quanto tempo se passou?
- Não sei, duas horas? – O jovem arqueou as sobrancelhas,
olhando pela janela. – Podem ter sido mais.
- E o que você ficou fazendo aqui todo esse tempo? – Ela
perguntou, ficando vermelha. – V-você não fez nada engraçado comigo, fez?
- Você quer que eu faça? – Ele perguntou, sério. – Não fiz
nada. Não sou covarde, problemática.
Ela piscou, lembrando de algo. Olhou de relance para seu
bracelete, e notou que o outro integrante da sala também o olhava.
- Foi... Um presente de um amigo de infância meu. – Ela
comentou, levantando seu braço para olhá-lo melhor. – Na verdade mais que um
amigo, mas... Hey ,é impressão minha ou ele está brilhando?
O jovem engoliu em seco, ficando um pouco nervoso. Falar ou não? Num surto de coragem,
começou. – Hikari, eu...
- Hikari! – Alguém abriu a porta da enfermaria com um
empurrão, e Kenny em um segundo estava do lado de sua amiga.
- Eu ia me desculpar por hoje, mas as garotas me disseram
que você não tinha aparecido na aula nem atendido o celular e eu fiquei
preocupado-... Espera, o que ele está fazendo aqui? – O garoto parou, olhando
para o de cabelos roxos sentado na cadeira.
- Fugindo da aula de física. – Ele respondeu no lugar da
jovem, se levantando. – Mas acho que vou embora agora. – Sorriu para o jovem de
cabelos castanhos. Se não se enganava, era um dos garotos que brincavam com
Hikari em sua infância... Parecia que ainda não tinha superado sua queda pela
jovem de mechas azuis escuras.
- Ei, Paul. – Ele se virou, sua mochila já em seus ombros.
Hikari parecia uma boneca desarrumada na cama da enfermaria, os cabelos
bagunçados e as bochechas rosadas. – Obrigada por hoje.
- De nada. – Ele respondeu, dando um sorriso curto, mas
verdadeiro. – Nos vemos por aí.
A porta da enfermaria bateu, e Paul se encontrou com a
enfermeira do lado de fora, esperando.
- Não vai fazer companhia para ela? – A mulher perguntou,
sorrindo como se já soubesse de tudo na vida do rapaz.
- Ela já tem companhia. – Ele respondeu, olhando para a
porta.
-Parece que quando as pessoas ficam doentes, querem
consertar mais do que só seus ferimentos. – Ela comentou, se aproximando da
porta. – Se precisar de alguém para desabafar, a enfermeira está sempre
disponível.
- Obrigado, mas vou passar. – Paul respondeu, de alguma
maneira curioso com aquela mulher. – Meus problemas já passaram do limite
possível para serem resolvidos.
- É isso que todos dizem. – Ela disse por último, olhando o
garoto ir embora.
Do lado de dentro, Hikari não conseguia se concentrar no que
seu amigo estava falando. Também mal notou a porta se abrir e a enfermeira
entrar, pois alguma coisa não parecia sair de sua cabeça.
Naquela hora a
pulseira estava brilhando, tenho certeza disso. – Ela refletiu, olhando
para seu bracelete que não brilhava mais. O
que será que ele ia dizer? Naquela hora, ele tinha os mesmos olhos...
Estavam a chamando, e daqui a pouco ela teria que responder.
Mas naquele segundo, por aquele intervalo mísero de tempo, ela deixou-se
lembrar pelas lembranças. Pensou em sua infância, no dia que conheceu seu
príncipe, e nos olhos.
Príncipe, onde será
que você está? – Ela perguntou ao vazio de seus pensamentos. Em seu braço,
sua pulseira deu um chamado singelo, brilhando forte por um segundo.
A alguns corredores à frente, outro brilho foi respondido,
mas ninguém estava ali para ver. E aqueles dois, separados pelo destino, por um
momento pareciam unidos novamente.
É uma pena que momentos passam.
-------------------------------------- x
--------------------------------------------
Crystal não queria comentar do seu dia para as outras
garotas. Estava com sorte, pois aparentemente a busca por Hikari pelo final do
recreio tinha tirado a concentração de todos e jogado ela pelos ares.
Isso era por causa de um motivo. E esse motivo se chamava
Gold.
Aparentemente o garoto tivera a idéia magnífica de trocar de
lugares porque estava entediado. E quando você é o suposto “galinha” da sala e
dá em cima de quase todas as garotas, carne nova nunca vai mal.
Ele praticamente tinha enchido
sua paciência pela aula inteira, e se a garota não quisesse causar
problemas ao lugar onde morava ela teria colocados seus golpes que aprendeu em
suas aulas de karatê da semana seriam postas em prática.
E o pior é que eu
tenho mais um tempo dessa aula depois do recreio... – Ela suspirou
pesadamente, xingando o garoto em sua mente. Ele tinha mesmo que decidir ‘me conhecer melhor’.
Realmente, sorte era algo que ela não tinha. Pelo menos em seus quinze anos de vida, ela não tinha se
apresentado presente.
O melhor a fazer agora
é ignorar. Isso Crys, você consegue esquecer, não é? – Ela se assegurou,
sorrindo e acompanhando suas amigas.
Até que ela viu um par de olhos dourados, e o dono deles
começou a ir em sua direção, um sorriso torto no rosto.
É, não vai ser tão
fácil assim... – Ela concluiu, fechando a cara.
--------------------------------------- Fini
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Yoooooo~ Cap 5 pronto! Bem curto, eu sei, mas a idéia
principal não era muito longa e já são meia noite e 16 e eu quero dormir. x.x
Ikariship como esperado, espero que tenha ficado bom o suficiente. [y] Até
mais, seres tensos do meu coraçãaaaaao~ :D
Kissus! ;****
The Bet
Chapter 6: Amanhã, já?
Era uma
manhã de sol quando Yellow acordou. Tomou uma ducha, comeu alguma coisa, fez
algo para o seu pai, como de costume, e logo estava andando pela rua de sua
vizinhança a caminho da escola.
Esperava
encontrar Blue e Misty pelo caminho, porque precisava conversar com alguém.
Alguma coisa estava muito errada com ela, e Yellow queria tirar esses
pensamentos de sua cabeça o mais rápido possível.
Olhando para
o céu, lembrou-se do que tinha acontecido ontem. Ela e suas amigas tinham ido
lanchar na cerejeira como sempre, e Blue tinha aparecido com seus amigos já que
seus fãs tinham dado um tempo para eles.
- Ufa!
Conseguimos despistá-los hoje. – Blue comentou se recuperando da corrida
habitual. Seus amigos concordaram silenciosamente, ainda ofegantes. – Olá para vocês, aliás.
- Olá Blue, Red,
Green. – Misty cumprimentou os três, sorrindo.
- Ué, a
Hikari não está aqui hoje? – Red perguntou, notando a falta da garota. May deu
de ombros, com uma gota.
- Tentamos
ligar para ela no intervalo do primeiro tempo, só que não teve resposta. – Mal
sabia ela que Paul ficara com raiva do toque do celular e o tinha desligado. -
Deve ter perdido a hora e estar dormindo.
- É bem
provável. – Blue riu, sentando junto das amigas e puxando seu amigo de olhos
verdes para o seu lado. Ele apenas suspirou, já cansado de reclamar com a
jovem.
- Que houve
May? Parece estar com raiva. – Red notou, olhando para a mais nova que tinha
uma expressão emburrada.
- É o maldito
professor de história. Quase me expulsou de sala hoje... – Ela respondeu, suspirando.
- Eu não
discordo dele. Se você e o cabelo verde ficassem se atacando em todas as aulas
que eu desse, também pegaria no seu pé.
– Misty sorriu, ignorando totalmente a encarada mortal de sua amiga.
- Não se
preocupa May, também odeio aquele cara. – Blue disse, depois de comer o resto
de seu sanduíche natural. – Ele e aquela matéria perversa me assombram.
Nesse
momento, Red e Yellow olharam para a garota de olhos claros e falaram ao mesmo
tempo:
- Sério? Eu
gosto de história. – Todos olharam para os dois, e começaram a rir. Ambos se
encararam, sorriram, e começaram a rir também.
- Sabe, se
você fosse uma garota seríamos um par perfeito! – Red comentou de brincadeira,
nem percebendo a troca de olhares entre as garotas e o quão vermelha a loira do
grupo ficou.
- Concordo
com isso, Red. Vocês são muuuito parecidos. – Blue disse, rindo da cara de sua
amiga. – Que pena que não é uma
garota, Yellow.
- B-blue! –
Ela resmungou, não conseguindo nem olhar para o lado de tanta vergonha.
- Uh... Eu
fiz algo errado? – O garoto de olhos vermelhos perguntou para Green, olhando as
garotas rirem e cochicharem no ouvido de Yellow.
- Não, sua
amiga é que é maluca. – Ele respondeu, dando um sorriso discreto ao olhar para
o grupo outra vez.
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O que foi aquilo ontem? Eu não devia ter
ficado tão nervosa, ou devia? – Ela refletiu, com uma gota. Tudo bem que ele é o garoto mais popular da
escola, mas eu não sou de ligar para isso...
- Yellow? –
Ela deu um salto ao ouvir seu nome, virando para encontrar sua amiga Hikari.
- Ah,
Hikari! – Ela suspirou fundo, aliviada. – Desculpa, eu estava meio perdida
aqui.
- Eu
percebi. – Ela estava rindo. – May me contou o que aconteceu ontem de tarde.
- Nem
mencione isso. – Yellow corou outra vez. - Estava até procurando alguém para
desabafar alguma coisa, na verdade...
- Sem
problemas! Estou aqui para isso. – A jovem de olhos escuros apontou para si
mesma. – E eu também gostaria de falar com alguém.
- Bom, ainda
temos o caminho inteiro até a escola. – A loira apontou para a rua. – Vamos?
- Claro. – E
assim, as duas jovens começaram a andar a caminho da escola, enquanto Hikari
primeiro falava sobre o que acontecera na manhã passada. Ela ainda usava um
curativo no pé machucado, e parecia realmente confusa.
- E aquela
pulseira, ele estava a olhando de uma maneira... – Hikari suspirou. – Não sei.
Talvez só esteja querendo que ele volte, perdê-lo foi difícil para mim.
- Hikari...
– Yellow olhou para sua amiga. Podia ver em seus olhos que ela gostava de seu
amigo antigo, e que não era apenas uma paixonite boba.
Olhá-la
daquele jeito a fazia pensar se tivera mesmo se apaixonado na vida. Parecia que para ela era impossível
esquecê-lo, mesmo depois de tanto tempo... Será que aconteceria algo parecido
com Yellow um dia? E se... Já estava acontecendo?
-Tem uma
coisa que eu queria te perguntar. – A loira disse, olhando para a estrada à sua
frente. – Como você sabe que está apaixonada? Tem algum aviso?
- Por que
quer saber?
- Huh... Só
curiosidade mesmo. - Hikari não parecia convencida, mas resolveu responder a
pergunta.
- É
complicado. – A jovem de olhos escuros ajeitou uma mecha de seu cabelo. –
Acontece de uma hora para outra. Você começa a pensar muito em alguém, se
sentir estranha perto dessa pessoa...
- Estranha
como?
-Quente. –
Hikari respondeu. – Mesmo que esteja congelando, você um calor confortável te
envolvendo, seu estômago dá voltas e você fica com vontade de sorrir. Pelo
menos era o que eu sentia quando era criança.
- Entendi...
– Yellow suspirou, um pouco melhor. Não tinha sentido seu estômago dar voltas
nem a vontade súbita de dar pulinhos pela calçada. Mas também podia ser diferente para todo mundo, uma voz falou em
sua cabeça.
- Tem
certeza que é só curiosidade? – Hikari perguntou, cruzando os braços. – Sabe
que não é legal esconder as coisas das amigas.
- Não, eu
sei disso. – A loira sorriu. – Pode deixar; se tiver certeza que gosto de
alguém falarei para vocês.
- Ótimo,
pois eu não me abri com você agora para nada. – Hikari deu a língua, puxando
sua amiga pelo braço. – Agora vamos, a escola está logo ali. Quero chegar cedo à
sala hoje para não dar de cara com o estúpido do Paul.
- Certo,
certo. – Yellow riu, e as duas passaram para o portão. Devia ser só um
sentimento ruim, nada demais. Ela não estava apaixonada.
Mesmo assim,
aquela maldita vozinha ainda a fazia se perguntar se estava mesmo certa. E suas
dúvidas voltaram à tona no mesmo dia, quando as garotas e o trio mais velho
estavam lanchando na cerejeira.
- Mas então,
prontos para o começo das aulas de EF amanhã? – Red perguntou, sorrindo. –
Também vão abrir vagas para os times. Vão entrar em algum?
- Amanhã?
Já? – Yellow nem percebera os dias se passando, e amanhã já teria que acabar
com sua farsa? Não, ela não podia fazer aquilo, ainda mais com seus novos
amigos e...
-Ei, tudo
bem? – Red a chamou, arqueando uma sobrancelha. Parecia que era a única que não
tinha falado ainda.
E ele. E
aquele garoto popular que tinha jogado seus pensamentos numa montanha russa
descontrolada que desmontaria a qualquer momento.
- Estávamos
falando de esportes, certo? – Ela disse, tentando afastar aquilo de sua cabeça.
– Acho que vou tentar para futebol...
De repente,
o garoto de olhos vermelhos estava com os olhos brilhando e bem entusiasmado. –
Sério? Você joga bem? Em que posição você joga?
- Ai não,
ele sempre fica assim quando
mencionam futebol. – Blue colocou uma mão no rosto, aparentemente acostumada
com a reação do amigo.
- Yellow é
ótimo em futebol, sim. Ele sempre acabava com todos os garotos da sala na
escola antiga dela. – Misty comentou, sorrindo para sua prima.
- Não
exagera... – Yellow ficou vermelha, olhando para baixo.
Que estranho. Red piscou, confuso. Por um momento, eu podia jurar que ele
parecia uma garota. - Ele olhou por um momento para o garoto loiro, que
levava um empurrão carinhoso de May enquanto as garotas riam.
- Resolveu
jogar para o outro time agora? – Green quase o assustou de seu lado, resolvendo
parar de ficar quieto no seu canto.
- N-não! –
Red ficou vermelho, virando a cabeça em um segundo. – É que por um momento,
Yellow parecia uma garota rindo.
Green ficou
calado, com uma sobrancelha arqueada. Depois, revirou os olhos. – Quando é que
vai descobrir, hein?
- Descobrir
o quê?
- Nada. – O
garoto de olhos verdes tinha oficialmente desistido
de seu amigo.
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Yellow
estava em sua cama, deitada e pensando. Já arrumara o seu quarto, dera um jeito
na sala, fizera o jantar, e ainda estava nervosa. Amanhã seria o dia em que
tudo mudaria. Ela teria que fazer aquela maldita aula, e-
Espera aí. – Ela levantou num pulo,
ficando sentada em sua cama. É isso!
- Sou aluna
nova, então nem tenho uniforme. Sendo assim... – Ela pegou algumas coisas do
armário, e colocou-as em sua cama. – Como não pensei nisso antes?
Ela deu um
pulo vitorioso, cerrando as duas mãos. Não teria que revelar seu segredo ainda.
Poderia esperar mais, e aproveitar para contar a ele.
Desse jeito, Red não vai se magoar comigo
quando descobrir. – Ela sorriu, suspirando. Não sei o que ele vai pensar de mim quando me vir como garota, mas...
Tenho que acabar logo com essa aposta.
O dia
parecia estar ótimo, e ela ainda tinha muito planejamento a fazer. Só não sabia
ela que nem sempre a sorte está do nosso lado.
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x -----------------------------------------------------
Heeeeey~
Capítulo curto, desculpa pessoal. >.< É que a original sempre era bem
curta , então não dá pra transferir muito. x.x Well, próximo capítulo é o
famoso cap 7 que muda todo o rumo da história. O que será que acontece? Bom,
descubram no próximo cap! Até mais, seus lindos ;D
Kissus~
;*****
The Bet
Chapter 7: Educação Física= Segredo revelado?
A manhã estava nublada, e uma brisa fria passava pelas ruas
quando Yellow saiu de casa. Ela sorriu, feliz que o tempo estivesse assim: iria
só facilitar o seu ‘plano’.
Espero que dê tudo
certo. – Ela pensou, enquanto andava pelas ruas em seu caminho para a
escola. Algumas pessoas paravam e
apontavam para ela, mas estava muito concentrada no que ia fazer para notá-las.
Quando entrou no colégio, ouviu algumas pessoas dizerem
“Aquele lá é o Yellow?”, Ou “O que houve com ele?”e até “Que estranho!”. Ela
ficou com uma gota, mas já era tarde demais para voltar atrás.
Ela foi até seu armário, conseguiu pegar seus livros sem
problema, mas quando já estava saindo para seu prédio...
- Yellow, é você? – Ela se virou, encontrando Red com uma
gota na cabeça. – Por que está usando tudo isso?
- Ah, isso? – Ela perguntou, olhando para sua roupa completa
de frio. – É resfriado.
- Você não precisa de um cachecol no rosto por causa de um
resfriado... – Ele disse, abaixando um pouco o cachecol e descobrindo o rosto
da jovem, que corou um pouco.
- Preciso sim! – Ela fingiu uma voz congestionada, se
afastando dele. – É que esse é bem contagioso, haha...
-Entendi. – Ele pareceu desconfiado, mas resolveu deixar
para lá. – Mas então, pronto para a aula de EF hoje?
- Então. – Ela começou, tossindo. – Eu estou mal hoje, não
sei se vai dar...
- Ah... – Ele suspirou, triste. – Tem certeza que não pode
ir?
- Uh... – Aqueles olhos eram tão bonitos assim antes? Do que
ela estava falando mesmo? Esportes? Ela amava esportes! – Claro, posso tentar!
!
...Ela devia parar de se deixar levar por garotos populares.
E principalmente por seus olhos lindos.
- Que ótimo! Te vejo lá
então! – O garoto de olhos vermelhos se despediu, tomando seu caminho até sua
sala.
- Até mais... Red. – Ela murmurou, acenando. Não sabia como
conseguiria fazer aula com toda aquela roupa, mas... Por ele, ela estava
disposta a tentar.
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- Então, essa foi
a solução para resolver seu problema? – Misty perguntou, se segurando para não
rir de sua prima. O pessoal da sala estava curioso, alguns cochichando e outros
rindo baixo.
- Parece mais que você vai escalar o Monte Everest, Yellow.
–Hikari disse, nem se importando de segurar o riso.
- Para com isso, gente! Eu não estou tão mal assim... – Ela
murmurou, constrangida e se escondendo atrás de seu cachecol.
- Está só um pouquinho exagerada. – Crys comentou, tentando
fazer a loira se sentir melhor.
- May, você está calada até agora! O que houve? – Misty
perguntou, com uma sobrancelha erguida.
- Sabe aquele garoto estranho que ficava me imitando ano
passado? – Ela perguntou, com a cabeça encostada em sua carteira.
- Harley? – Hikari perguntou, com uma gota. – O que tem ele?
- Ele vem aqui me
visitar hoje. – Ela resmungou,
passando a mão no rosto. – Me mandou uma mensagem de manhã. Só queria saber onde ele arranjou meu número...
- Esse garoto é tão
mal assim? – Crystal perguntou, sorrindo sem graça.
- Combine a amiga chata da sua mãe que sempre pergunta do
seu namorado, a garota que só quer saber de rosa pink e um Drew-eca em
miniatura e voilà, você tem o Harley.
– A garota de cabelos castanhos disse de sua cadeira, fazendo o resto do grupo
rir.
- Ah, aí está o professor. – Yellow observou, vendo um homem
de meia idade entrar pela sala.
- Tudo bem pessoal, vamos começar a aula... – Ele começou,
até notar a figura encapuzada em uma carteira. – Garoto, tudo bem com você?
Já vi que meu dia vai
ser complicado...- Yellow pensou. Realmente, ela tinha um grande dia pela
frente...
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O resto do dia passou rápido demais para o gosto da loira do
grupo. Ficaram todo o recreio decidindo para que time iriam tentar nas aulas, e
parecia que estariam todas separadas em seus esportes de meio período.
Blue continuaria no time de vôlei, onde era sub-capitã. May
tentaria uma vaga para o time de tênis – meio sem vontade, já que Drew estava
na equipe masculina -, Misty continuaria em sua natação e os garotos no seu
time de futebol.
Hikari era a menos animada para os treinos, já que odiava
educação física. Sendo assim, nada de tentar ir para algum time. Agora entrar
no time das líderes de torcida, isso
sim ela queria. Crys, depois de ser pressionada por todos, decidiu passar para
futebol também
.
O tempo de aula chegou, e todos foram até o ginásio para
começar a aula. Yellow ficou esperando as garotas se trocarem no banheiro,
recusando ir com os garotos – estava com medo de contaminar alguém, ele disse –
e quando estavam todos prontos foram para a arquibancada.
- Err...professor? – A loira chegou perto de um homem com
uma jaqueta e um apito no canto ao lado das bolas dos jogos, enquanto o resto
se aquecia e corria pelo lugar. – É que eu estou doente, mas ainda sim gostaria
de fazer o teste para o time.
- Tem certeza? – O treinador olhou a garota de cima a baixo,
vendo sua roupa exagerada. – Parece que você está bem doente, novato.
- Não, estou bem. – Ela sorriu, com uma gota. – Estou um
pouco melhor, e é só uma partida.
- Na verdade... – Ele coçou a barba. – Estamos só com uma
vaga para o time, então estamos fazendo apenas três pênaltis para decidir um
jogador.
- Ah... Tudo bem, pode ser. – Yellow disse, afrouxando seu
cachecol. O professor arqueou uma sobrancelha, um pouco surpreso pelo garoto
querer tentar mesmo que não parecesse muito bem preparado.
Depois do fim dos aquecimentos, os testes começaram. May
teve suas quedas, mas conseguiu por pouco entrar no time de tênis. Crys também
foi bem em seu jogo, então era quase certo dela entrar para a equipe feminina
de futebol. Depois de mais alguns testes, chegou a hora de Yellow.
- Vai lá, Yellow! – Blue e as garotas gritaram de seus
lugares, fazendo alguns garotos olharem estranho para ela.
- Bom, serão três chances, Yellow. – O treinador falou, com
o apito na mão. – Está pronto?
- Sim, professor! – Ela sorriu, indo para frente do gol. O
goleiro era um garoto de cabelos pretos e olhos num tom dourado. Gold estava
com um sorriso confiante no rosto, provavelmente já acostumado com isso.
- Vou pegar leve com você, novato. Me agradeça depois! – O
garoto disse, piscando de sua posição no gol. Yellow ficou com uma gota, mas se
concentrou. Tirou seu cachecol, segurando-o com uma de suas mãos.
- Ok... Lá vai! – Ela correu. Tocou na bola, e em um segundo
ela estava no canto de cima do gol. Todos olharam por um momento, ainda não
entendendo direito o que acontecera.
-... Huh? – Gold murmurou, olhando para a bola e para
Yellow. Então ele sentou no chão, atônito. – Não acredito...
- É isso aí! – As garotas gritaram ao mesmo tempo,
levantando e batendo palmas. Já estavam acostumadas com a habilidade de sua
amiga. Crys ficou sentada, porém, com uma gota ao ver a reação das outras.
- Garoto, você está dentro! – O treinador estava animado,
impressionado com o que a loira podia fazer.
- Mas não eram três pênaltis? – Ela perguntou.
- Acho que depois desse chute, não precisa fazer mais nada.
– Red chegou ao seu lado, estendendo sua mão. – Bem vindo ao time, Yellow.
- Obrigada. – Ela sorriu. Perguntou-se se devia mesmo entrar
para o time, com o seu segredo e tudo... Mas o sorriso do capitão do time a
deixou sem vontade de recusar, principalmente depois de já ter feito o teste.
- Ei, Yellow. – Ela olhou para o outro lado, para Green que
sorria para ela. – Primeira tarefa como membro do time: Vai consolar o goleiro.
- Quem...? – Ela ficou com uma gota, virando-se para o jovem
de orbes âmbares. – Ah... Okay.
- Cuidado, ele fica traumatizado quando perde um gol. – Red
riu, empurrando levemente sua amiga em direção ao outro.
- Err, desculpa... –
Yellow murmurou para Gold, que ainda estava na mesma posição no chão. – Peguei
muito pesado com você?
Ele dirigiu o olhar para ela, e voltou a olhar para a bola
no canto do gol. Ela agachou ao lado do jovem, inclinando a cabeça para o lado.
- Ei, vamos! – Ela sorriu para o outro. – Se quiser, podemos
ter uma revanche um dia desses.
- Humph. – Ele cruzou os braços. – Pode até ser, mas tem que
prometer que não vai pegar leve comigo quando acontecer.
- Só se você não pegar leve comigo também. – Ele conseguiu
rir um pouco, e pareceu um pouco melhor. – Eu sou Yellow.
- Gold. Bem vindo ao time, Yellow. – O jovem estendeu sua
mão, e os dois se cumprimentaram. A primeira missão da garota no time estava
completa.
Depois da aula, ela e seus novos companheiros de time
começaram a conversar sobre coisas diversas, sobre turnos de treinos, coisas
assim. Ela estava feliz, perto de amigos, e seu segredo estava a salvo.
...Pelo menos até ela avistar um certo garoto de cabelos
longos e roxos pelo portão, acenando entusiasmado.
Ai não. – Yellow congelou, quase sendo atropelada por um dos
membros do time. O Harley não é de
guardar segredos. Ele é o contrário. E agora, o que eu vou fazer?!
- Yellow, aconteceu alguma coisa? – Red perguntou, encostando
uma mão em seu ombro. Ela balançou a cabeça em negativo, olhando para baixo.
- Yellow~chaaaaaan! – O garoto pelo portão correu até a
garota, para sua infelicidade. Estava usando uma roupa que parecia de cacto,
mas isso era a coisa menos importante no momento.
- Ah...Oi, Harley. – Ela saiu de perto dos garotos, tentando
arrastá-lo para fora de vista. Mas ele era persistente, e segurou-a pelo braço.
Ah, vamos! Não seja tímida, sua fofa! – Ele disse, não se
importando nem um pouco de falar alto. O time se entreolhou, confuso. – Onde está
a May, queridinha?
- E-está quase saindo, você devia ir atrás dela. – Ela respondeu,
bem baixo. De fato, a garota de cabelos castanhos no momento acabara de sair do
ginásio, e estava com um rosto atônito para a cena que viu.
- Droga, droga, o Harley vai estragar tudo! – A garota
disse, chamando a atenção das outras. – Temos que fazer alguma coisa, vamos!
- Obrigada, Yellow~chaaan! – Harley piscou para ela, indo
até as outras. Ela respirou em fundo, um pouco aliviada.
- Quem era aquela? – Gold perguntou, com uma gota.
- Aquele. – Yellow o corrigiu, o que custou vários olhares
estranhos entre os jovens. – É o Harley, ele estudava aqui ano passado.
- Que medo. – Red falou, com uma gota. – Ele trata todo
mundo do mesmo jeito?
- Que jeito? – A loira perguntou.
- Sabe, como uma garota de quarta série? – Gold disse, um
pouco alto demais. Resultado? O garoto de cacto ficou com raiva.
- Ah, Yellowzinha linda, já ia esquecendo de perguntar uma
coisa! – Ele voltou com passos fortes até ela, com um sorriso falso.
- Harley, você não
ousaria... – Misty começou, levantando a maleta de sua posição perto dos
outros.
Ele a ignorou, aumentando seu sorriso e resolvendo continuar
com a pergunta. – Por que você, que tem um cabelo tão lindo, ficaria o escondendo nesse boné feio e fora de moda?
Ela tentou impedi-lo. Pôde ouvir suas amigas partindo para
cima dele e May xingando-o de coisas que ela nem conhecia. Mas não foi à tempo
suficiente para impedi-lo.
Yellow sentiu a brisa que passava pelas suas mechas longas,
antes presas pelo chapéu. No canto da quadra, tinha certeza que pessoas da sua
sala estavam vendo aquilo e apontavam para ela nesse momento.
Mas o que ela prestou atenção foi apenas naqueles olhos.
Naqueles olhos tão lindos, mas que no momento pareciam assustados, sem reação.
A garota sabia que havia estragado tudo. Ele estava
começando a se tornar amigo dela, tinha que saber de uma coisa dessas. A Crys
soube no primeiro dia, então por que ele não podia saber? Foi medo. Medo da
exata reação que ele estava tendo agora.
Então ela correu. Não sabia o que faria agora, não sabia
para onde iria. Suas pernas apenas começaram a se mover instantaneamente, e
mesmo com os gritos das suas amigas por ela, Yellow desapareceu pelas ruas da
vizinhança.
- Eu fiz algo de errado? – O garoto cacto perguntou,
sorrindo para as outras. Misty, que já estava sem paciência, contou até cinco
calmamente e se virou para o mesmo.
- Harley, se você preza a sua vida pelo menos um pouco ou
não quer ter que enfaixar a cara... – Ela sorriu, com a maleta na mão. – Eu sugiro
você correr agora.
- Huh... – Ele começou a ficar com medo. – Mayzinha...?
- Só não pulo no seu pescoço porque já estou cheia de
advertências, garoto. Agora cai fora, e nunca
mais tente se aproximar de mim ou das minhas amigas. – May disse, com uma
aura maligna que podia ser detectada até na sala do diretor.
Sem outra escolha, Harley saiu correndo pelo lado contrário
que Yellow tinha saído, deixando um grupo de pessoas paralisado sem saber o que
exatamente tinha acontecido.
- Então ele...é uma garota? – Gold murmurou de seu canto,
atônito.
- Cala a boca, Gold. – Crystal falou, sem se mover.
- Sim, senho- Quer dizer, Crys. – Ele respondeu, quase que
imediatamente.
Eu sou o único que tinha percebido isso antes? – Green pensou para si mesmo, mantendo a postura.
Eu sou o único que tinha percebido isso antes? – Green pensou para si mesmo, mantendo a postura.
Blue começou a andar em direção à porta. Misty perguntou
para onde ela estava indo, o que ela só virou e respondeu:
- Vou atrás da minha amiga, oras. – Ela sorriu. – Deve ter
ficado arrasada por ter sido desmascarada quando ia contar a verdade para
todos.
- Blue... – Hikari murmurou, aflita.
- Não se preocupe, eu conheço a Yellow. Vou dar um jeito
nisso. – A mais velha sorriu, piscando.
- Mas e a gente? – Misty perguntou, um pouco nervosa por não
poder nem bater no idiota que causara tudo aquilo nem ir atrás da prima.
–Vocês podem explicar
o que aconteceu de verdade ao pessoal. – Ela disse, passando para uma voz mais
baixa. - ...Omite as partes que não forem importantes.
- ...Tudo bem, acho que posso fazer isso. – A ruiva
respondeu. Sabia que sua amiga se sairia melhor em consolar Yellow, já que ela
não era muito boa com sentimentos.
- Bom, até mais! – Ela acenou, parando antes para dar um
olhar ao seu amigo de olhos vermelhos antes de partir atrás de Yellow.
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Oooooh shit! E agora? x.x Com o segredo revelado, a história
de repente fica complicada...Como Yellow explicará tudo? Qual a reação de
todos? Quais são os fatos...não importantes? Descubra mais tarde~ ;D
Kissus! ;*****
The Bet
Chapter 8: Um novo começo.
Pelas ruas
da vizinhança da escola, um rastro loiro corria por entre os milhares de
pessoas que voltavam de suas escolas e se dirigiam a seus empregos. Yellow
tinha lágrimas nos olhos: Por causa de um garoto, tudo que ela tinha construído
em duas semanas fora por água a baixo.
Eles nem devem querer olhar na minha direção
amanhã... Ela soluçou, tirando algumas lágrimas dos olhos e continuando seu
percurso. Eu quero ir para casa...agora!
Desatenta e
concentrada em seus próprios pensamentos, ela nem percebeu uma irregularidade
no chão. Tropeçou, e caiu na calçada ainda chorando. Algumas pessoas pararam
por um momento, outras não pareceram ligar.
- Ei, você
está bem? – Yellow ouviu uma voz, e levantou seus olhos para uma jovem que a
olhava preocupada. Tinha cabelos castanhos escuros presos em um rabo de cavalo,
e seus olhos azulados lembraram-na dos orbes de sua amiga Blue.
Ela deve estar preocupada, assim como as
outras... – A loira notou, nem percebendo que tinha sido levantada pela
garota mais velha. Ao olhá-la outra vez, viu que usava o uniforme de sua antiga
escola, Virídian.
- Se
machucou? – Yellow negou com a cabeça. – Ah, que bom. Aconteceu alguma coisa com você?
- Bom... –
Ela ficou um pouco assustada da pergunta íntima daquela estranha, mas os olhos
dela pareciam genuinamente preocupados, então ela resolveu responder. – Eu acabei...
Mentindo para alguns amigos, e eles descobriram...
- Olha. – A
garota mais velha agora sorria. – Se quiser, não pode contar. O importante
agora é ir até seus amigos e explicar o que houve.
- Mas eles-
- Vão
entender, se são mesmo seus amigos. – A jovem a cortou, piscando. – Vamos lá,
não é tão difícil. Eles devem ser importantes para você, não é? Lute por eles!
-... Obrigada.
– Yellow estava um pouco confusa, mas a desconhecida tinha razão. Não iria
resolver nada só fugir. Ela tinha que fazer alguma coisa, qualquer coisa, para
esclarecer tudo para o pessoal.
- De nada. –
A mais velha sorriu, e tirou um lenço branco do bolso. – Aqui, enxugue suas
lágrimas com isso. E se esforce, tudo bem?
- ...Tudo
bem. – A loira sorriu. Podia ser pior que isso. E se ela podia fazer algo para
melhorar, ela faria. – Obrigada.
- Como eu já
disse, de nada. – A desconhecida respondeu, e acenou com a mão. – Agora vá e
resolva tudo logo. Boa sorte.
Ouvindo o
conselho, a garota de olhos verdes recomeçou sua corrida após se despedir da
estranha. Não iria voltar para escola, por que todos ainda deviam estar um
pouco abalados e ela não queria ver os olhos incrédulos de seus amigos de novo.
Assim,
depois de uns cinco minutos de caminhada, ela estava em casa. O pai dela
parecia ainda estar no trabalho, então ela não precisou se importar com o boné
que tinha esquecido na escola.
Viu um
pacote em frente à porta, e reconheceu-o como sendo seu uniforme. Yellow
sorriu, elogiando o destino pela hora em que este chegou. Foi com ele até o
quarto, e estendeu suas roupas novas em cima de sua cama.
Uma blusa de
marinheiro branca e amarela, e uma saia também amarela que provavelmente ia até
metade da coxa. Ok, ela podia viver com isso.
Yellow abriu
o armário, e pegou uma fita vermelha de um uniforme verde que tinha lá dentro.
Colocou no uniforme e, pronto, o estilo estava bom. Agora o problema seria
acordar mais cedo que o normal...
Não é como se eu não fizesse isso antes,
certo. – Ela comentou para si mesma, dobrando o uniforme. Foi aí que ela
ouviu a campainha, lá em baixo.
A loira não
precisava nem abrir a porta para adivinhar quem poderia ser. Blue estava com a
cara grudada numa das janelas, e tentou sorrir com o pouco espaço que tinha
quando viu sua amiga descer da escada.
- Yellow! –
A mais velha praticamente pulou em cima da outra quando esta abriu a porta. –
Eu tava tão preocupada! Você tá bem? Quer que eu bata no Harley para você? Não
devia ter sugerido aquele desafio-
- Blue. – A
morena percebe que estava se perdendo da conversa, e se cala. – Tá tudo bem, eu
estou melhor agora.
-... Tem
certeza, Yellow? – A jovem assume um rosto preocupado, passando uma das mãos
pelo cabelo da menor. – Você não parecia bem quando saiu correndo daquele
jeito...
- Bom, eu
não estou bem ainda. – A loira se lembrou do sorriso doce da estranha e suas
palavras reconfortantes. – Mas se eu ficar magoada por algo assim por muito
tempo, não vou resolver nada.
- Eu vinha aqui
para te consolar, mas pelo visto nem preciso. – Blue sorriu, notando o lenço
branco na mesa de canto ao lado de uma mochila. Só então ela estendeu sua
própria mão. – Aqui, você deixou lá na escola quando saiu correndo.
Era seu boné
surrado, o mesmo que já usava há algum tempo. Yellow aceitou o presente, e deu
um sorriso.
- Esse não
vai ser o fim da minha amizade com Red e os outros. Não vai mesmo. – A garota
de olhos verdes comentou, segurando o boné. – Vai ser só o começo.
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O sol nem
tinha nascido ainda quando Yellow se levantou, na manhã seguinte. Ontem ela
tinha tratado de ligar para todas as amigas - menos Crys, por ainda não saber
seu número – para avisar que estava tudo bem, por sugestão de Blue.
A loira se
arrumou, desceu das escadas e torrou umas fatias de pão de forma para fazer
torradas. Pegou um pouco de geleia de amora da geladeira e colocou nelas,
comendo duas antes de sair de casa.
Como estava
bem cedo e o caminho era longo, ela aproveitou para ir devagar e ver as folhas
verdes caindo com a brisa e o sol nascendo ao horizonte.
Por sorte,
não encontrou ninguém conhecido até chegar ao portão da escola. Respira fundo,
dá um passo, e entra. Lembrou-se de tirar o boné que estava usando e colocá-lo
na bolsa, para que não a achassem mais estranha do que antes.
Os
corredores estavam quase vazios, mas ela não deixou de perceber pessoas a
olhando e apontando para ela. A confusão do dia anterior deveria ter causado
uma repercussão na escola.
Ela pegou seu
material no prédio do ensino médio e volta, sem rastro algum de olhos
vermelhos. A loira decidiu queseria melhor procurá-lo depois, na saída da
escola, para evitar suas fãs malucas.
Falando em
fãs, elas deviam estar doidas. O mais novo amigo de Red, com quem ele andava e
conversava quase todos os dias, uma garota? A loira estava com medo de
encontrar seus cadernos na lixeira ou em cima de uma árvore quando voltasse do
recreio.
Como aquela
data era o início de outras matérias opcionais, como música e artes, ela se
dirigiu a uma sala separada até achá-la, no canto do corredor. Crystal estava
lá dentro, algumas garotas que a encararam com desprezo e Silver parecia não
ligar para ninguém num dos cantos.
- Bom dia,
Crys. – Yellow sorriu, pegando o lugar ao lado da amiga. Esta retribuiu o bom
dia, mas possui um olhar preocupado. A isso, a loira apenas aumentou seu
sorriso, como se fosse um sinal de que “está tudo bem”.
- Você
decidiu entrar para pintura então, né? – A garota de cabelos azuis puxou
conversa, enquanto elas esperavam o resto dos alunos chegarem.
- É.
Aprendia piano com minha mãe, mas depois eu parei. – Yellow respondeu, dando de
ombros. – E eu gosto mais de pintar, sempre foi meu passatempo favorito.
Uma garota
da esquerda da sala a imita ironicamente, mas Yellow apenas continuou o assunto
como se nada tivesse acontecido. Ela não deixaria isso a abalar, não naquele
dia.
Blue entrou
pela sala quando faltavam cinco minutos para o início da aula, sorrindo sem
graça e indo para o lado de Silver. Ela trocou um olhar com a loira, e é o
máximo que consegue fazer antes da professora iniciar a aula.
- Muito bem
alunos, como hoje é a primeira aula, quero que pintem o que vier à sua mente. –
A professora, de uns vinte e cinco anos e olhos cheios de vida, falou ao lado
do quadro negro. – Não importa o que seja, pintem o que estão vendo, o que
estão sentindo.
Uma mão se
levantou dentre os alunos, Yellow reconhece a voz de Gold perguntando se podem
desenhar indecências. A professora riu do comentário dele, mas negou seu pedido
e apressou os alunos para começarem.
Crystal começou
a rabiscar um edifício, de aparência antiga, e Yellow se concentrou no que ela
fará. Lentamente, suas mãos começam a trabalhar, e o que antes era uma tela
branca agora está colorida e cheia de vida.
A professora
passou por trás dela, e elogia suas habilidades. É uma das coisas que aprendeu
com seu pai, além de pescar – com a ajuda de seu tio, também -. A loira
continuou com a pintura, até que não resta nada mais a ser pincelado e ela
admirou sua obra.
É um
girassol, grande e bonito, brilhando em direção ao sol. Sempre fora sua flor
favorita, tanto pela cor quanto pela aparência e traços únicos que tinha. É a
flor que a fazia lembrar sua mãe, de seus fios longos amarelos e olhos cor de
chocolate.
- Wow, você
é ótima... – Crystal comentou a seu lado, quando dá uma pausa em sua própria
pintura. A casa agora está colorida: cheia de pinturas diferentes, infantis, e
crianças de no máximo dez anos estão brincando em sua frente.
- Você também.
– A loira sorriu de volta, ela mesma apreciando as crianças e as pinturas na
tela ao seu lado.
- Acho que
vocês duas merecem o prêmio de artista do ano! – A professora as assusta por
trás, quando se aproxima para examinar os dois desenhos. Gold também sai de sua
cadeira para olhar, mas Crys faz o favor de expulsá-lo de volta para seu lugar.
- Eu não
disse, professora? – As garotas reconhecem a voz de Blue, chegando por um dos
lados. – Ela é a melhor desenhista que eu conheço.
- Está
certa, Blue. – A mulher sorriu para sua aluna, e Yellow se lembra de que sua
amiga do ensino médio já é antiga e, portanto, conhece quase todos os
professores do lugar.
- Não
precisa exagerar... – A jovem de olhos verdes murmurou, constrangida, dirigindo
seu olhar para o lado.
- Que nada
Yellow, eu tenho razão sim. – Blue respondeu, dando a língua. – E Crys, adorei
a sua. É um lugar que você conhece?
Crystal
corou imediatamente, e negou com a cabeça. – N-não! Só é algo que veio na minha
cabeça de repente, hehe...
- Hmmm. – A
professora ficou só observando, com um brilho estranho nos olhos. – Pois bem,
acho que por hoje é só. – Ela se virou para o resto dos alunos. – Deixem suas
pinturas aqui, continuamos na próxima aula.
Em um
segundo, a metade dos alunos já estava do lado de fora da sala, se apressando
até suas próximas aulas. Blue deu uma última despedida para as garotas, e
avisando-as que tentaria arrastar os garotos para a árvore no recreio.
Crystal foi
puxando Yellow para a próxima aula, matemática, para evitar os diversos olhares
vindos de pessoas no corredor. Elas conversavam sobre arte e pinturas quando
entraram, nem percebendo a porta fechando assim que elas passaram.
- E então...
– A loira foi interrompida, quando, de repente, foi puxada para o lado. – Huh?
Ei, para-
- Não se
aproxime dela, cabelo verde. – May estava com a mão no braço da amiga,
encarando seu rival sentado na mesa do professor – e, como de costume, envolto
por garotas.
- O que está
havendo...? - Crys perguntou para Misty, que estava um pouco atrás com Hikari
em umas carteiras.
- O
professor faltou, então temos um tempo livre de “estudo”. – A ruiva explicou,
parecendo estar um pouco nervosa. – Droga, eu não queria que isso chegasse tão
cedo...
- May, dessa
vez o assunto não é com você. – Drew direcionou um olhar a ela, se voltando para
Yellow. – Agora explica garota, por que mesmo você estava se disfarçando?
Droga. O que
ela faria para sair dessa?
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Dudurududududurudu~ Olá pessoas, que
demora looooonga, né? Pois bem, aqui
está o cap novo. :3 Para o pessoal antigo que sentiu falta de umas coisas nesse
cap, resolvi juntar o final desse com o outro e formar um bolinho só. Ou seja:
O próximo estará grande. Sem exagero.
Alguém
percebeu quem eu inseri nesse cap? Não? Ok.
Espero que pelo menos desconfiem, pois isso vai ser um pouquinho importante no
futuro.... Hoho.
Kissus!;****
The Bet
Chapter 9: Por trás de um sorriso
Red não
conseguia prestar atenção na aula. De cinco em cinco minutos, a imagem de
Yellow com o cabelo longo esvoaçando ao vento aparecia em sua cabeça, e ele não
conseguia acreditar que ela não tinha contado.
Era para
eles serem amigos, certo? E amigos contam coisas. Ele estava até sentindo que
ele e ‘o loiro’ podiam se tornar grandes amigos...
É, de
repente todos aqueles momentos em que Yellow corava com a proximidade ou com
algum comentário dele faziam sentido. O garoto sentiu seu rosto queimar, e
afundou a cabeça nos braços.
- Ei,
dorminhoco! – A voz familiar o fez levantar a cabeça. Era Blue, que tinha
acabado de chegar e sentava-se ao seu lado – Green ou ele sempre guardavam
lugar para ela, eles sabiam que era ruim ficar próximo de fãs doidos na sala.
- Que foi,
Blue? – A garota sorriu, percebendo que ele estava de mal humor.
- Acordou
com o pé esquerdo, Red? – Ela perguntou, e ele nem precisou responder para ela
continuar sua conversa. – Ok, eu não queria falar sobre isso com você.
- Sobre o
quê quer falar, então?
- O quê
mais? – Blue o encarou, bufando. – Yellow.
- Não quero
falar sobre ele. Quer dizer, ela. –
Ele virou seus orbes vermelhos para a janela, mas ao encontrar garotas
suspirando a0 vê-lo, resolveu voltá-los à posição original.
- Não
precisa falar, só quero que ouça. – A jovem explicou, colocando a mochila na
mesa. – Tenho que ser rápida, então vamos acabar logo com isso. A Yellow fingiu
ser garoto por uma aposta sim. Mas esse não é o único motivo.
- O que quer
dizer com isso? – Red arqueou uma sobrancelha. Viu sua amiga dar um sorriso
triste em seguida.
- Nunca
percebeu o quão surrado aquele boné que ela usava é? – Blue suspirou, e
continuou a falar. – Não quero que conte isso para ninguém, ouviu. Você também,
Green.
- Fala logo,
garota. – Green comentou do lado oposto à jovem, entediado. Ela sorriu.
- Pois bem.
Isso aconteceu há uns dois anos atrás...
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Yellow
engoliu em seco, sentindo todos os olhares da sala em si. Ela abriu a boca para
falar, mas foi empurrada para trás por May outra vez.
- Tem a ver
comigo sim, Drew. – A morena rebateu,
o encarando. – Foi uma aposta, eu a desafiei e ela aceitou. Fim de papo.
- Que aposta
ridícula a sua. – O garoto de cabelo verde comentou, com uma gota. – É sério
que foi por causa disso?
- Foi sim,
eu também estava lá. – Todos se viraram, e encontraram Silver no canto da sala,
sentado. Como ele quase não falava nada, aquilo era uma surpresa. – Blue pode
confirmar para vocês.
- É verdade.
– Misty se aproximou das amigas, cruzando os braços. – Eu também estava, e a
Hikari. Foi uma aposta, e pelo que eu vi, Yellow perdeu.
- Você vai
ter que cumprir alguma coisa já que perdeu? – Ash perguntou , de uma carteira
lá para o meio.
- Não acho
que ela mereça algo a mais como
punição, Ash... – Hikari disse, com uma gota.
- Tá, que
seja. – Uma das garotas ao lado de Drew, uma de cabelos bem claros e olhos
azuis que parecia um anjo, falou. – Vamos parar logo com esse assunto, estamos
perdendo tempo falando com essas aí.
- Olha só
sua- May começou, mas Yellow puxou seu braço.
- Não faz
isso, o assunto tá encerrado. – A loira deu um sorriso fraco, e conseguiu convencer
a teimosa da turma. Quando tudo parecia ter acabado e o grupo voltado para suas
conversas particulares, Yellow colocou sua mochila na mesa da cadeira, mas o
peso dela derrubou-a.
E, com a
mochila aberta, as coisas caíram no chão. Inclusive
um certo boné laranja.
- Ei... –
Drew arqueou uma sobrancelha, apontando para o boné. – Por que você ainda traz
isso para a escola?
- Uh... –
Opa. Como explicar...
- Não vai me
dizer que você curte crosdressing? –
Ele riu, e mais algumas pessoas da sala também.
Yellow negaria essa frase com uma gota se ele não continuasse: - Seus
pais não têm vergonha de você não?
- Huh, Drew,
esse não é um bom assunto para- Misty
tentou intervir, mas o riso das garotas ao lado dele o fez ignorá-la.
- Cara, se
eu fosse a mãe dela, morreria de vergonha. – Uma garota, dessa vez ruiva com
cílios exagerados, comentou enquanto tentava se agarrar num dos braços do
cabelo verde.
- O pai não
deve conseguir nem andar com ela na rua. – A cara de anjo riu, e Yellow sentiu
seus olhos lacrimejarem.
- É sério,
esse assunto não é... – Hikari estendeu uma mão, mas foi bloqueada por alguns
garotos que queriam ver a discussão. A loira motivo das piadas olhava para o
chão, sem movimento.
- Então,
Yellow, o que é? – Drew cruzou os braços, de sua posição em cima da mesa. – Sua
família te odeia ou o quê?
- E-ele
não... - A loira começou, cerrando os punhos.
- Ele? E a
sua mãe? – O garoto ainda não notara que entrara num assunto ruim, e continuou
com o apoio das pessoas em volta. – Ah, já sei. Ela deve ter morrido de
desgosto, não é?
- E-eu vou
me retirar... – Não aguentando mais, Yellow saiu correndo da sala, mal
conseguindo conter o choro.
- Acho que
eu acertei, hein. – Drew deu um sorriso de lado, não percebendo a mão prestes a
colidir ao seu rosto até que o som de um tapa percorreu a sala inteira.
Todos os
olhos se voltaram para May, que residia com uma mão para cima a alguns passos
do garoto. Algumas das meninas lá a xingaram, e Drew colocou a mão no rosto,
que ficara com uma marca vermelha.
- Isso doeu,
selvagem! Desde quando você bate tão forte-
- Cala a boca. – A fala dela foi baixa,
mas ele conseguiu ouvi-la com a proximidade. Ela estava com a franja cobrindo o
rosto, mas o garoto percebeu algumas lágrimas caindo de seus olhos.
- M-may? O
que... -
- CALA
A BOCA! – Ela gritou, erguendo seus olhos marejados. – Você não sabe o que aconteceu com a
Yellow, não ouse falar disso perto
dela!
- May, eu-
Ele tentou segurar o braço dela, mas ela o tirou do caminho antes disso.
- Não se atreva a tocar em mim. Eu... – A
garota deu um último olhar a ele. – EU TE ODEIO!
E, com isso,
ela também saiu correndo da sala. Hikari correu até a porta, parando um pouco
para falar com sua amiga.
- Misty, eu
vou atrás delas. – Ao olhar para todos da sala chocados e o cabelo verde ainda
em choque, ela continuou. – E...Explique direito essa história. Acho que agora
é melhor que eles saibam.
- Tudo bem.
– A ruiva respondeu, com o rosto triste. -... Cuide delas, ok?
- Sem
problemas. – Hikari falou sua frase tema, sorrindo, antes de sair correndo pela
porta.
Misty então
se virou para o pessoal, e suspirou. Ela tinha muita explicação para fazer.
------- x
-------
May estava
no banheiro feminino, jogando água no rosto sem parar para tentar parar o
choro. Mesmo assim, as lágrimas ainda desciam de seus olhos azuis, e sua cara
inchada e vermelha só a lembrou do que tinha acontecido antes.
Ela sentou
no chão, agarrada às pernas, e começou a chorar. Ela sabia que, se fosse
qualquer outra pessoa, ela teria não só dado um tapa como ido para a direção
com quem quer que fosse por agressão.
Mas não com
ele.
Você tá sempre brigando com ele, May. Que
diferença faz agora? – Ela tentou se lembrar, fungando o nariz. Ele sempre foi mesquinho e idiota, ele sempre
me irritou, e ainda assim, por que eu achei que ele era uma boa pessoa?
- Droga,
droga, droga! – Ela gritou, começando a soluçar outra vez. Para seu susto, a
porta foi aberta. Porém, ao ver que Hikari estava lá, a olhando com tristeza,
tudo o que ela fez foi levantar e se tacar em cima dela.
- Wah, May-
A de cabelos azul-marinho começou, tentando manter o equilíbrio. Quando
conseguiu, envolveu sua amiga com os braços. – Tudo bem May, acabou. Shh...
- Hikari...
Por que foi ele? Por que não podia ter sido uma daquelas... Daquelas fangirls
idiotas ou garotos estúpidos? – A garota de mechas castanhas murmurou, entre os
soluços. – Eu dei um tapa na cara dele, falei coisas horríveis...
- Ele
mereceu o tapa. – Hikari comentou, com um sorriso. – Mas não acho que o “eu te
odeio”. Ele não sabe nada sobre a Yellow, May. E as fãs dele estavam
incentivando.
- Eu odeio
ele. – May rebateu baixinho, já um pouco mais calma. A outra riu,
intensificando o abraço.
- Claro,
claro. E quem eu estou consolando agora por dar um tapa bem feito no idiota da
sala, mesmo? – Hikari sentiu um soco de leve num dos ombros, e riu mais.
- Vamos lá,
May. Ele vai te perdoar. – A morena ergueu seus olhos marejados, como se
perguntasse algo. – Sério, vai ficar tudo bem.
-... Tá. –
May fungou o nariz outra vez, limpando as lágrimas com a gola do casaco que
usava. – Mas se contar que eu estava chorando por causa disso, eu te mato.
- Acho que
nem preciso, a sala toda já viu... – Hikari comentou, com uma gota, e sorriu
outra vez quando sua amiga corou ao infinito e começou a arrancar os cabelos de
frustração.
E não é que
ela estava certa sobre o lance do “mais do que simples rivais”?
- Ei,
Hikari. – A garota em questão olhou para a outra de novo, curiosa. – Você...
Vai antes para a sala? Eu quero parecer mais normal quando voltar.
- Tudo
bem... – Hikari falou, com uma gota. – Estou indo então.
- Ah, espera
aí! – May lembrou, arregalando os olhos. – Mas e a Yellow?
- Não se
preocupa não. – A garota de olhos azuis escuros riu, lembrando-se de uma cena
que viu da janela do prédio do ensino fundamental um pouco mais cedo. – Ela
está em boas mãos.
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- E então,
isso aconteceu. – Misty estava com dificuldades de explicar o ocorrido, tendo
que parar de minuto em minuto e se perguntar por que mesmo estava falando
daquilo. Mas, ao olhar para Crys, e outras pessoas da sala, decidiu que era
preciso fazer isso.
- Espera aí,
então. – Um garoto disse de seu lugar, curioso. – Quer dizer que ela já usa
esse ‘disfarce’ há dois anos?
- É. – A
ruiva respondeu, suspirando. – Mas só em casa. Normalmente ela saía antes do
pai acordar para ir para a escola antiga, então o uniforme feminino servia.
Acho que ela fez o mesmo hoje.
- Mas, o
problema do pai dela... – Crystal falou, apreensiva. – Não tem mesmo como
melhorar?
- Ele vai
para a terapia, mas eles não conseguem fazer nada. Ele não colabora.
- A morte
dela deve ter sido um peso para ele... – Ash murmurou, olhando para baixo. Ele
sabia disso, também perdera seu pai quando era criança.
- Sim. –
Hikari comentou da porta, fazendo os rostos virarem para ela. – A mãe da Yellow
era importante para ele, mas era ainda mais para a própria Yellow. E vocês já
devem saber que ela se culpa disso.
- Hikari, e
aí? – Misty perguntou de seu lugar.
- A May tá
bem, deve estar chegando daqui à pouco. – Hikari respondeu, com um suspiro. Com
tanta gente saindo e gritando, não sabia como ninguém tinha ido checar a sala...
– A Yellow tá bem também.
- Tem
certeza?
- Ela tá com
ele. – Hikari deu uma piscadela. – Certeza absoluta de que ela tá bem.
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Red estava
carregando papéis para a secretaria do prédio, à pedido do professor de
geografia. Ele até gostaria de fazer isso, se não fosse pelo fato dele ainda
estar um pouco chocado com o que tinha descoberto antes.
Eu preciso falar com a Yellow no recreio.
– Ele pensou, terminando de descer os degraus até o primeiro andar. Tenho
que arranjar um jeito de fugir das garotas e conseguir chegar até ela...
Foi aí que
ele viu, pelo corredor próximo da porta do prédio, um borrão de amarelo
correndo para esquerda. A visão lembrou-o dos cabelos ao vento do dia anterior,
ele soube automaticamente quem era.
Sem outra
escolha, ele largou os papéis do lado de uma porta, e saiu correndo na direção
em que achara ter visto o borrão. O que quer que tivesse acontecido, para ela
correr até aqui...
Finalmente,
encontrou Yellow sentada e encostada numa parede, escondida, com a cabeça
encostada nos joelhos. Ele não sabia se a garota estava chorando, mas ela
tremia um pouco, o que tornava a suposição muito provável.
- Yellow? –
Em um segundo, a cabeça dela levantou. Quando a loira reconheceu exatamente
quem era, ela corou um pouco e tentou tirar as lágrimas dos olhos o mais rápido
possível.
- Ah, Red,
eu queria falar com você, mas... – Ela fungou o nariz, tentando deixar sua voz
normal. – E-eu não devia ter vindo aqui
agora, o que diabos eu estava pensando-
- Ei. – Ela parou
sua faladeira, e olhou para o jovem outra vez. – O que aconteceu?
- ...Bom....
– Ela olhou para baixo outra vez, esticando as pernas. – Eu acabei levando uma
coisa muito à sério na sala, e eu saí correndo sem pensar...Não é nada, não se
preocupa não.
- Já te
disseram que você mente muito mal? – Red perguntou, dando um sorriso. Yellow
bufou.
- Não
precisa se envolver com isso, eu devo estar atrapalhando sua aula. – Ela olhou
para os lados, percebendo onde estavam. – E se você não voltar, podem pegar a
gente no corredor e nos mandar para a diretoria.
- Hmmm, é
uma possibilidade. – O garoto de olhos vermelhos afirmou, ainda sorrindo. – Mas
então porque não vamos para algum lugar onde você possa me contar essa história
direito?
- Huh... –
Yellow sentiu a vontade de recusar, mas isso seria uma chance de fazer as pazes
com o garoto. Além do mais, ela queria desabafar com alguém. -... Pode ser.
- Então
vamos! – Ele estendeu sua mão, e levantou a garota do chão. Direcionou-a para
fora da porta do prédio, e os dois foram se estreitando até a parte de trás
dele. Tinham algumas árvores ali, mas a aparência era deserta.
- Ok, acho
que aqui está bom. – Red observou, virando para a mais nova. – E então, o que
aconteceu?
- É uma
coisa pessoal, então eu não sei se posso contar... – Ela explicou, olhando para
o chão.
- Não sou
amigo o suficiente seu para saber dos seus assuntos pessoais? – Ele perguntou,
fazendo Yellow corar.
Não! É
que... – Ela pausou, percebendo o que ele disse. – Espera, você não está com
raiva de ontem?
-Com raiva?
Não. – Ele admitiu, ficando com o rosto sério. – Triste é melhor. Eu...
Gostaria de ter descoberto por você, e não por um garoto vestido de cacto.
- Eu te
entendo. – Ela riu um pouco, ele também esboçou um sorriso. – Ia te contar mais
cedo ou mais tarde, só estava sem coragem...
- Você achou
que eu não poderia querer ser mais seu amigo? – Red perguntou, e a loira
assentiu. – Eu não sou tão mesquinho assim. Você é minha amiga pelo que você é
Yellow, e não por ser garoto ou garota.
Ela sentiu o
coração se comprimir com isso, mas deixou de lado. Ao contrário, sorriu para o
mais velho.
- Obrigada,
Red. – Ela hesitou um pouco, antes de acrescentar. – Acho que eu deveria contar
uma coisa para você, então.
- Antes
disso, quero te falar algo. – Ele a interrompeu, olhando para o lado. – A Blue...
Meio que já contou sobre dois anos atrás.
- Ela o quê?
– Yellow ficou com raiva, cerrando os pulsos. – Mas eu disse que era algo que eu queria contar, e não-
- Ok, ok,
Yellow, tudo bem. – Red balançou as mãos, com uma gota. – Ela disse que não
devia contar, mas achou que me faria entender o motivo daquilo tudo.
- Não teve
um motivo certo. – A loira comentou, ainda irritada. – É só uma aposta, e eu já
usava aquele boné todo o santo o dia em casa para não traumatizar o meu pai, só
isso.
- Eu só
queria fazer uma pergunta, Yellow. – Red falou, tossindo. – Sua mãe morreu num
acidente de carro. Por que você se culpa disso?
- Red, ela
me tacou para longe e foi atingida no meu lugar. – A loira respondeu, aflita. –
Como a culpa não poderia ser minha? Eu que atravessei sem ver direito, eu que
devia ter saído do caminho, eu que-
- Yellow! –
O garoto a interrompeu, em um tom mais alto. – O motorista estava bêbado, e o
sinal tinha acabado de fechar.
- Mas eu
devia ter visto! Eu... – A loira soluçou, cobrindo os olhos com as mãos. – Eu não
queria que ela se fosse. Eu não queria...
- Calma. –
Yellow sentiu ser abraçada, e retornou o gesto como se dependesse da sua vida. –
Não foi culpa sua. Foi do destino, era para acontecer.
- Se era
para acontecer, por que o destino foi tão cruel?
- Dizem que,
depois de você sofrer por uma dor imensa, é apenas uma preparação para uma
benção que virá logo depois. – Ele explicou, afagando o cabelo da jovem.
- Meu pai
não consegue nem olhar para mim sem aquele boné, ele acha que sou a minha mãe e
nem me reconhece mais. Onde está a benção nisso?
- Ela ainda
vai vir. – Ele levantou o rosto dela, e sorriu outra vez. – Confie em mim.
Por um
momento, Yellow teve o pensamento que a “benção” estava bem à sua frente, mas
não comentou.
-... Tudo
bem. – Ela se deu conta de que eles ainda se abraçavam, e se afastou. –
Obrigada por isso, Red.
- Não tem de
quê. – Ele sorriu. – Agora, não vai me contar sobre o que houve?
Ela riu um
pouco, mas aceitou o pedido e começou a contar. Eles conversaram sobre isso,
foram perdendo o rumo do assunto falando de outras coisas e acabaram por comentar
de coisas sem nexo e rir, como se o tempo fosse só deles.
- Mas, Red,
me responde uma coisa. – Yellow falou, tocando nas suas mechas loiras. – Você acha
que eu deveria cortar o cabelo...? Para não ter que esconder...
- Não. – Ele
respondeu, cruzando os braços. – Se você manteve até agora, então tem um motivo
por trás disso. Não é?
- Aham. –
Ela corou um pouco, olhando para baixo. – Mamãe sempre penteava meu cabelo e me
contava histórias antes de dormir. Eles eram iguais aos meus – longos e
dourados, - e os olhos dela eram mais escuros.
- Seus olhos
não são que nem os dela?
-Nope. –
Yellow sorriu. – São do meu pai. A família dele toda tem olhos claros,
inclusive o pai da Misty. É por isso que nossos olhos são parecidos.
- Ah. Você
quer mantê-lo para não esquecer?
- É. Ele é
um dos únicos traços da mamãe que eu quero manter em mim. – A loira enrolou uma
mecha, distante. – É uma parte dela que eu não quero me desfazer, nunca.
- Entendi. –
O garoto sorriu, e em seguida ouviu o barulho do sino. – Ai não, já é o
recreio?
- Parece que
eu perdi um tempo de aula... – Yellow comentou, com uma gota.
- E eu perdi
dois, nem voltei para a sala. – Red falou, com outra gota. – Eles devem me
matar se eu voltar lá agora.
- Que tal
continuar aqui e depois aparecer na sala? – A loira apontou, rindo. – Eu não
quero aparecer para o resto do pessoal, não ainda.
- Tudo bem. –
Red sorriu, piscando. – Hoje tem treino mais tarde, o que vai fazer?
- Será que
ele me dá uma vaga no time feminino? -
Ela perguntou baixinho, e eles riram outra vez.
- Da maneira
que você arrebentou com a cara do Gold naquele chute? Sem dúvida alguma.
Yellow estava
feliz. O motivo das lágrimas dela parecia longe e sem sentido, e ela queria
continuar lá para sempre. Mas, sem nenhum dos dois jovens perceberem, alguém os
observava.
Era uma
garota – de olhos claros como cristal, e cabelos loiros quase brancos – que parecia
um anjo. Ela os olhava por trás de uma das árvores, com raiva. Era a mesma de
antes, e aparentemente acabara de chegar.
- Aquela
maldita... – Ela rosnou. Por algum motivo, as coisas não pareciam tão boas assim
para Yellow...
------------------
x --------------------------
Perceberam
que eu juntei dois capítulos? É. O 10 vai ter mais conteúdo original, don’t worry, vou deixá-lo mais
grandinho. :3 Depois dele, como os antigos já sabem, vem o capítulo extra. Esse
vai ser interessante de escrever. Hoho.
Vocês sabem o passado da Yellow agora. Espero que tenha deixado tudo claro ao longo do capítulo D: Anyway, a parte sobre destino não teve influência nenhuma de Mawaru. Nenhuma. u.u Estou indo agora, seres -qq Até~
Kissus!
;*****
Era mais ou menos duas da manhã quando Dawn acordou aos gritos. Ofegante, se sentou na cama e secou algumas lágrimas que caíam do rosto.
The Bet
The Bet
Chapter 10: Amigos, rivais e um anjo.
A aula de
educação física estava sendo complicada para Yellow. Além de ter que explicar
tudo para seu professor, continuava recebendo olhares estranhos de outras
pessoas da escola. Mas não era culpa dela se a obrigaram a fazer a aposta!
Ou era?
Ugh, que confuso. – A loira pensou,
massageando a cabeça. De qualquer forma, por um milagre do destino ela
conseguira uma vaga no time feminino. Tinha levado uma bronca, mas... Bom, é a
vida.
No momento,
ela corria um pouco para exercitar antes dos jogos. Como estava com tédio e
avistou Crys um pouco à frente parecendo emburrada, foi investigar.
- Crystal? –
Yellow chamou sua atenção, quando a alcançou. Ela levou um susto, mas
reconheceu sua amiga.
- Ah, é
você, Yellow. – Crystal suspirou aliviada. – Se fosse o idiota do Gold outra
vez, não saberia o que fazer.
- Gold...? –
A loira lembrou-se do goleiro com quem prometera uma revanche. – O que ele fez?
- O de
sempre. – A outra bufou. – Dando em cima de mim, me enchendo a paciência, tudo menos me deixar em paz!
Yellow ficou
com uma gota. Crys estava brava, e a melhor resposta para uma situação dessas
é: corra.
- Tudo bem
turma, vamos começar!
...Ou não.
Ela teria que agradecer o treinador do time feminino por essa.
Há alguns
metros atrás, Red treinava alguns chutes pela segunda quadra de futebol do
colégio, mas estava tendo dificuldade para se concentrar. O nome dessa
dificuldade era Yellow.
Será que ela tá mesmo melhor? – Ele
dirigiu os olhos à garota em questão. Ela parecia bem, sim, mas da maneira com
que Blue falara dela mais cedo o deu a impressão da garota ser uma boa atriz.
O jeito
agora é falar com ela depois. – Red concluiu. Deu mais uma olhada para a jovem
ao longe, e concentrou-se de novo em seu treinamento. É, ela ficava mesmo bem
no uniforme feminino.
--- x ---
Dawn estava
entediada. Seu machucado no pé tinha a poupado de fazer alguma coisa na E.F,
mas ela odiava ficar parada sem fazer nada. Além disso, as líderes de torcida
estavam treinando, e ela era uma delas! Tinha que, pelo menos, fazer alguns
passos!
- Ugh! – Ela
falou alto, não se importando com os olhares que recebeu. Maldito machucado no pé. Maldita barata. Maldito Paul que até agora não
sai da minha cabeça.
- Dawn? –
Olhou para o lado, e reconheceu a garota. Era da sua sala, a que parecia um
anjo e andava perto de Drew.
- Uh... Oi.
– A jovem respondeu com um sorriso. O que ela queria? Não parecia ser nada
ruim...
- É que você
resmungou, achei que seu pé estava doendo. – A garota se explicou, sem graça. –
Sou Angelique. Acho que não me conhecia antes...?
- Não,
conheço sim! Você tá sempre andando com o cabeça de- Ela teve que parar para
respirar, não ia cometer suicídio falando mal do cabelo verde para uma de suas
fãs. –... O Drew, né?
- Sim! –
Angelique respondeu, dando um sorriso meigo. – Enfim, qualquer coisa me chame,
ok?
- Ok... – Estranho. Porque ela estava sendo tão
gentil?
- Ei, Angel!
– Outra garota se aproximou: essa tinha cabelos curtos e ruivos. – O que houve?
Por que tá falando com essa aí?
Dawn ia
falar umas poucas e boas pelo tom de voz que a garota usou, mas foi
interrompida.
- Para com
isso, Bri. – Ela bufou. – A Dawn é parte do time, vamos ter respeito com ela.
Aquela
garota era mesmo um anjo. Talvez tenha sido mandada para a terra como “fã não
surtada” ou algo assim.
‘Bri’, um
pouco ofendida, resolveu voltar para perto das outras torcedoras. Angel sorriu
outra vez para Dawn, e também se virou.
- Falarei
com a treinadora sobre uns novos passos que quero incluir na dança. – Ela comunicou
a todas. – Volto em breve!
A jovem com
aparência de anjo foi até uma mulher sentada no banco, e pediu-a para acompanhá-la.
O que era confuso, pois ali tinha espaço o suficiente para mostrar os novos
passos.
Bom, que seja. Deve ter ido fazer algo além
disso. – Dawn concluiu, virando seus olhos para a quadra.
Estava um pouco longe de seus amigos, visto
que as quadras de futebol eram um pouco à frente, as de tênis numa das laterais
do prédio do ensino fundamental e as de vôlei no ginásio coberto.
Distraindo-se
com o jogo dos garotos, a jovem não percebeu chegarem por suas costas até que
tocaram de leve em seu ombro esquerdo.
- Huh? –
Dawn se virou. Angel voltara em tão pouco tempo?
Errado. Eram
o resto das torcedoras, e elas não tinham uma cara boa.
- Olha aqui.
– Uma menina de mechas cor de avelã e olhos escuros começou, cruzando os
braços. – Não sei o motivo da Angel ter ido com sua cara, mas fique sabendo que
eu não vou.
- Eu fiz
alguma coisa para você?
- Não, mas a
sua amiguinha fez. – Uma outra, que
pelo visto não tinha comido nada ainda, continuou. – Ela fingiu se um garoto, e
sabemos que foi para se aproximar do Red. Ela não pode fazer isso.
- Oi? – Dawn
teria levantado para encarar a garota de frente, mas sua perna ainda machucada
a impediu. – A Yellow nunca fez isso para ficar do lado do Red. Ela nem sabia
quem era ele quando entrou aqui, muito menos que ia encontrá-lo.
- E o
armário, hein? – A primeira rebateu. – Vai me dizer que foi coincidência?!
- Uh, sim? –
Aquelas garotas eram irritantes. – E ela
teria trocado com alguma de vocês se não tivessem pulado para cima dela como se
ela tivesse dando dinheiro de graça!
- Não mente,
garota! Além disso, aquela sua outra amiga bateu no Drew! – Bri tinha voltado
para perto, e estava vermelha de raiva.
- Ele
mereceu, droga! Quer saber? Não vou ficar dando satisfação para vocês, me
deixem em paz!
- Desculpa,
mas não. – Dawn só percebeu o que estava acontecendo quando cercaram o banco em
que sentava. Opa, isso não cheirava bem. A professora está fora, o resto das
turmas está a alguns metros à frente, e não tem nada que as impeça de agir...
- Acho que
um aviso em você basta, por agora. – Uma das torcedoras comentou. É, por isso
que ela não queria entrar no grupo, ele atraía pessoas ruins. Angel, por que
você não volta?
- Espera-
- Tarde
demais. – Bri estava com a mão pronta, mandando-a em sua direção. Dawn fechou
os olhos, pedindo aos céus que eles mandassem outro anjo já que Angelique
estava ocupada no momento...
E,
surpreendentemente, a mão parou.
- Eh? –
Todas murmuraram. Por trás de Bri, segurando seu braço com força, estava um garoto
de mechas roxas.
- P-paul? – Dawn
ficou surpresa. Ele, por aqui? E ainda mais se envolvendo numa briga? Alguma
coisa estava errada.
- O que
estão fazendo? – O garoto a ignorou, se virando para as torcedoras. Elas
pareciam assustadas, e cochichavam entre si.
- Ah,
Paul... – Uma delas, a que não tinha tido lanche por alguns dias, parecia sem
graça. – As amigas delas têm feito coisas inaceitáveis aqui para o grupo. Não
tivemos escolha...
- Ela bateu
no Drew! – Bri disse, afastando seu braço. – Isso não se faz!
- Aquele
idiota mereceu o tapa, foi longe demais num assunto que não deveria nem ser
contado. – Paul comentou, frio.
- Você está
do lado delas?! – A de cabelos cor avelã rosnou. – Então é por isso que não
gosto de bad boys. Vamos, meninas!
- Patético.
O grupo se
desfez, sem antes de dar outra olhada para Dawn. Quando já estavam um pouco
longe , a jovem suspirou aliviada.
- Escapei
por pouco dessa. – Virou-se para Paul. – Obrigada. Eu... Não sei se conseguiria
sair sem algum machucado dessa vez.
- De nada,
cerejinha. – Ele respondeu. A jovem ficou vermelha outra vez.
- Já disse
para não me chamar assim! – Ela bufou, mudando de assunto. – Mas... Paul, por
que você está sempre me protegendo, hein? Eu não sou exatamente a pessoa mais
meiga com você.
Ele ficou em
silêncio. Deu um suspiro, e virou-se outra vez. – Você é problemática demais
para ficar por aí sozinha. Só isso.
- Eu não sou
um bebê! – Ele pôde ouvir, ao longe, a garota berrando isso e chamando a
atenção do pessoal do time de futebol. Paul deu um sorriso pequeno, achando
graça da cara vermelha dela de vergonha.
Não consegui contar. De novo. – Ele suspirou. Naquele ritmo, demoraria até arranjar
coragem. Não seria melhor apenas esquecer, deixar isso tudo de lado?
Lembrou-se
daquele dia outra vez, do rosto de Dawn quando viu seu príncipe ir embora para
não voltar.
Não, ela tinha que saber. Mesmo se o odiasse.
Mesmo se nunca mais olhasse para o rosto dele.
--- x ---
May tivera
um dia ocupado, pode se dizer.Ignorou Drew pelo resto do dia, assim como o resto da sala. Estava sem paciência para aquilo tudo. Ainda estava magoada com os acontecimentos do
dia, e o que mais queria fazer agora era deitar na sua cama e dormir, dormir
por uma semana no mínimo.
Mas, como não posso fazer isso... – Ela suspirou.
Queria desabafar mais com alguém. Ela sabia que o que sentia por Drew não era
só amizade depois disso, não tinha como a dor no seu peito ser tão forte por só
um rival.
Então, ela
decidiu ir para o único lugar que saberia que se sentiria segura e em casa.
Tocou a campainha
como de costume. Uma mulher de cabelo curto e liso atendeu, e sorriu ao vê-la.
- May! Tudo
bem com você? – A garota tentou dar um sorriso verdadeiro, mas falhou. A
mulher, percebendo isso, deu-a espaço para entrar. – O Brendan tá lá em cima.
Pode ir.
- Obrigada, Srta.
Norman. – Ela entrou, e subiu pelas escadas. Seus pés, já acostumados com o
lugar, se dirigiram para a primeira porta a direita. Ela entrou, sem ao menos
bater.
Encontrou
seu amigo com uma revista na mão, provavelmente de costura ou moda. É, um costume um
pouco incomum, mas ela não ligava mesmo.
- May? – Ele
levantou os olhos da revista. – Veio cedo hoje.
- É...
- Aconteceu
alguma coisa, não foi? – Ele perguntou, preocupando-se. Fechou a revista e se
ajeitou na cama, batendo de leve no espaço ao seu lado.
May foi até
ele, sentando no lugar indicado. Abraçou-o logo em seguida, nem se preocupando
em esconder as lágrimas que voltavam a rolar sobre seu rosto.
-Ei, o que
houve? – A jovem sentiu braços se esgueirarem por suas costas.
- Eu briguei
com ele.
- O cabeça
verde? – Brendan sempre tivera um ódio por Drew, por motivos que May ainda não
sabia. Ou preferia não saber. – O que ele fez dessa vez? Se tiver te machucado,
eu-
- Foi o
contrário. – Ela o interrompeu. – Eu dei um tapa nele.
- Por quê? –
Ele arqueou uma sobrancelha. – Você pode ser violenta, mas nunca bateu naquele
garoto.
- Cala a
boca, Bren. – Ela conseguiu sorrir um pouco, antes de voltar para o rosto
sério. – Ele falou mal da Yellow. Tocou num assunto que não devia ser
comentado. Eu...Agi por instinto.
- May... –
Brendan suspirou, a afastando. – Se foi esse o caso, então a culpa foi dele.
Não adianta ficar assim por isso.
- Eu sei,
não me arrependo de ter batido nele. – May bufou, o que fez seu amigo rir. –
Mas... Ele falou aquelas coisas. Ele machucou minha amiga. Drew pode ser um idiota, mas não sabia que também era
assim...
- Por mais
que eu não goste dele, aquele cabeça de gosma não parece ser do tipo para fazer
isso. – Brendan arqueou uma sobrancelha. – Tem certeza de que foi só isso?
- Não sei,
mas... – May deu um sorriso, enxugando as lágrimas. – Eu devia parar de pensar
nisso. Vim aqui para passar a tarde com meu amigo de infância, e não conversar
sobre garotos idiotas.
- É assim
que se fala. – O garoto de olhos rubis deu um sorriso, arrumando os cabelos
da outra como de costume. – Eu tenho umas coisas para você. Achei uma blusa aqui que
você pode gostar.
- Outra? –
Ela piscou. – Mas você já está costurando aquele vestido de festa, lembra? Não
posso te sobrecarregar, Bren, não quero pifar meu melhor amigo!
Ele deu uma
risada. – Quê isso, May. Você merece. Agora vamos descer, que minha mãe deve
estar terminando o almoço.
- Ok! – A garota
deu um sorriso largo, levantando da cama sem antes de dar um beijo na bochecha
do amigo. – Estou te esperando lá em baixo!
Brendan a
observou sair, e, quando a porta bateu, tocou de leve a mão na bochecha que
ainda pinicava pelo toque dos lábios dela. Suspirou, se tacando em sua cama com
um plof.
- Amor não
correspondido é uma droga. – Ele murmurou para o vazio do quarto.
------------------------------------------------ End! -------------------------------------
Breeeeeendan,
SEU LINDO! x3 Sim, eu amo ele. Muito,
muito, muito, muito. E seu nome duplo na série também, mesmo que Brendan Ruby
soe estranho. o3o /dicadicadica
Enfim, apresentei-o agora para não
deixá-lo como personagem vazio na série. Ele é muito perfeito para aparecer só mais tarde. ;A;
Espero que
tenham gostado! Até o próximo, byee~
The Bet
Extra: O dia em que você me deixou.
Era mais ou menos duas da manhã quando Dawn acordou aos gritos. Ofegante, se sentou na cama e secou algumas lágrimas que caíam do rosto.
Droga, odiava quando tinha aquele sonho. Ele
sempre se repetia, e quando ela achava que finalmente estava livre voltava para
atormentá-la. Dawn, sabendo que demoraria até voltar a dormir, foi até sua
janela.
A lua estava
cheia, e as luzes da cidade impediam-na de ver as estrelas. Ela admirou o céu,
deixando suas memórias tomarem conta de seus pensamentos.
- O dia em
que você me deixou...
-- x –
Uma pequena
Dawn, de uns sete anos no máximo, acordou com os raios de sol entrando por sua
janela. Levantou, trocou de roupa e se apressou para o parque, onde encontraria
seu príncipe como de costume.
Ela andou de
mãos dadas com a mãe pelo trajeto inteiro, contando alegremente do que ela e
seu amigo brincariam no dia.
- Você não
sabe o nome dele ainda, princesa? – Sua mãe perguntou.
- Não. –
Dawn fez bico, olhando para baixo. – Mas eu sei que ele vai me contar. Um dia,
talvez até hoje!
- Talvez,
querida. – Johanna sorriu para a filha, quando chegaram ao portão. – Te busco
no horário de sempre?
- Aham!
- Diga olá
para a mãe do Kenny para mim, ok? – A mulher deu um beijo na testa de Dawn, se
despedindo. – Até mais, princesa!
- Até,
mamãe!
Depois de
observar a mãe ir embora, a garotinha começou a olhar para os lados, procurando
alguém em especial. Achou-o ao lado dos balanços, encostado numa das grades e
com os olhos fechados.
- Príncipe!
– Ela gritou por ele, chegando perto do garoto. Este abriu os olhos,
reconhecendo-a no mesmo instante. Estranho, os olhos dele pareciam...distantes?
- Olá, Dawn.
– Ele falou, quando a menina terminava seu trajeto até o mesmo. Quando chegou
perto o suficiente, a garota se jogou em cima dele. – E-ei!
- Senti sua
falta! – Ela murmurou, com a cabeça encostada num dos ombros dele.
- Nós nos
vimos ontem. – O garoto lembrou, com uma gota. Mesmo assim, estava vermelho.
- Eu sei,
mas... – Ela fez bico. – É tempo o suficiente para sentir sua falta!
-... – Ele
olhou para baixo, não respondendo. Dawn arqueou uma sobrancelha.
- Ei,
príncipe, aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou, acabando o abraço. Ele olhou
para o lado, hesitante.
- Dawn... – A
menina o encarou, impaciente. – O que você faria... Se eu fosse embora?
- Ué, eu te
encontraria amanhã!
- Não...
Para sempre. – Ele explicou, olhando para baixo.
- V-você não
vai fazer isso, né? – Dawn sentiu um nó na garganta, estreitando os olhos. –
Você é o meu príncipe! Não pode ir embora...
- Não, não!
– O garoto piscou, vendo que ela estava quase chorando. – Calma,problemática, eu não vou embora.
- Ah... –
Ela se acalmou, e deu um sorriso fraco. – Tudo bem então.
Ele olhou
para o lado outra vez, um pouco arrependido. Não era justo esconder isso dela.
Dawn não sabia nem seu nome...
- Príncipe!
– Paul saiu de seus devaneios ao ouvir a voz da garota à sua frente. Ela sorria
para um dos braços dele, surpresa.
- Huh?
- Você tá
usando o bracelete! – Ela chegou mais perto, observando a joia prateada e roxa.
- Uh, é...
Eu quase nunca uso, então... – Ele tentou se explicar, corando. Já tinha sido
um sacrifício sair de casa com aquilo no braço.
- Que bom! –
Dawn pulou de animação, mostrando sua própria pulseira no braço. – Olha,
combinamos!
- Hum... –
Ele observou um pouco as pulseiras. Aproximou ambas , e viu o brilho incomum
que elas ganharam quando próximas. Será que eram mesmo mágicas? Se eram, então...
Quem usa esse bracelete sempre volta a se
encontrar, mesmo que tenha que se separar algum dia... – A fala de Dawn a
alguns meses atrás repercutiu em sua mente. Ele deu um sorriso leve.
No fim de
tarde, depois de correrem por aí e terem de brincar de casinha – Paul odiava quando brincavam de casinha -,
chegara a hora deles se despedirem.
- A gente se
vê amanhã, príncipe! – A garota sorriu, acenando já ao lado da mãe. Ele acenou
de volta, sério.
- É... Até
amanhã, Dawn. – Ele se despediu, indo até um carro bem grande no lado oposto da
rua onde um segurança o esperava.
Na manhã
seguinte, Dawn apareceu no parque no horário de sempre. Mas, dessa vez, seu
príncipe não estava em lugar nenhum.
- Ué,
estranho... – A menina murmurou, olhando para os lados. Ele não estava lá? Para
onde tinha ido? Sentiu seus olhos marejarem um pouco.
- DeeDee! –
Ouviu uma voz, e se virou. Não era o príncipe, e sim outro amigo de infância
seu. Ela o cumprimentou com um sorriso.
- Kenny, oi!
Você viu o príncipe? – O garoto em questão ficou com um rosto confuso. Dawn
inclinou a cabeça para o lado. – Que foi?
- Você não
soube...? – Kenny hesitou, mas decidiu prosseguir. – Ele muda de cidade hoje...
Acho que devem estar indo agora.
- ...Quê? –
Dawn arregalou os olhos.
Ele estava
indo? Mas como assim? O príncipe prometeu para ela que ia ficar! Prometeu que
ficariam juntos para sempre! Então por quê...
Ela não iria
deixar isso acontecer. Era pequenininha, mas não era uma princesa
indefesa!
Dawn começou
a correr para fora do parquinho. Ouviu Kenny e outros amigos seus a chamando,
mas não parou. Ela tinha que fazer alguma coisa! Ia ficar tudo bem, sem
problema nenhum!
Ela seguiu
pelas ruas, traçando um caminho na mente. Já seguira o carro gigante e preto em
que Paul ia para casa algumas vezes, então sabia mais ou menos como chegar lá.
Príncipe, espera por mim! – Ela pensou,
apressando-se ainda mais. Logo avistara a casa dele, e um caminhão já partindo.
Dawn o reconheceu com a cabeça para fora da janela, triste.
- Príncipe!
– Ela gritou, tentando fazer com que ele olhasse em sua direção. Conseguiu,
pois ele se virou.
- D-dawn?! –
Ele chamou, surpreso. Ela correu mais rápido, tentando alcançar o caminhão que
acelerava. Ela tinha que conseguir...!
- Príncipe,
não me deixe! - Ela exclamou o
mais alto possível, mas não conseguiu acompanhar a velocidade do veículo.
Quando terminou de falar, ele já estava longe demais. Ela tropeçou, caindo de
cara no chão.
- Não me
deixe... – Ela murmurou, sentindo o rosto ser infestado por lágrimas. Ouviu o
som distante de Kenny e sua mãe a chamando, mas não conseguia tirar da cabeça a
imagem do caminhão e seu primeiro amor indo embora para nunca mais voltar.
Paul
observou a garotinha desaparecendo de sua vista. Suas memórias começaram a
invadir sua mente.
-
O-obrigada... – Ela disse, aceitando a guloseima. – E-ei, espera, aonde você
vai? – Ela perguntou, vendo o garoto começar a se afastar.
- Ué, você normalmente fica sozinho aqui...
E agora que me salvou, pode ser meu príncipe! – A garota explicou, sorrindo
abertamente.
- Minha avó disse que eles são mágicos, e
que brilham quando estão próximos. – A menina explicou, aproximando os objetos.
– Quem usa esse bracelete sempre volta a se encontrar, mesmo que tenha que se
separar algum dia...
- Príncipe! – Dawn acenou, apontando para um
balanço.
- Ai! – A garotinha soltou um gritinho ao
cair. – Príncipe, me ajuda!
- Aqui ó. –Ela ofereceu uma cesta cheia de
doces, um sorriso mais doce ainda no rosto. – Pode ficar com eles como
recompensa por antes!
- V-você não vai fazer isso, né? – Dawn
sentiu um nó na garganta, estreitando os olhos. – Você é o meu príncipe! Não
pode ir embora...
Desculpa, Dawn, eu não queria... – Ele
respondeu em sua mente, sentindo sua visão embaçar e lágrimas descerem aos
poucos por seu rosto.
Droga, ele
odiava chorar. Desde pequeno, seu pai sempre dizia que chorar era para os
fracos... Uma última memória brotou em sua cabeça.
- Qual o seu nome? – Ela o perguntou, com um
olhar confuso.
- Meu nome é
Paul... – Ele murmurou para o bairro que começava a desaparecer da estrada. –
Mas é tarde demais para você saber.
--------------------------
x ---------------------------
A garota
suspirou, desviando o olhar das estrelas. Sua pulseira estava em seu braço,
depois de todo esse tempo, e ela não a tiraria tão cedo. Sentiu outra lágrima
ziguezaguear por sua pele, caindo na pedra de coração no centro do bracelete.
-
Príncipe... – Ela olhou para o céu. Não se lembrava do rosto dele, nem da cor
do cabelo... Mas os olhos, que sempre esquentavam só um pouco quando olhava
para ela, deles ela não tinha esquecido.
- Só quero
que você saiba... – Mal sabia ela, outra pessoa perdera o sono naquela noite.
Paul olhava para a mesma lua, a algumas casas de distância, e murmurara as
mesmas palavras.
- Que eu te
amo. – Ambos terminaram, deixando as palavras ecoarem pelo vento frio da
madrugada. Dawn fechou a cortina, ele a janela, mas suas pulseiras brilhavam
com a mesma intensidade.
A linha vermelha de
destino que nos une nunca se quebrará.
--------- x
------------
E aqui está
o extra. Triste. Oh god, eu sofro fazendo fics tristes, mas elas são as que
mais me animam para continuar escrevendo. Pronto, tá aí, aí para vocês. Será
mesmo que nunca se quebrará? É, eu amo a lenda do fio vermelho de destino,
devem ter percebido. :3
Aviso: A partir de agora, só chamarei a Hikari de Dawn. É complicado botar ela de nome japa e o resto do mundo de nome em inglês. x.x É isso.
Kissus!
;****
The Bet
Chapter 11: Aulas extras
Yellow não odiava tanto
ir à escola, mas testes continuavam a ser a parte mais chata. Estudar, estudar,
estudar. Isso que ela fez a semana inteira antes deles. Não que a matéria
estivesse tão difícil,mas mesmo assim...
Enfim, a semana de testes
foi bem parada. A loira lembrava só de algumas coisas que eram boas o bastante
para comentar – May evitando Drew, Dawn fazendo amizade com uma tal de Angel,
Crys como sempre reclamando de Gold- mas, fora isso, nada.
Depois dessa semana
tediante, Blue deu um jeito de arrastar todas para o shopping. Parece que ela
tentou arrastar Green ou Silver para levar as bolsas, mas eles conseguiram
fugir.
Tinha vezes em que ela
sentia pena dos dois.
Não comprara nada demais
durante o passeio, mesmo que Blue tenha jogado várias peças para cima dela com
o intuito de fazê-la gastar todas as suas economias. O shopping levantou o
ânimo de todas, então até que não foi tão ruim.
E então, depois de duas
semanas sem muita coisa importante, chegara a primeira semana de Fevereiro. E
toda a garota que se preze sabe o que isso quer dizer.
Dia dos namorados.
Não era como se Yellow
tivesse alguém para quem dar chocolates daquele jeito – mesmo que suas dúvidas
se tornassem menores a cada dia -, mas ela pensou que chocolates para Red como
um agradecimento não seriam má ideia.
Ela teria que ser
cuidadosa também, já que Blue traria problemas se descobrisse seus planos.
Agora era só achar um meio de entregar doces para o garoto sem que ela
perceba...
- Alô, Terra para Yellow?
– A loira acordou de seus devaneios e virou para sua prima. – Você tá avoada
desde que chegou, aconteceu alguma coisa?
- N-nada não, só
preocupada com a nota das provas. – Ela mentiu, com uma gota.
- Como se você precisasse
disso, Yel. – Dawn resmungou, afundando sua cabeça na mesa. – Eu fui
terrivelmente mal em física, matéria dos infernos.
- Eu achei física
fácil... – Crystal murmurou com uma gota ao ver a cena.
- Liga não, Crys, a Dawn
não consegue se dar bem em exatas desde a quarta série.
- Não exagera, Misty! Eu
era boa em números inteiros, ok?! – A garota em questão respondeu brava. O
resto do grupo ficou com uma gota.
- May, e você? Foi bem
nos testes? – Yellow puxou conversa. A jovem parecia ainda um pouco abatida,
não só pelas provas, mas também com assuntos que se estendiam há algum
tempinho.
Era verdade que ficara
bem mais quieto depois daquela confusão, mas a loira até que sentia falta das
brigas daqueles dois durante as aulas de história.
- Nem sei... – A outra de
mechas castanhas respondeu, cabisbaixa. – Ando meio confusa esses dias...
- Vamos, deixa dessa! –
Dawn tentou animá-la, com um sorriso. – Sua mãe disse suas notas eram muito
boas.
- Ela tava falando da
minha prima. – May resmungou, fazendo bico. As garotas ficaram com uma gota.
- Você tem uma prima? –
Crystal franziu a testa.
- É. – A outra respondeu.
– Alguns meses mais velha que eu. O nome dela é-
- Bom dia alunos! – O
professor de matemática entrou pela porta, interrompendo a conversa das
garotas. Em suas mãos, 0um envelope bege que fez a sala inteira estremecer:
resultado dos testes.
- Ai não, por que ele
corrige aquilo tão rápido? – Ash murmurou um pouco atrás das garotas.
- Vai ver ele tem prazer
em fazer os alunos sofrerem. – Dawn respondeu, puxando conversa.
- Também foram mal? – O
garoto indagou para o grupo.
- Só eu e a May, o resto
daqui é tudo nerd.
- Não somos nerds! –
Misty respondeu ao mesmo tempo que Crys, enquanto Yellow preferiu ficar calada
com uma gota.
- Ok, já entendemos... –
A garota de mechas azul escuras respondeu. Olhou para May outra vez, que
encarava a janela. – Ei! Vamos lá garota, você não disse que o melhor era
esquecer tudo isso?
- Ela tá mal por causa da
briga com o Drew? – Ash perguntou inocentemente.
- NÃO É POR ISSO! – May
berrou, levantando de sua cadeira. Depois olhou para sala inteira que a
encarava, inclusive o professor.
-...Algum problema, May?
– O homem sentado na cadeira perguntou, pausando sua passagem de notas para a
média da sala.
- N-não, professor. – Ela
murmurou, olhando para baixo. Se fosse qualquer outro dia, seu rival de cabelo
verde a chamaria de selvagem por gritar tão alto e eles começariam a brigar
outra vez...
Só que isso não
aconteceria depois daquele tapa estúpido.
May sentou-se mais uma
vez, não sabendo ainda como não conseguia deixar aquele assunto de lado... Mas
Brendan estava certo, ficar pensando nisso para sempre era estúpido.
- Tudo bem pessoal,
quando ouvirem seus nomes venham para pegar os testes! – O professor anunciou,
e começou a chamar aluno por aluno. Alguns pulos de alegria, grunhidos e
tentativas de se tacar pela janela depois, todos estavam de volta à suas
cadeiras.
- N-na média, como isso é
possível? – Dawn tinha os olhos brilhando, encarando o C- de sua prova como se
fosse uma barra de ouro.
- ...Hm. – May encarou
seu B com um sorriso baixo. Deviam ser os genes da família passando para ela.
- Ah, não... – Ash
resmungou, olhando para o D- cara feia. – Minha mãe vai me matar.
- Não foi tão ruim, Ash.
– Yellow o assegurou com um sorriso. Não estava em posição de falar pelo A+ em
suas mãos, mas pelo menos a nota dele não tinha sido F.
- Nisso que dá ficar
treinando futebol demais nos fins de semana. – Misty bufou de seu canto.
- Mas Misty! Eu quero
entrar para o time principal! – O moreno choramingou. – Agora que o Falkner
saiu, tem uma vaga sobrando. Se eu me esforçar bastante nos treinos, ele pode
me colocar lá...
- Se você continuar assim
vai sair do time mesmo. – A ruiva o
lembrou, encarando-o.
- Eu sei, mas...
- Alunos. – O professor
falou outra vez, chamando a atenção da turma que conversava sobre as
notas. – Eu gostaria de sugerir algo a
vocês.
- Não é outra lista de
exercícios, é? – Uma garota resmungou de outro canto.
- Não se preocupe
Brianna, é outra coisa. – Ele tossiu antes de continuar. – Como podem ver, os
testes tiveram alguns resultados muito bons e outros bem maus. Não quero que
meus alunos deixem de aprender parte da matéria, e como eu sei que alguns ainda
não entenderam tudo e eu tenho que ir para a próxima matéria...
Misty engoliu em seco:
ela sabia o que isso queria dizer.
- Quero começar um
sistema de aulas extras. – Alguns alunos resmungaram, outros festejaram, e ele
continuou. – Pedirei ajuda dos alunos que se saíram bem no teste e quem aceitar
ajudar ganhará ponto extra na média.
- É obrigatório ajudar? –
Crys levantou a mão.
- Não, Crystal, mas eu
apreciaria muito sua ajuda. – O homem respondeu, sorrindo.
- Vai ter pessoas o
suficiente? – Um garoto perguntou da parte de trás.
- Vai, pedirei isso para
todas as duas turmas de nono ano da escola. – Ele virou-se para um canto da
sala. – Crystal, Yellow, Misty, Jasmine e Lucian, falem comigo no final da aula
se isso lhes interessar.
- De novo não... – Misty
murmurou, batendo a cabeça na mesa.
- Se quiser é só não
fazer, Misty. – Yellow falou para sua prima, com uma gota.
- Se eu não disser não
ele vai me convencer, é assim todo o ano. – A ruiva explicou, com uma gota. –
Professor Blaine me tem como aluna prodígio ou algo assim.
- Bom, acho que eu vou
fazer sim... – Crys anunciou. – Não sei se tenho tempo, mas como ele pediu...
- Vocês vão? – Ash
perguntou, animado. – Que ótimo! Espero que uma de vocês me dê aulas.
Por favor,tudo menos ele... – Misty implorou em sua mente. Ash ,
distraído como era, daria trabalho para ensinar. Além disso, seus sentimentos
quanto ao garoto andavam meio confuso desde o incidente com a flor.
Não, ela não tinha a
guardado dentro de um plástico e dentro da gaveta nem algo do tipo. Sério.
...Ela não era que nem a
May, pelo menos.
E, claro, como o destino
adorava brincar com todos os integrantes daquela escola, a ruiva foi escolhida
justo para dar aula para ele.
Só pode ser o carma. – Misty pensou, cabisbaixa. Não devia ter
pensado naquilo, agora ela teria que dar aulas para ele por sei lá quantos dias
e...
- Ei, Misty? – Ash a
tirou de seus pensamentos. – E então, que horas você tá livre?
Isso parece mais um encontro. Não Misty, você não pensou nisso. –
Ela se bateu internamente, disfarçando seu rosto vermelho.
- Pode ser amanhã mesmo,
eu não tenho nada o dia inteiro.
- Tá. As cinco na minha
casa então? – É, ela sabia onde ficava a casa dele. E isso era por causa dos
trabalhos de colégio, nada mais.
- Ok. – A garota
suspirou.
- Err, professor? – Crys
chamou-o, com uma gota. – Não sobrou ninguém para mim. E agora?
- Não se preocupe, faltou
um ‘professor’ na outra sala. – Blaine sorriu, ajeitando os óculos. – Seu aluno
deve estar chegando aqui...
- Professor! – Uma voz
percorreu o corredor onde ela e o resto estava, e deu de cara com olhos
dourados.
- Hey, garota séria! –
Gold a cumprimentou, acenando. – Não me diga que precisa de aulas extras?
- Claro que não! Eu me
ofereci para dar aulas. – Ela respondeu, bufando.
- Ah! – Ele olhou para
Blaine e para ela de novo. – Então você que vai dar aulas para mim? Que sorte!
Diz que é mentira, por favor.
- Professor... – Crystal
olhou de canto para o homem, pedindo aos céus para ser um mal entendido. – Não
me diga que...?
- Então vocês já se
conhecem! – Blaine sorriu. – Ótimo, fica mais fácil. Sim Crystal, esse será seu
aluno.
- Ai não. – Ela murmurou. Será que
ainda dá pra voltar atrás no pedido?
- Então é a garota séria
que vai me dar aulas mesmo! – O garoto de olhos dourados parecia animado. Só
depois percebeu que outras garotas também estavam lá. – Ah, Yellow e garota
ruiva!
- Olá Gold. – Yellow o
cumprimentou sorrindo, enquanto sua prima repetia o “garota ruiva” um pouco
aborrecida.
- Eu ainda tô surpreso
com a sua “mudança”. – Ele comentou, apontando para o rabo de cavalo da loira.
– Mas você deu sorte, nem arranjou tantos problemas.
- Bom, eu tive sim que
explicar porque estava fingindo ser garoto, mas... – Ela murmurou. – Eu contei
o que houve com meus pais e eles me deixaram sem muitas punições.
- Sortuda. – Ele fez um
‘tsc’, mas corrigiu-se ao perceber uma aura maligna vindo de Crys. – Quer
dizer, o troço com seus pais é muito ruim, mas eu também queria poder sair sem
punições! Haha...
- Não se preocupa Gold,
eu entendi. – Ela respondeu, com uma gota. Depois, ficou confusa. – Mas espera,
como ficou sabendo dos meus pais?
- Eu e a garota séria
aqui estávamos conversando e... – O garoto esclareceu, puxando a outra pelo
braço.
- Nós não conversamos! – Ela desmentiu-o,
vermelha de raiva.
- Não precisa mentir,
Crys! – Ele deu um sorriso torto.
- Eu não estou mentindo,
seu idiota!
- Nossa! Calma, garota
séria,vai acabar me machucando de verdade!
- É isso mesmo que eu
estou tentando fazer!
- Será que a gente pode
deixar esses dois aí...? – Misty perguntou, quebrando o silêncio entre o resto
do pessoal.
- É, acho que sim. –
Yellow riu um pouco. Virou-se para o garoto que ajudaria – O nome dele era
Bugsy ou algo assim -, e se despediu. – Então sábado começamos!
- Também tô indo, tenho
filosofia no fim do corredor agora. – Ash informou, sorrindo. – Até, Misty,
Crys, Yellow! E até mais Gold!
- Ah, o garoto ‘z’! – O
jovem de olhos dourados o reconheceu, e depois acenou. – A gente se vê no
treino!
Depois que Ash saíra pelo
corredor, Yellow se dirigiu a Gold.
- Err... Gold, por que
“garoto z”?
- Aquelas marcas
estranhas em forma de z n rosto dele. – Ele explicou. – E ele sempre ataca em
zigue-zague nos jogos.
- Você tem apelido para
tudo, hein... – Crys suspirou. – Mas então, quando você quer ter a primeira
aula?
- Hmm, hoje tenho compras
para fazer. – Ele alisou sua barba imaginária. – Mas amanhã tô livre o dia
inteiro. O que me diz?
- Tá,acho que posso ir
sim. Depois da escola?
- É um encontro! – Gold
deu uma piscadela, sorrindo como de usual.
- Não é não! – A jovem berrou. Bateria nele, mas o garoto tinha saído
em disparada até a porta da outra sala.
- Hm,acho que deixei
vocês fora da aula por tempo demais. Vamos lá, podem voltar. – Blaine escolheu
esse como o momento para se pronunciar, sorrindo. – Obrigado outra vez por
ajudarem.
- De nada, professor. –
As três e mais uma garota – Jasmine? Tinha falado muito pouco, e só com a
garota para quem daria aulas – responderam.
Entraram na sala, e
Crystal suspirou.
De alguma forma, ela
tinha a impressão de que aquelas aulas extras seriam o início de um grande problema.
-----------x ------------
Woooo, cap 11 terminado! Para quem leu a fic orginal, devem saber que as coisas começaram a esquentar um pouquinho a partir do cap 12. Vamos parar de hints e partir para o romance, galera! Agora de quem...? Bom, esperem para descobrir~
Kissus! ;****
Kissus! ;****
The Bet
Chapter 12: O que é mentira e o que é verdade.
As aulas do
dia haviam acabado e, para Crystal, o inferno tinha começado. Claro que o
motivo disso era nada mais nada menos de seu mais novo “aluno”. Gold. Por que
mesmo ela tinha que tirar notas boas? Devia ter dito não na cara do professor
logo.
E, uma tarde
inteira com ele tentando ensiná-lo alguma coisa não seria muito divertido. Não mesmo. Ela resmungou, ajeitando sua
mochila nas costas e esperando ver olhos dourados em algum lugar.
Ah, lá vem. – Crystal avistou alguém em
cima de uma bicicleta pedalando em sua direção. O sorriso torto de sempre, que
de maneira alguma afetaria ela. Nem em mil anos.
- Hey, Crys!
– Ele acenou, e ela teve que se segurar para gritar para ele que não tinha dado
toda essa liberdade para apelidos. Bom, pelo menos era melhor do que garota
séria, outro que já estava irritando.
A garota
retribuiu o gesto, um pouco emburrada. Logo Gold já estava na sua frente.
- E então,
vamos? – Ele apontou para a traseira de sua bicicleta.
- Vamos
assim? – Crys arqueou uma sobrancelha. Ele morava tão longe? Tudo bem, ela meio
que tinha que andar um pouquinho até chegar em casa, mas aguentava... Melhor
que ir andando, pelo menos.
- Desculpa,
vai ter que aturar uma viagem me abraçando. – Ele piscou, divertido. – Se bem
que isso deve ser até bom, né?
- Cala a
boca. – Ela revirou os olhos, montando no veículo mesmo assim. Para a
infelicidade do garoto, pousou suas mãos nos ombros dele ao invés de abraçá-lo.
- Tudo bem,
só cuidado para não cair! – Gold falou outra vez, antes de começar a pedalar
numa velocidade absurda para bicicletas. Crys gritou de surpresa, e se não
tivesse praticamente se agarrado na única coisa que a oferecia estabilidade
teria a enchido de socos.
- Vai mais
devagar, idiota! – Ela exclamou, comprimindo bem os olhos. Ouviu a risada
familiar daquele estúpido, que devia estar achando graça daquilo tudo.
- Com
prazer, garota séria.
O percurso
foi mais longo do que ela esperava. Passaram por várias esquinas, por carros e
foram chegando casas maiores, mais luxuosas. Que lugar era esse, Beverly Hills? Não me diga que além de
galinha, aquele garoto era podre de rico.
É, se aquela casa lá linda e maravilhosa ali
é dele, então a resposta é sim. – Crystal encarou a casa grande, com um
jardim espaçoso e parecida com aquelas de filme em que a Elesa ou Skyla sempre
apareciam.
- Chegamos!
– Ele anunciou, com um sorriso. – Pode me soltar agora.
A garota
corou, não demorando nem um segundo para afastar as mãos do torso dele. Aquele
garoto a tirava do sério.
- Meus pais
são donos de uma empresa de domésticos. – Ele explicou, enquanto guardava a
bicicleta num canto do jardim. – Sabe, aqueles de marca Goldenrood?
- Eles são
donos da Goldenrood? – Crys
perguntou, surpreendida. Aquela marca era uma das mais compradas para móveis. Ele
era mesmo podre de rico.
- Surpresa?
– Ele riu um pouco, gesticulando para a porta da frente. – Vamos, quero te
apresentar à minha casa.
Sem
esperá-la responder, o garoto segurou uma de suas mãos e a arrastou pelo jardim
até o portal da frente da casa. Quando abriu-o, Crystal não conseguiu nem
piscar antes de ser derrubada no chão.
- Ai! – Ela
abriu os olhos e deu de cara com um focinho. Não só um , como muitos focinhos.
Alguns menores, outros grandes, mas diversos animais tinham vindo se apresentar
para a visita.
- Ei garota
séria, tá tudo bem aí em baixo? – Gold riu, agachando e tentando distrair seus
mascotes para fora de sua amiga. – Desculpa, eles sempre ficam assim quando tem
visita.
- Eu
percebi... – A garota resmungou, conseguindo pelo menos se sentar. Levou uma
lambida na bochecha de um Akita – que era uma, ela foi descobrir depois – e
alguns gatos também se enroscaram nela.
Resumindo,
parece que Crys atraia animais.
- Caramba,
eles gostaram mesmo de você. – Ele comentou, impressionado, tirando um dos
gatinhos e colocando-o no colo. – E eu pensando que te achariam sem graça.
- Humpf. –
Crys bufou, fazendo carinho em outro cachorro que se acomodara em um de seus
lados.
- Ai meu
deus! – Ouviram uma terceira voz, e ela virou-se para uma porta se abrindo.
Dela saiu uma mulher, não muito velha, ainda usando avental. – Eu esqueci a
porta aberta, me desculpem!
- Que isso,
Sarah, não tem problema. – Gold riu, levantando e oferecendo uma mão para Crys
fazer o mesmo. Depois, apontou para a moça. – Essa é a Sarah, trabalha aqui a
muito tempo. Ela é como uma mãe para mim.
- Uh, prazer,
meu nome é Crystal. – Crys sorriu, estendendo sua mão livre. A mulher aceitou o
gesto, sorrindo.
- Que garota
bonita você trouxe, Gold! É sua namorada? – Ela perguntou, olhando diretamente
para a posição do casal. A garota corou, retirando sua mão depressa.
- N-não! –
Ela pigarreou, sentindo o rosto ficar quente. Droga, ele tinha que a deixar com
vergonha em todo o lugar que eles iam!
- Ainda não,
Sarah. – O garoto comentou, ignorando o xingamento que veio da menina à seu
lado. – Ela veio me dar aulas, lembra?
- Ah, claro!
– A moça sorriu outra vez. – Bom, o almoço já está pronto. Vamos, é por aqui! –
Direcionou-os para uma sala de jantar grande, com uma mesa não grande como a
dos filmes, mas mesmo assim bem chique.
- Wow. –
Crystal murmurou, vendo os pratos diferentes na mesa. Tinha algumas coisas ali
que ela nunca vira na vida! – Quanta coisa...
- Não
precisa ficar com vergonha, coma bastante! – Sarah sorriu, fechando a porta
atrás de si.
-
Obrigada... – Ela murmurou, pegando um prato. Teve algum problema na hora de
escolher o que colocar, mas conseguiu terminar e sentar-se em uma cadeira.
Gold sentou-
se ao seu lado, com o prato cheio de comidas diferentes. Sarah, que começava a
lavar a louça, olhou para trás e bufou.
- Ei,
garoto, cadê os legumes? – Ela chamou a atenção do moreno, que ficou com uma
gota.
- Tá, tá,
entendi... – Ele murmurou, pegando alguns da bacia da mesa. Crys riu um pouco,
surpresa com a facilidade com que a empregada o convencera.
Eles comeram
em silêncio, aproveitando o gosto bom da comida. Quando terminaram, Sarah
buscou um pudim imenso da geladeira.
- Aqui, eu
fiz hoje! – A moça sorriu, rindo quando viu a cara de susto da menina. – Não
precisa ficar assim não, Crystal.
- N-não, é
que eu... – Ela hesitou, e sorriu depois. – Obrigada.
Depois da
sobremesa – e de Crys insistir por meia hora para lavar os pratos e ser
recusada - , os dois jovens subiram as escadas e entraram por uma porta.
- Nossa... –
A garota murmurou, vendo o lugar de perto: Grande, Uma TV de plasma gigante com
um Wii desligado em um dos cantos, uma cama grande e espaçosa, uma escrivaninha
de madeira clara grande e com estantes em cima cheias de livros.
O jovem
pegou um skate jogado no canto e pousou-o na parede, sorrindo. – E aí,
gostou?
- É bem
bonito, sim. – A garota respondeu, ainda observando. Gold a puxou até a
escrivaninha, e colocou a mochila dela e dele em cima da cama.
-Ok, garota
séria, hora de me fazer entender matemática. – Ele anunciou, puxando uma
cadeira. Ela suspirou, e partiu para a aula.
Depois de
algumas horas de tentativas de estudo, Gold levando tapas por tentar alguma
coisa e Crys bufando de nervosismo, eles conseguiram ter algum êxito.
- Então é
assim? – O garoto indagou, escrevendo a equação.
- Isso! –
Ela sorriu, batendo palmas. – Finalmente! Pensei que levaríamos a tarde
inteira.
- Viu, sabia que era demais-
- Agora
vamos para a outra matéria. – Crystal puxou o livro, mudando a página.
- Ei! – Gold
reclamou. – Pelo menos vamos dar uma pausa, minha cabeça tá doendo!
- Tá, tudo
bem... – A jovem bufou, tirando uma mecha solta de cabelo azul da testa. – Mas
tem que ser rápido.
- Ok, tanto
faz. – Gold bufou, levantando da cadeira e se dirigindo a uma geladeira
pequenininha num dos cantos. Abriu- a, tirou duas latas de refrigerante e pegou
um biscoito de cima do móvel.
- Aqui,
toma. – Ele estendeu a latinha de Soda Pop, abrindo o pacote e comendo alguns
dos cookies.
- Ah,
obrigada. – Ela agarrou o drink a tempo, abrindo e ouvindo o gás sair. Tomou um
gole, virando para o resto do quarto e parando em caminhas. – Seus bichinhos
dormem aqui?
- É. – Ele
respondeu, sorrindo. – Você só viu os cachorros e gatos, mas eu tenho uma
tartaruga, um coelho e uns peixinhos-
- Para quê
tantos? – Ela perguntou, com uma gota.
- Ué, eu
gosto! – O garoto reclamou. – Sempre trago um para casa quando acho abandonado
na rua. Não quero que eles passem a vida inteira sem uma casa.
Ela ficou em
silêncio, observando o rótulo do refrigerante. Olhou para Gold, para ele que
tinha tudo, mas não deixava de ser ele mesmo. Se fechasse os olhos, a garota
poderia sentir a felicidade que aquela casa emanava.
Crystal
olhou para baixo, sorrindo. Podia ser um estúpido, pervertido e até meio
galinha, mas Gold ainda era incrível.
- Que foi
Crys, aconteceu alguma coisa? – Ela levantou a cabeça, e deu de cara com olhos
dourados.
- Eu... –
Ela olhou para o lado, para o teto, para a janela, e retornou o olhar. – Não
contei isso para as garotas, nem sei por que estou fazendo isso, mas...
Ele ficou em
silêncio, esperando. Ela suspirou.
- Eu vivo
num orfanato desde que eu era criança. – A garota admitiu, cabisbaixa. – Mamãe
viaja muito, e é amiga dos donos, então-
- Espera aí,
sua mãe te abandonou num orfanato? – Gold murmurou, com o tom de voz mais
sério.
- Não! – Ela
o corrigiu. – Ela me visita sim, eu sei o motivo dela me deixar lá, e eu amo
muito as crianças... É só que é triste.
- Triste...?
– Ele perguntou.
- Eles não
têm pais, não têm família. – Ela suspirou. – O meu sonho é poder melhorar a
vida daquelas crianças, de poder dar roupas melhores, comida, e mais dinheiro
para os donos... Eles têm sido tão bons para mim, e eu não posso fazer nada.
- Não pode?
– O jovem indagou, franzindo a testa. – Não é você que tem um emprego de meio
período e não sai nunca por causa disso?
- Como você
sabe disso?
- Eu fiquei
curioso do porque você não aceitava meus convites para sair num encontro. – Ele
explicou, dando de ombros.
- Você me seguiu? – Crystal perguntou, com raiva.
- Só foi uma
vez, tá! – Ele se explicou, e depois bufou. – Garota, você pode querer
recompensar o orfanato, mas não acha que tá exagerando?
- Claro que
não! Eles precisam de mim.
- Eu sei que
você tá se esforçando demais, Crys. – Gold a interrompeu, chegando perto dela.
– Dá para ver suas olheiras, e você quase dormiu duas vezes na aula hoje. Tem
que relaxar um pouco.
- Por que
você se intromete tanto? – Ela perguntou, ficando com raiva. – Já não entendeu
que eu não sou mais um alvo seu, que
eu não vou prestar atenção em você só por se preocupar comigo?
- Você nunca
foi só um “alvo meu”, garota séria. – Ele murmurou.
Ela
rebateria, jogaria refrigerante nele ou coraria ao infinito naquela hora. Iria,
se ele não tivesse a puxado para frente e a beijado.
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O estudo não
estava indo muito bem para Misty. Se ela tivesse alguma dúvida de seus
sentimentos antes, agora ela tinha certeza.
Maldito
pulso que não para. Maldito garoto que não aprende logo a matéria e não a deixa
sair dali correndo.
- Misty? –
Ela virou para ele, que segurava o lápis confuso. – Tudo bem? Você tá meio
desligada.
-Ah, não é
nada não. – Ela respondeu, com uma gota. – Estou pensando no que fazer para o
jantar, minhas irmãs vem passar uns dias em casa.
- As
modelos?
- Sim. – A
ruiva suspirou. – Elas provavelmente vão falar dos desfiles e implorar para que
eu entre para o ramo, outra vez.
- Você
deveria tentar. – Ash deu de ombros. – Acho que você seria uma boa modelo.
A garota
corou, confusa. Ash tinha a elogiado?
Ele, que era mais denso que uma pedra?
Deus ouviu
suas preces. Melhor tentar ago logo quando ele ainda está de bom humor.
- Err, Ash.
– Ela começou, olhando para o lado. – Bom, eu queria saber se, qualquer dia
desses...
- Hm?
- Você quer
sair comigo? – Ela foi direto ao ponto, ignorando os avisos de “abortar missão!” vindo de seu cérebro.
Era agora ou nunca. Ele a rejeitaria, ou...
- Tá, pode
ser. – Ash respondeu, sorrindo. – Quer ir agora?
- Eh? – Ela
piscou. Ele aceitou assim, do nada? E agora? Ela ainda estava com uniforme, com
o cabelo todo desarrumado...
Se bem que
era Ash, essa oportunidade era rara.
- C-claro,
se você diz. – Ela respondeu, levantando. Será que ele gostava dela? Ou aceitou
por pena? Ai, tantas perguntas...
- Ok, vamos
lá. – Ele levantou, espreguiçou-se, e foi em direção à porta. – O que tá
esperando?
- Não é
melhor avisar a Delia? – Ela perguntou, referindo-se à mãe de Ash.
- Não
precisa. – Ele deu de ombros. - Vamos!
A ruiva
assentiu, e saiu junto dele pela porta. Será que a levaria para passear no
parque? Talvez tomar um sorvete, conversar num café?
- Pronto.
Epa.
- Oi? – Ela
indagou, olhando para o garoto ao seu lado no jardim de casa.
- Você
queria sair comigo, né? – Ash sorriu, inocente à aura que tomava conta da
garota. – Estamos do lado de fora!
- Ash
Ketchum... – Misty começou, com uma veia pulsando na testa. – Seu idiota! – Ela gritou, entrando de novo
na casa e batendo a porta com força.
O garoto
ficou lá, olhando para a porta e com uma gota.
- O que é
que deu nela?
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The Bet
Chapter 13: Limites
Era outra manhã de sol.
Dentro de um carro espaçoso e provavelmente importado, um garoto rodopiava uma
rosa branca nos dedos.
Será que isso é o suficiente? – Ele encarou a flor, recém-colhida
de seu jardim. Tudo tinha que ser perfeito para ela.
Drew só esperava que May
conseguisse o perdoar.
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Yellow estava tendo
problemas para se concentrar na aula. Sua pintura de uma cesta de frutas estava
saindo horrível, e ela estava com medo do que a professora de artes diria
quando fosse ver seu progresso.
Mas também, eu tenho bons motivos para estar assim. – Ela se
lembrou, suspirando. Não fora nada com sua aula extra, Bugsy era um doce e
aprendera bem rápido. O problema era outro...
Primeiro, Red não falava
com ela há mais de uma semana. Ela sabia que era provavelmente pela semana
cansativa que tiveram, mas isso não inibia o sentimento desconfortável no
estômago que ela tinha ao ver que ele, Blue e Green não tinham aparecido para o
lanche.
Está parecendo até que ele está me evitando... – Ela sacudiu a
cabeça de leve, afastando esses pensamentos. Era Red, ele não faria isso.
Pelo menos ela esperava
que não. Entregar o chocolate de Dia dos Namorados ficaria muito mais difícil
se fosse esse o caso.
...Que, como já fora
mencionado antes, servia como agradecimento. Ela não tinha certeza do que
sentia por ele, mas é sempre melhor prevenir.
E, segundo, algo que
estava a preocupando desde manhã.
A garota encarou Crys,
que pintava distraidamente um quadro. Parecia um céu escuro, como se fosse
noite ou muito nublado, sem estrelas. Apenas uma lua, e o mar tingido de azul.
O que era muito diferente
para a pintura clara e vibrante que ela costumava fazer. O que será que
acontecera?
Não sabia ao certo, mas
iria descobrir. A loira ouviu o sino da aula bater, e não esperou a
recomendação final da professora para ir até a amiga.
- Crys? – Ela a chamou,
notando como seus olhos pousaram por mais um tempo na tela. Crystal se
arrepiou, virando.
- Ah...Yellow. – Ela
parecia aliviada. Isso era definitivamente estranho.
- Aconteceu alguma coisa?
Você parece estranha. – A loira perguntou, preocupada. Crys olhou para baixo,
hesitante.
- Não é nada... É que...
– Ela começou, mas parou. Yellow piscou, levantando os olhos e dando de cara
com Gold vindo na direção de ambas.
Ah. Ela já esperava o
óbvio. Um sorriso torto habitual, mais zoações com sua amiga, e o comportamento
típico que eles tinham.
Mas isso se provou
errado, já que ele passou sem ao menos falar alguma coisa.
Não falou, mas olhou:
parecia angustiado com alguma coisa. Isso não era do comportamento normal dele.
Nem quando ela brigava com ela isso acontecia, ele até ficava mais
insistente...
Então por que estavam se
evitando? Ela iria descobrir, se fosse para parar com aquele impasse.
Com uma nova resolução em
mente, a garota pisou para fora da sala, pensando no que fazer. As outras
teriam percebido há essa hora, então poderia pedir sua ajuda...
- Ei, Yellow! – Ela virou
para o lado, encontrando com olhos vermelhos. Crys pareceu tê-la deixado para
trás, perdida em seus pensamentos. A loira foi até o garoto, sorrindo.
- Red! Há quando tempo! –
Ela o cumprimentou, feliz. Então ele não estava a evitando!
- É, eu fiquei meio
atrapalhado com as provas, e com o dia 14 chegando... – O garoto se explicou,
sem graça.
- dia 14... Suas fãs? –
Yellow piscou, lembrando-se dos milhares de garotas que idolatravam o amigo.
- Sim, melhor eu
perguntar logo já que elas podem estar vindo. – Red puxou-a para um canto mais
vazio do corredor, olhando para os lados.
- Perguntar? – A loira
franziu o cenho.
- Você sabe o que
aconteceu com o Gold? – Ele perguntou. – Hoje eu tentei avisá-lo dos treinos
extras no fim de semana, e ele parecia desligado.
- Na verdade não. – A
jovem respondeu. – Crys também está estranha, ela parecia triste hoje na aula
de artes. E quando encontramos com o Gold, aqueles dois passaram direto um pelo
outro.
- Estranho. Será que
aconteceu algo na aula que eles tiveram ontem? – Red pousou uma mão no queixo,
pensativo.
- Você sabe das aulas
extras?
- Ele teve o prazer de
passar o treino inteiro só falando delas. – Ele comentou, com uma gota. –
Estava animado de ter a “garota séria” como professora.
- Agora eu fiquei
preocupada... – Yellow suspirou. – Vou ver se descubro alguma coisa.
- Também vou. Mas espero
que aqueles dois possam resolver tudo sozinhos. – Ele sorriu.
- É. – Um silêncio
momentâneo se instalou, até que a loira lembrou-se de sua aula. – Ah, tenho que
ir para a sala!
- Eu vou com você, é
caminho para a minha. – Eles começaram a andar, como sempre ignorando murmúrios
vindos de outros alunos. Não era uma coisa que importava muito no momento. – Mas então, como você está?
- Ótima! – Ela respondeu.
E estava mesmo, por ter conseguido passar pelo menos um tempinho com ele.
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May estava cansada, suada,
com fome, resumindo: Não aguentava mais seu treino extra. Maldita ideia da
capitã de fazer algo depois das aulas, logo no dia em que ela esquecera o
lanche.
Por isso, na primeira
ocasião que teve, ela escapuliu para longe da quadra. Não ia fugir, claro, mas
pelo menos arranjar algo para comer ela conseguiria.
Havia algumas máquinas de
comida para alunos esquecidos perto das quadras, ao lado de um bebedouro. A
jovem aproveitou o espaço para comprar uma barrinha e se hidratar um pouco,
esperando que sua concentração voltasse.
Não isso realmente
aconteceria, aquele lance com o cabelo verde – quer dizer, Drew – ainda
atordoava sua cabeça. Ela não devia ter feito aquilo, mesmo.
- E agora, como punição
dos meus atos, ele não sai mais da minha cabeça. – Ela bufou alto, encarando o
céu azul e o xingando mentalmente por não estar chuvoso e deixá-la ir para
casa.
- Ele quem? – May quase
caiu para trás com o susto, virando para encontrar justo a última pessoa que
queria ver no momento. Maldito cabeça verde.
- Drew! – Ela murmurou,
surpresa por ele ter a procurado primeiro. Sentiu um aperto no peito, e engoliu
em seco. – O que você quer?
Ele não disse nada,
apenas estendeu a rosa branca até ela. A garota pensou em recusá-la, mas era
tão bonita... Por que justo uma rosa, sua flor favorita?
- O que é isso? – Ela
indagou baixinho, encarando as pétalas brancas como a neve da flor.
- Um pedido de desculpas.
– Drew suspirou. – Olha, May, eu não deveria ter feito aquilo com a Yellow-
- Que bom que percebeu. –
A garota o encarou, ainda com a rosa nas mãos. – Você não devia estar pedindo
desculpas para mim, e sim para ela. Eu não sou a verdadeira dona dessa rosa.
- Isso não é verdade. – O
jovem retrucou. – Já pedi desculpas para a Yellow, hoje na hora da saída. Eu
sei que não é o suficiente, mas o que
você quer que eu faça?
Ela hesitou. Será que estava sendo injusta?
Drew parecia arrependido já há muito tempo, e ela nem o encarava de frente. Em
conflito com o que fez, nem percebera nada...
- Eu não sei. – May
admitiu, olhando para baixo. Com a rosa ainda nas mãos, virou-se, sem antes dar
uma última olhada para trás. – Mas eu tenho certeza que você achará um jeito,
cabeça de alga. Até mais.
A garota não esperou por
uma resposta, já estava a meio caminho do treino comendo a barrinha para matar
sua fome. Ele observou-a ir, colocando as mãos nos bolsos.
Bom, pelo menos ela voltou com o apelido. – O garoto sorriu de
leve. Teria que achar algo melhor para ser perdoado, mas isso não seria um
grande problema.
--- x ---
Blue não soubera como
conseguira, mas arrastara Green e Red até sua casa. Podia contar com um ponto
para seu olhar de cãozinho abandonado, e também pela comida que prometera
fazer.
Silver caminhava um pouco
atrás, quieto como sempre. A jovem bufou, virando para o amigo.
- Ei, Sil, anda mais
rápido! – Ela o apressou, brincalhona. O ruivo a encarou,suspirou, e andou até
eles.
- Que foi, Blue?
- Nada, oras. Você só
parecia excluído lá. – A jovem o explicou, segurando em um de seus braços. Ele
não disse nada, mas corou ao extremo.
- O dia dos namorados é
depois de amanhã... – Red murmurou, pesaroso. – Você acha que elas vão me perseguir
outra vez da minha casa até a escola?
- Elas sempre fazem isso. – Green lembrou-o. –
Que irritante. Seria melhor se esse dia não existisse...
- Não fala isso, Green! –
Blue reclamou, soltando do braço de Silver e cutucando-o. – O dia dos namorados
é ótimo! Damos doces a quem gostamos, recebemos doces de quem gostamos, e temos
um final feliz~
- Na maioria das vezes
não é isso que acontece. – Ele retrucou. – Andou vendo muita novela, travessa?
- Não! – Ela fez bico,
com raiva. O ruivo ao seu lado bufou também, não gostando da discussão entre os
dois. Se aquilo pudesse ser chamado de discussão, claro.
- Ei, vocês dois, clama.
– Red falou, com uma gota. – É verdade que isso pode acontecer, Blue, mas não
desconte os milhares de chocolates extras
que ganhamos.
- Tá, eu sei que eles são
irritantes. Mas o que importa é o amor! Ouviram? O amor! – Ela explicou, feliz,
batendo as mãos de animação.
- Você anda falando muito
de amor. Está interessada em alguém? – Red perguntou, casualmente. A garota
corou em resposta, surpresa com a pergunta.
Silver encarou-a,
xingando mentalmente quem quer que fosse o desgraçado.
- É claro que não, Red!
Eu, apaixonada? Humph! – Blue bufou, ainda vermelha. Usou a oportunidade para
mudar o assunto. - Mas e você, está?
- Eu? – Dessa vez foi a
vez dele de corar. – N-não, que nada.
- Sério? – Ela sorriu
brincalhona, aproximando-se dele e segurando em seu braço. – Não ouse mentir
para mim, hein? Você sabe que eu
descubro tudo.
- Eu não estou mentindo!
– O garoto reclamou, corado.
- Humph. – Green encarou
os dois, levemente irritado. Ele estava com fome, cansado, Daisy estaria
sozinha com o namorado hoje, e aqueles dois estavam perto demais um do outro.
- ... - O ruivo encarou a
cena, e suspirou outra vez. Só esperava que Blue não saísse triste daquela
confusão toda.
---- x ----
Dessa vez, finalmente, o
treino tinha acabado. May pegara suas tralhas o mais rápido possível, ansiosa
para chegar em casa, almoçar, fugir do seu irmão irritante e dormir pelo resto
do dia.
Entretanto, aquela opção
não se mostrou viável quando ela ouviu alguém a chamando pela segunda vez
naquele dia.
- O que foi, cabeça
verde- Ela começou, esperando encontrar com outra rosa ou coisa assim, mas
pausou ao ver loiro e não verde. -...Espera, você não é o Drew.
- Não sou, desculpa. –
Uma garota, pequena e parecida com um anjo, respondeu. – Meu nome é Angelique.
- Ah, prazer. – Olhando-a
direito, parecia uma das fãs do Drew. Ai não, será que viera pedir satisfações
como todas as outras? – Err... O que posso fazer por você?
- Não é nada de que você
possa se preocupar. – A jovem explicou, sorrindo. – Eu só quero te pedir uma
coisa.
- Pedir? – May piscou.
- Eu queria que você não
se aproximasse mais do Drew. – Ela explicou, a encarando. A outra pôde jurar
ter visto uma pontada de raiva em seus olhos, mas esta sumiu rapidamente.
- Quê?
- Ah, desculpa, me
expressei mal. – Ela ficou com uma gota, um pouco sem graça. – É que ele está
mal com tudo isso, e eu estou preocupada. Eu sou uma fã dele, claro, mas não
vou brigar com você ou nada disso.
- Isso... É ótimo de se
ouvir, eu acho. – May murmurou. – Mas o que me afastar dele resolveria? Ele não
continuaria triste?
- No começo sim, mas...
Acho que ele está triste assim por achar que ainda tem uma chance de ser
perdoado. – Angel disse. – Se você o recusasse de vez, ele não iria mais te
procurar, e eventualmente pararia de te atormentar.
A garota olhou para
baixo, deixando as palavras se instalarem em sua mente. Ele não voltaria a
atormentá-la? Isso era bom, não é? Mas seu sentimento de culpa não se
resolveria. E, além disso...
Ela não queria que ele
parasse de tentar irritá-la, de entregar rosas sem motivo nenhum e de ficar
perto dela.
- Pense bem, May. – A
loira insistiu. – Vocês não brigariam mais, você ganharia mais crédito com os
professores, e menos idas à secretaria. E ele também, claro. É o melhor para
vocês dois!
O melhor? – Ela refletiu. Angel estava sim certa, parar de falar
com Drew melhoraria tudo em sua vida. E eles poderiam parar com as
discussões... Mesmo não o tendo por perto, seria o melhor para ele.
Mas então, a imagem da
rosa branca voltou à sua mente. Seria o melhor, sim... Mas ele não queria isso,
queria? Se fosse assim, já teria desistido há muito tempo, não teria se
empenhado tanto.
Aquela garota
provavelmente já falara com ele. E, para ter que falar com ela, normalmente
odiada por todas ou quase todas as fãs do Drew, não dera certo. May sorriu: não
iria perder para aquele idiota e desistir de suas brigas.
- É uma ótima ideia,
Angel, sério... – Ela respondeu, finalmente, encarando a outra. – Seria o
melhor para mim e o melhor para ele. Mas, depois dele ter me dado uma rosa de
desculpas hoje, ficaria sem graça se eu desistisse.
- Espera, o quê-
- Até mais! – A garota
não deu chance à Angelique, se apressando em direção da porta da escola.
- Ele deu uma rosa para
ela? Outra vez? – A loirinha
murmurou, atônita. Cerrou as mãos, e encarou o chão com raiva. – Isso não vai
ficar assim.
Dessa vez, para a
felicidade – ou infelicidade, ela não tinha certeza – de May, quem a chamou
pela terceira vez enquanto ela saia pelo portão era sim o cabeça verde.
- O que houve agora,
Dreweca? – Ela perguntou, sorrindo de leve.
- Nada, só pensando se
uma carona até sua casa serviria de pedido de desculpas. – Ele se explicou,
apontando para o carro de luxo estacionado do outro lado da rua.
- Hmm... – Ela tinha de
admitir, era uma oferta bem interessante. E como aquela conversa estranha com a
tal de Angel tinha-a deixado mais decidida. Ela sabia que, provavelmente, seus
sentimentos por aquele estúpido não eram só os que ela pensava ser.
- Vai falar ou não? Eu
estou com pressa.
- Eu pensei que você
quisesse ser gentil, cabelo verde? – A garota bufou.
- Se você cooperasse,
selvagem. – Ele suspirou, parando com a discussão. – Olha, eu não quero brigar
com você de novo. Desculpa May.
-... Sabe que falando
assim, você fica até bonitinho? – Ela comentou, sorrindo. O garoto corou um
pouco, não esperando aquilo. Isso fez May dar um risinho. – Ok, eu te perdoo. Mas só se o carro tiver
ar condicionado.
- E você ainda duvida
disso? – Ele perguntou, rolando os olhos, começando a andar até o veículo.
A jovem sorriu outra vez.
É, ela não estava mesmo escolhendo a
“melhor opção”.
----- x -----
The Bet
Chapter 14: Valentine's Day
Crystal precisava de um
descanso. Já tinha passado a tarde inteira tomando conta das crianças, limpando
a casa, ajudando os donos e tudo mais quando precisava de um descanso. Não que
ela não gostasse de todos eles, muito pelo contrário.
Era só que... Ela ainda
estava um pouco confusa com o que aconteceu há um tempo atrás.
Droga, aquele foi o meu primeiro beijo... – Ela bufou, reclinando
na parede do lado de fora do orfanato. Tinha acabado seu jantar, e estava
esperando dar a hora de colocar as crianças para dormir.
O que aquele idiota estava pensando? Dizer coisas bonitas, fazer coisas
inesperadas e achar que eu vou cair nessa? – Ela chutou uma pedra forte,
não ligando pelo som alto que ela fez ao bater numa árvore.
Depois, colocou a mão nos
lábios. Se se concentrasse o suficiente, poderia lembrar-se de como fora na
hora. Nada muito especial, só um selinho simples, mas isso já fora suficiente
para ela praticamente fazê-lo voar com um soco.
-... Será que eu devia
ter mesmo batido nele e saído correndo? – Ela murmurou, com uma gota. Aquilo
não era muito responsável.
- Definitivamente não. –
A garota se arrepiou ao ouvir isso, virando um segundo. Encontrou a dona do
orfanato, uma mulher já de idade e sua “segunda mãe”. Seu nome era Lily Stuart.
- Ah, Sra. Stuart-
- Não seja formal, minha
menina. Só Lily. – A mulher a interrompeu, sorrindo. – Pelo que eu ouvi, você
teve problemas com um garoto. É isso que te deixou triste?
- Você notou, não é? –
Ela sempre percebia quando algo estava errado, não importa o quanto alguém
disfarçasse.
- Sim. O que você fez,
Crys? – A garota de olhos claros suspirou, e resolveu desabafar. Contou sobre
Gold, sobre as aulas extras, sobre aquele dia, tudo.
Depois de explicar tudo o
que houve, esperou para que sua segunda mãe falasse alguma coisa.
- Hmm... É, serei
honesta, você pegou um pouco pesado. – Srta Stuart admitiu, reclinando no
espaço ao seu lado. – Esse garoto parece
se importar com você.
- Claro que não! Ele me
provoca, dá em cima de mim descaradamente e-
- É o jeito dele de
mostrar que se importa! – A mulher constatou, sorrindo. – Crys, acredite, eu
sei como isso funciona. Homens são confusos, mostram seus sentimentos de jeitos
estranhos. Você só precisa pegar o jeito de adivinhar.
- Como você sabe disso?
- Ah, eu tenho
experiência. Era bem popular na sua idade, sabe? – Lily comentou, sentindo-se
nostálgica. – Ralph era o que sempre corria atrás de mim, só que nunca o dei
atenção. Aí um dia, eu resolvi tentar, e...
- Essa eu já sei, você
caiu de amores por ele. – Crystal continuou, rindo. Ela conhecia todas as
histórias dos donos do orfanato, desde pequena.
- Exato.E foi porque eu
resolvi arriscar, Crys. – Sra. Stuart a encorajou. – Esse Gold não parece ser
ruim, mesmo que seja um pouco brusco. Dê uma chance a ele!
-...Vou pensar sobre
isso. – Ela respondeu, suspirando.
- Tudo bem. Agora vá
dormir, você parece exausta.
- Mas e as crianças-
- Você acha que eu tinha
assistentes antes de você vir morar aqui? – A mulher bufou. – Vamos, Crys, eu
consigo dar conta. Boa noite, meu anjo.
- Boa noite, Lily. – Ela
respondeu, desistindo. Talvez uma noite de sono tirasse aqueles olhos dourados
de sua cabeça.
----- x --------
No dia seguinte, todas as
garotas tiveram a feliz e inesperada surpresa de encontrar Drew e May
conversando normalmente na sala de aula quando entraram.
Tudo bem, estavam mais
discutindo, mas para quem tinha visto ambos se evitarem por quase duas semanas,
aquilo era uma surpresa e tanto. Além disso, May não estava atrasada para a
aula, o que era melhor.
- Err... May? Bom dia. –
Misty interrompeu os dois jovens que conversavam, com uma gota. Podia ouvir
muitas garotas, provavelmente do grupo do cabelo verde, cochichando.
- Ah, Misty! E o resto
também. – Ela as viu, e deu um sorriso que não mostrava há tempos. – Surpresas
que eu cheguei mais cedo que vocês?
- Devem estar achando que
é um sonho. O que houve hoje? Seu irmão jogou um balde d’água em você? – Drew
entrou na conversa, debochando.
- Eu não te perguntei
nada, cabelo verde. – A garota virou para ele, o encarando. Ele sorriu.
- Quem disse que eu te
respondi?
- É claro que respondeu!
- Eu não sou tão obcecado
por você, selvagem. Não posso conversar só com as suas amigas?
- Você nunca falou com
elas antes, é claro que me respondeu!
E assim, eles continuaram
outra vez com a discussão. Yellow e as outras encararam com uma gota.
- Huh... Perguntamos
depois? – Dawn ofereceu. Todas assentiram sem falar nada.
- Bom dia alunos, peguem
seus livros e abram na página... – O professor de história entrou pela sala,
deixando seu material na mesa e voltando-se para os alunos, só para ver os dois
jovens discutindo. -... Vocês dois voltaram com isso?
- A-ah, já paramos, eu
não quero outra advertência! – May falou rapidamente, com uma gota e se
afastando do rival. O homem os encarou por um momento.
- Não é isso. Mas que bom
que fizeram as pazes, vocês dois, estavam começando a me deixar assustado com a
falta de brigas. – Ele admitiu, tossindo de leve.
- Uh, de nada? – Drew
arqueou uma sobrancelha.
- Não esperem que eu
aceite suas brigas, porém. Agora sentem-se, e peguem seus livros. – O professor
ordenou, voltando-se para o quadro. Os dois fizeram como pedido, ainda
confusos.
- É bom ver a normalidade
voltar à sala. – Dawn comentou quando sua amiga sentou-se. – Vocês estavam me
deixando preocupada, sabia? Mas e aí, como aconteceu?
- Podemos falar isso
depois? Não quero ser expulsa de sala. – A jovem de mechas cor de mel falou, com
uma gota. Sem outra escolha, a outra concordou.
Ia descobrir mais tarde
mesmo. Afinal, amanhã era o dia dos namorados, e isso queria dizer...
- Fazer chocolates na
minha casa! – Blue exclamou, segurando as amigas pelos braços. – Quero todas
lá, tenho todos os ingredientes, caixas, saquinhos, tudo!
- Mas... Hoje? – Yellow
murmurou. – É que é meio em cima da hora.
- Já cuidei disso. Liguei
para todas as suas casas e avisei que passariam a tarde comigo na minha casa.
Não precisam se preocupar!
- Todas as casas...? Como
conseguiu o meu telefone?! – Crystal, que estava quieta até o momento,
perguntou.
- Eu tenho meus meios. –
A mais velha piscou, travessa. Conhecendo ela, provavelmente espiou no registro
dos alunos na secretaria da escola outra vez.
- Crys, eu quero
conversar uma coisa com você. – Yellow comentou, lembrando-se do que prometera
fazer à Red.
- Para falar a verdade,
gente... Eu também tenho algo para falar antes. Muitas coisas.
- Bom... – May começou,
parando. – Estamos na frente da escola, cheia de alunos que podem ouvir, e eu
estou morrendo de fome. Que tal comermos algo e irmos para a casa da Blue e
depois você conta?
- Como sempre, pensa em
comida. – Dawn debochou, desviando de um tapa. – Mas eu concordo. Vamos então?
- Tudo bem. – Misty
concordou. As jovens começaram a andar até a casa de Blue, parando antes numa
papelaria para comprar ainda mais coisas.
Quando chegaram, foram
direto para o apartamento da garota. Todas – com excessão de Yellow e Misty que
já conheciam a casa- ficaram mesmerizadas pelo tamanho do apartamento.
- Não fiquem com essa
cara gente, eu disse que meus pais eram médicos famosos. – A mais velha disse,
olhando para as amigas com uma gota. – Bom, quem vota para macarrão para o
almoço?
- Pode ser. – Yellow
sorriu.
- Tanto faz, desde que
seja comida. – May resmungou, e todas riram. Decidido o cardápio, as garotas
foram todas para a cozinha, preparando o almoço e separando os ingredientes ao
mesmo tempo.
- Ok, agora que estamos
satisfeitas, vocês duas aí podem contar o que aconteceu. – Dawn falou após o
almoço, olhando para Crys e May com os olhos semicerrados.
- Tudo bem, eu começo. –
A de mechas azuis suspirou, e pôs-se a contar tudo o que acontecera alguns dias
atrás, também mencionando o outro tópico que queria revelar.
- Nossa... – Misty
murmurou, quebrando o silêncio que se instalara. – Você mora num orfanato?
- É, desde que eu tinha
dez anos... – A outra olhou para baixo, suspirando. – Minha mãe viaja muito,
achou melhor me deixar com uma amiga dela dona do orfanato.
- E sua mãe, Crys? – A
loira do grupo indagou.
- Continuo a amando do
mesmo jeito, e adoro o lugar, Yellow. Mas eu fiquei com vergonha de contar...
- Que vergonha o quê,
menina! – Blue bufou, cruzando os braços. – Essas coisas não importam. Não
guarde mais coisas desse tipo da gente, tudo bem?
- ...Ok, desculpa. – Ela
murmurou, sorrindo. Sabia que elas entenderiam.
- E já que acabamos o
assunto... – A dona do apartamento continuou, dando um sorriso malicioso. – O
que foi aquele lance com o Gold mesmo, hein?
- Uh... – Crystal corou.
Ela não tinha falado o que ele fez exatamente...Só disse que ele a impediu de
falar, e que tinha dado um tapa nele, pego suas coisas e saído correndo.
- Não me diga que...? –
Dawn arregalou os olhos.
Silêncio.
- Ele te beijou, não foi?
– May perguntou, com o mesmo sorrido que Blue.
- É tão óbvio assim? – A
outra corou, escondendo o rosto com as mãos.
- Isso é tão fofinho. – Blue ficou com brilhos
nos olhos. – Você vai dar chocolates para ele, não vai? Como um pedido de
desculpas, aí vocês podem se beijar de novo e-
- Calma aí! – Misty interferiu
com uma gota. – Não deixa a garota constrangida! Mas isso seria uma boa
estratégia.
- Você devia fazer isso,
Crys. – Yellow a encorajou. – Eu vou fazer chocolates para o Red como
agradecimento, se não quiser que signifique nada é possível.
- O problema é que... – A
garota respondeu, com uma gota. – Eu não sei se quero que seja só um pedido de desculpas.
- Que tal decidirmos isso
depois de fazer os chocolates? – May sugeriu.
– Não posso ficar o dia inteiro aqui.
- Pode ser. – Ela
concordou. – Mas depois de contar o que houve com seu “rival”.
- Ah, droga, era para
vocês terem esquecido isso! – A jovem reclamou, corando. Vendo que não tinha
outra escolha, ela também relatou o que acontecera ontem.
- Então é isso. – Dawn
parecia feliz com a notícia. – Viu, eu te disse que você gostava dele!
- Eu não tenho certeza
ainda, ok? – May murmurou, olhando para o chão.
- Bom, você está admitindo.
É um começo. – Misty comentou, sorrindo.
Terminada a conversa, as
garotas decidiram por a “mão na massa”. Enquanto Dawn lavava a louça – Não era
tão boa com cozinha, e não tinha ninguém para quem dar chocolates, as outras se
divertiam escolhendo o que iriam fazer.
- Tem chocolate branco? –
Yellow perguntou, juntando meio tablete de chocolate ao leite, formas de
corações e uns saquinhos com laços.
- No armário da direita,
primeira prateleira. – Ela respondeu, já terminando de derreter o chocolate.
- Que caixinha fofa! Eu
quero! – Misty falou, segurando uma caixa retangular vermelha de bolinhas
brancas.
- Eu fico com esses
saquinhos. – May pegou quatro saquinhos transparentes, e separou três fitas
azuis e uma vermelha. Encarou as formas de chocolate. – Você tem coisinhas que
dê para botar por cima dos chocolates?
-Tem isso aqui. – Crys
jogou um pacotinho com corações de açúcar, cortando a folha de alguns morangos.
– Será que colocando pedaços de morango fica ruim?
- Que nada. – Blue
sorriu, tirando sua tigela do banho-maria. Cuidadosamente, foi derramando o
chocolate nas formas de coração, e após isso colocou tudo no freezer. – Acabei por aqui, podem usar o forno.
- Certo! – Yellow sorriu,
aproximando-se da panela de água fervendo e colocando seu pote com raspas de
chocolate preto e branco.
- Agora, Dawn... – Blue
aproximou-se da garota, sorrindo. – Que tal largar isso aí e fazer uns
chocolates?
- Mas eu não tenho para
quem dar. – A jovem respondeu, bufando.
- Tem sim. – May lembrou-a.
– Aquele tal de Kenny. E talvez o P-
- Nem pense. – Ela
impediu-a de falar, corando. -... Mas tudo bem, farei alguma coisa. Só que vou
precisar de ajuda.
- Blue ao seu dispor! – A
garota fez uma continência, sorrindo.
Depois de passar algum
tempinho se lambuzando de chocolate, arrumando, limpando e colocando para
gelar, as garotas deram um pause básico para ver TV.
- Será que eles vão
gostar? – Blue perguntou para si mesma, suspirando.
- Espero que sim... –
Yellow murmurou. Ela tinha que fazer algo ótimo se quisesse competir com a
maioria das garotas da escola.
---------x ---------
No dia seguinte, a loira
acordou cedo. Fez o café, pegou sua mochila – sem esquecer antes de colocar os
chocolates - e saiu de casa. O caminho até a escola fora tranquilo, já que era
um dia nublado com poucas pessoas na rua.
Isso até ela ouvir um
barulho. Pareciam passos, muitos deles. Ela olhou para trás, curiosa, e
arregalou os olhos.
Era Red. Correndo do que
parecia ser um grupo enorme de garotas. E estavam vindo em sua direção.
- Ai não- Ela começou, girando o corpo para frente e
começando a correr também. O garoto não demorou muito para alcançá-la,
obviamente não querendo ser alcançado por aquele monte de garotas.
- O que... É isso? – A
loira falou, ofegante, tentando manter seu passo equivalente ao do outro.
- Elas sempre ficam assim
hoje. – Ele a informou, com uma gota. Olhou para trás, vendo que a distância
estava cada vez menor. – Uh, Yellow, acho que vou ter que fazer alguma coisa...
- Fazer o quê? Epa, woah!
– A garota sentiu seus pés saírem do chão, e no momento seguinte estava nos
braços do jovem de olhos vermelhos.
- Desculpa aí! – Red acelerou
um pouco mais, ignorando os gritos de raiva das garotas atrás dele.
Yellow engoliu em seco,
tentando sem sucesso controlar seu pulso acelerado. Só esperava que não desse
para perceber suas bochechas vermelhas. Aquelas fãs iriam matá-la, era óbvio...
Não demorou tanto assim
para avistar o colégio. Ambos passaram por alguns alunos assustados e chegaram
até onde Misty e o resto estava. Elas olharam de boca aberta quando Red colocou
Yellow no chão e saiu em disparada, sem antes dizer um “Até mais!”
As fãs que o perseguiam a
olharam com desprezo antes de ir atrás dele. A loira tinha que tirar todas as suas
coisas do armário e rápido se queria
ter algo intacto até o fim do dia.
- Huh... O que foi isso?
– May perguntou com uma gota.
- Para falar a verdade,
eu não sei. – Yellow respondeu, confusa, olhando na direção do prédio do ensino
médio.
- Bom, garotas, que tal
ir logo para a sala antes que aquelas garotas voltem aqui e matem a Yellow? –
Dawn ofereceu, e ninguém discordou.
Chegaram à sala, e, como
esperado, um bolo de garotas se formava na carteira onde provavelmente estava
Drew. Passaram com um pouco de dificuldade, mas conseguiram fazer a travessia
até seus lugares.
- Droga, e eu queria
falar com ele... – May murmurou, cruzando os braços. Tinha que agradecê-lo por
ontem, afinal de contas.
- Vai dar o chocolate
para ele? – Dawn perguntou com um de seus sorrisos brincalhões. A outra corou,
negando com a cabeça.
- Só vou agradecer outra
vez! – Ela insistiu, corada. As outras garotas riram um pouco. – E também, como
daria para competir com tanta gente?
- Você sabe que ele nunca
come os chocolates delas. – Misty comentou. – Devia tentar.
- Depois eu vejo isso. –
May concluiu, suspirando. A professora chegou pouco tempo depois, e a aula teve
começo.
Não demorou muito e
chegou o recreio. Elas saíram para o corredor, e foi aí que Yellow se lembrou
de alguma coisa.
- Ah! – Ela parou, e
olhou para uma sala próxima. – Gente, espera um pouco, tem algo que eu tenho
que fazer.
- Huh... Tá? – Dawn
murmurou, com uma gota. A loira não esperou nem um segundo para disparar pelo
corredor, desaparecendo de vista depois de uns segundos.
- O que você acha que ela
foi fazer? – Misty perguntou, com uma gota.
- Gente... – May
arregalou os olhos. – Vocês não acham que ela pode...?
- Entregar chocolates?
Duvido. – Dawn discordou.
- Mas olha... Ela estava
com a caixinha que usou para botar alguns chocolates ontem. – Crystal falou com
uma gota. As outras se olharam, confusas.
- Vamos atrás dela?
- Vamos atrás dela. –
Todas responderam ao mesmo tempo, seguindo direto para o caminho por onde tinha
ido. Avistaram-na ao lado de um garoto,
ambos dirigindo-se ao corredor que dava para a saída.
- Quem é aquele? – Misty
cochichou para as outras.
- Não era o Bugsy? – Dawn
perguntou.
Continuaram andando,
saíram da escola e acabaram na parte de trás do prédio do ensino médio. Yellow
parou por lá, e as garotas resolveram se esconder atrás de um arbusto.
O problema é que já tinha
gente atrás do arbusto.
- Uh...Red, Blue, Green?
O que-
- Shh! – Blue fez um
sinal de silêncio, com raiva. – Estamos fugindo dos malucos com chocolate!
- Ah... – Crys começou a
ter pena deles naquele momento. – Estamos vendo o que a Yellow foi fazer aqui.
- Quem é aquele lá? – Red
perguntou olhando para o de cabelo lilás.
- Bugsy, ele é o aluno de
aulas extras da Yellow.
- Err...Yellow? O que
você queria me dar? – O garoto em questão começou, incerto, olhando para a
loira.
- Ah... É que hoje é um
dia especial, então...
- Não me diga que...- Blue começou de olhos arregalados. Green
arqueou uma sobrancelha, e o resto teve quase certeza que a encarada de Red
podia matar alguém.
- Então... – Yellow
estendeu o presentinho bem embrulhado com um sorriso, continuando logo depois:
- Feliz aniversário!
-... Aniversário? – As
garotas murmuraram ao mesmo tempo, incrédulas.
- Você lembrou? – Bugsy
parecia bem feliz com a notícia. – Nossa, obrigado! Todo mundo esquece que é
meu aniversário por que é dia dos namorados, nunca ganho um presente...
- Que bom que eu lembrei,
então! – Ela o abraçou. – O presente ainda é comestível, mas eu adicionei uns
biscoitinhos que eu fiz ontem à noite. Você não se importa, certo?
- Claro que não!
Obrigado, Yellow.
- De nada! Agora é melhor
ir, as garotas devem estar preocupadas.
- Ok, te vejo depois! –
Bugsy saiu primeiro, já abrindo o presente e tirando um chocolate de dentro.
Yellow acenou para ele outra vez, suspirou, e virou para a área arborizada.
- Podem sair agora.
Os jovens caíram para o
lado no arbusto – exceto Green, ele apenas levantou como uma pessoa normal -,
assustados. Ela riu vendo a cena, mas manteve sua feição séria quando todos
estavam de pé.
- Espiar é ruim. – Ela os
informou, cruzando os braços. O resto ficou com uma gota, sem graça.
- Err... Desculpa Yellow,
estávamos curiosas. – May disse, com uma gota.
- E nós estávamos fugindo
do pessoal do chocolate. – Blue continuou, olhando para os lados em seguida. –
Falando nisso, melhor ficar aqui mesmo. Não quero nem saber o que vai acontecer
se sairmos.
- Tudo bem, mas... Eu
preciso fazer alguma coisa depois. – A ruiva do grupo admitiu, estendendo a
malha que sempre trazia consigo. Todos sentaram, conversando sobre as aulas e
tendo um dia normal mesmo com aquela data.
- E então... Já
entregaram seus presentinhos? – Blue começou, com um sorriso largo.
- N-não sei do que está
falando. – Crys respondeu, olhando para o lado. As outras garotas permaneceram
em silêncio, ignorando a pergunta.
- Ah, vocês são chatas! –
A garota deu a língua. – Já entreguei o do Red e o do Sil! E espero uma
recompensa no White Day.
- Blue, chocolates não
são feitos só para ganhar recompensas... – Red tentou argumentar, mas foi
ignorado. Ele suspirou, mordiscando um dos milhares de doces que ganhara no
dia.
- Você vai comer todos
eles? – Dawn perguntou, gesticulando para o montoado de saquinhos e caixinhas
junto com seu lanche.
- Bom, eu não vou jogar
fora... – O garoto respondeu. – Eles duram por uns dois meses lá em casa.
Yellow olhou para baixo,
triste com essa notícia. Se ela entregasse o seu agradecimento, traria mais
problemas a ele...
- Mas então, vamos mudar de assunto que eu não quero me lembrar desse
dia horrível. – May ofereceu, e ninguém teve motivo para discordar.
Conversa vai, conversa
vem, e logo faltavam apenas uns dez minutos para o fim do recreio. Misty, que
já tinha arrumado suas coisas, despediu-se primeiro. May e Dawn foram logo
depois, e os garotos saíram antes que o corredor enchesse muito outra vez.
Assim que estavam fora de
vista, Blue virou-se para a melhor amiga.
- Yellow... Posso saber
por que não vai dar o seu chocolate?
- C-como assim, Blue? – A
loira tomou súbito interesse por seus pés, evitando responder.
- Não se faça de boba, eu
sei que planejava entregar no recreio. – Ela apontou para o saquinho bem
escondido atrás da loira. – Você tinha a chance perfeita e não usou?
- Eu não quero dar
problemas a ele. – Yellow olhou para cima outra vez. – Meu chocolate, o que tem
ele de diferente dos outros?
- Ele é feito por você,
Yellow. – Blue lembrou-a. – Você não é igual a elas.
- E-... E como eu não sou
igual a elas? – A loira cerrou os punhos, sentindo os olhos marejarem. – Eu sou
só outra garota com sonhos idiotas que gosta do garoto mais popular da escola, não é verdade?!
- Você... – Ela olhou
para a outra, surpresa. Depois, sorriu de leve e se aproximou. Yellow tentou
afastá-la com a mão, mas Blue foi mais rápida.
- Yellow, por favor. Você não pode ver, mas os
olhos dele brilham quando eu falo seu
nome, ou quando ele comenta alguma coisa sua. – Ela ajeitou uma mecha loira do
cabelo da outra, colocando-a para trás da orelha.
- Mentira... – A mais
nova discordou, fitando o chão. Blue levantou seu rosto com as mãos, zangada.
- Eu não mentiria para a
minha melhor amiga, você sabe disso. – Ela se afastou, virando para frente. –
Agora vamos, não quero levar bronca do professor.
-... Obrigada. – Yellow
sorriu, enxugando uma lágrima que teimava cair.
- E não deixe de entregar
o chocolate, estava uma delícia quando eu roubei um ontem.
- Você roubou um chocolate?
- Foi só um! Eu juro!
- Blue!
Ambas riram, sentindo
falta de suas discussões de infância. Só ela para fazer Yellow se soltar mais,
e só a outra para deixar Blue mais sincera.
Falando em sinceridade... – A mais velha lembrou-se de um terceiro
chocolate em sua mochila com fita verde.
Talvez ser um pouco
honesta com si mesma não fosse ruim.
-- x –
- Ok, que cara é essa? –
May perguntou para Misty assim que Yellow entrou na sala. O professor devia ter
atrasado, já que não havia sinal dele na sala.
- Olha, ela voltou! –
Dawn animou-se, ajeitando-se na cadeira. –
O que tava fazendo, Yellow?
- Nada, só conversando
algo com a Blue. – A loira evitou o assunto, não querendo pensar naquilo tão
cedo. – O que eu perdi?
- Misty foi rejeitada
pelo Ketchup. – May sorriu, logo depois desviando de um soco.
- Eu não fui rejeitada! –
A ruiva corou, cruzando os braços. – Ele só entendeu errado.
- Como assim entendeu
errado? É chocolate. – Crys ficou com uma gota.
- Ele achou que era
“agradecimento”, e recusou por eu não ter motivo para agradecê-lo. – Todas a
encararam, e viraram para o jovem que conversava com outros da sala.
- Huh... Sério isso? –
Dawn ficou com uma gota.
- É. – Misty apoiou o
rosto em uma das mãos, olhando para Ash. – Como eu lido com aquele garoto...?
- Só você sabe Misty, era
a única que tirava as dúvidas dele quando o Ketchup andava com a gente. – May
comentou.
- Ele andava com vocês?
Nossa, tanta coisa que eu não sei... – Yellow suspirou na sua cadeira.
- Culpa sua por não
estudar com a gente. Também não sabemos muito sobre seus conhecidos de
Virídian. Quer dizer, tirando o-
- Dawn.
- Ah, certo, desculpa. –
A garota abaixou a cabeça, arrependida.
- Alunos! – A professora
entrou ofegante na sala. – Desculpe a demora, eu tive um probleminha... Agora
peguem seus livros!
Sem outra escolha, todas
obedeceram.
-- x --
As aulas tinham acabado. Para muitos, que não
tiveram coragem no recreio, esse era o momento perfeito de entregar chocolates.
Foi o caso de May que, sorrateiramente, seguiu um rastro de verde assim que o
viu saindo de fininho de mais garotas.
Ele tinha ido até a parte
das cerejeiras, perto de onde ela e as meninas costumavam lanchar durante o
intervalo. May observou-o sentar debaixo de uma árvore, cansado.
- Teve um dia corrido? –
Ele abriu os olhos de susto, mas acalmou-se visivelmente após ver de quem se
tratava.
- É, ser popular é
complicado. – Drew jogou a sua franja para o lado. May riu um pouco,
aproximando-se mais.
- Não sei por que elas
ainda te seguem, não vi nenhuma qualidade que presta em você até agora. – A
garota comentou.
- Diz aquela que não
ganhou nenhum chocolate de dia dos namorados.
- Errado! – Ela riu com a cara de surpresa dele. – Brendan me
entregou o dele hoje de manhã, junto com outras coisas que ele fez para mim.
- Quem é esse aí?
- Amigo de infância,
pode-se dizer. – May olhou para o cabeça verde outra vez. – Por quê? Ciúmes da
selvagem?
- Claro que não. – Ele
retrucou, mas ainda sim corou com a afirmativa. – Só ponderando quem é tão
maluco de dar chocolates para você.
-Ora seu... – A garota
ficou brava, tirando um saquinho da bolsa e tacando com toda sua força no rosto
dele. Drew conseguiu pegá-la a tempo, percebendo então o que ela tinha jogado.
- Isso é...? – Ele
murmurou, encarando os chocolates dentro do saco.
- Um presente de
agradecimento, nem pense em algo mais. – Ela completou, sentindo o rosto
esquentar. – Você não merece isso, mas acabou sobrando um dos que eu fiz.
- May, você sabe que essa
mentira é muito óbvia, não é?
- ... Que seja. Até
amanhã, Dreweca! – A jovem não deu tempo para ele fazer nada, ao invés disso
disparando em direção à escola outra vez. Ele ficou encarando o nada por um
tempo, olhou para o chocolate outra vez, e sorriu.
Abriu o saquinho e comeu
um deles.
--x --
Dawn tinha treino extra
de torcida hoje, mas o problema de uns dias atrás tinha a deixado receosa de
ir. Não sabia se aquelas garotas arrumariam uma maneira de enfrentá-la outra
vez, e não sabia se Paul estaria lá outra vez para salvá-la.
Paul... – A garota encarou uma caixinha que segurava. Tinha feito
aquilo para ele por pressão das garotas, mas não sabia se iria mesmo entregar
os chocolates ou não.
Acho que vou para casa, não tem nada para fazer aqui. – Ela decidiu
por fim, dando meia volta em seu percurso para a quadra aberta. No meio do
caminho, ouviu alguns barulhos vindos do Ginásio.
Ué, o time de basquete treina hoje? – Dawn aproximou-se da
construção, e abriu a porta de leve. Não era o time que estava lá, e sim apenas
um garoto. Coincidentemente, o mesmo que ela – ou melhor, não queria – encontrar.
A jovem observou-o correr
por um tempinho. Ele até era bom nisso, será que já tinha sido do time uma vez?
Será que ele era do time atualmente? Ela não notara antes, mas não sabia quase
nada sobre aquele garoto.
E ainda tem aquela
dúvida... – Dawn suspirou, olhando para o rosto dele. Os olhos dele, o
príncipe, tudo não saía de sua mente à dias. Sabia que as chances eram quase
nulas, mas e se fosse ele?
- Dawn?
Ela olhou para cima,
surpresa. Achou que ouvira o príncipe a chamando. Olhou para os lados, não
vendo nada, até perceber que a voz estava falando de novo.
- Cerejinha? Veio me
espiar jogando? – Paul perguntou, um meio sorriso em seu rosto. Dawn corou,
negando em seguida.
- Só estava voltando da
quadra e ouvi uns barulhos aqui.
- Quadra? – Ele estreitou
um pouco os olhos. – Aquelas garotas fizeram outra coisa?
- Não,eu que quis faltar
mesmo. – Ela explicou com uma gota. Depois, encarou a bola que ele tinha nas
mãos. – Você joga?
- Quando tenho tempo. –
Paul respondeu curtamente, quicando a bola. – Se quiser matar aula aqui, eu não
me importo.
- Não vão brigar se te
acharem aqui?
- Peguei a chave com o
professor. – Ele apontou para sua mochila. – Vai ou não?
- Ah... Ok! – Ela fechou
a porta, e subiu até uma das arquibancadas. Comemorou internamente por ele não
ter percebido a caixinha que tinha nas mãos. Depois, sua memória lembrou-a do
que acontecera a uns minutos atrás.
O que eu ouvi, será que foi imaginação? – Ela ponderou, olhando o
garoto arremessar da quadra. Ou ele pode
ter me chamado e eu ouvi errado?
- Que estranho, eu jurava
que tinha ouvido o príncipe... – Ela murmurou, olhando para seu braço. A
pulseira estava lá, e um brilho leve contornava-a. Já estava assim a algum
tempo, mas ela não sabia o que aquilo queria dizer.
Ele não pode ter voltado,
a casa dele está vazia. Mas então por que ela brilha..? Argh, que confuso! –
Dawn bagunçou os cabelos de frustração Da quadra, Paul a encarou.
- Não sabia que você além
de problemática era maluca. – Ele comentou, chamando a atenção dela. A garota
corou, tratando de arrumar o cabelo em um segundo.
- Eu não sou maluca,
muito menos problemática! – Ela parou em seguida, piscando. -... Espera aí,
você me chamou de problemática?
- Chamei, qual o
problema? – Paul respondeu, fingindo estar entediado. Por dentro, se xingava de
mil formas diferentes por ter dito aquilo.
-... Nada não, esquece. –
Ela fitou o chão, tensa. O príncipe sempre a chamava assim. Era só coincidência...?
- Dawn. – Seus orbes
azuis encontraram os roxos dele, sérios. – Se você vai ficar atrapalhando,
melhor ir embora.
- Ah, não, eu- Ela
virou-se para a caixinha que tinha deixado na arquibancada junto com a mochila.
Foi até lá, pegou a caixinha e a mochila junto, voltando depois para frente
dele.
- O que é isso? – Ele
perguntou encarando o doce.
- Err... Eu fiz para
você, de agradecimento por ter me defendido contra aquelas garotas. – Ela
explicou, estendendo a caixinha.
Ele não falou nada, apenas
pegou a caixa e a fitou. Dawn, nervosa, achou melhor sair de lá antes que seus
pensamentos concluíssem algo que não era
verdade.
- B-bom, até mais! Espero
que goste!
- Ei..! – Paul só
encontrou sua voz quando a porta terminara de fechar, indicando a saída da
jovem do ginásio. Ele abriu a caixa, era um chocolate gigante em forma de
coração.
Mordeu. Meio amargo.
- Como ela sabia...? –
Ele murmurou, encarando o doce. Era o seu sabor favorito, mas...
- Eh, príncipe? Você gosta de chocolate amargo? – Dawn fez uma careta.
– É horrível!
- Só para você que se empanturra de doces, problemática. – O menino
rebateu, mordiscando mais de sua barrinha de chocolate.
- Humph! – Ela bufou, mas sorriu em seguida. – Mas eu acertei, viu? Seu
tipo de chocolate favorito é meio amargo!
- Que seja. – Ele suspirou.
Paul olhou para a porta
outra vez, indo até ela e abrindo-a. Olhou para os lados, sem sinal da garota.
Ele olhou mais uma vez para o chocolate nas mãos.
Será que ela adivinhou outra vez, ou...?
-- x --
Gold suspirou, encarando
sal bicicleta. Por que ele achou mesmo que receberia um chocolate hoje? Claro,
ele ganhou uns dois de garotas da sala por seu charme, mas não era delas que ele queria algo.
Aquela garota é mesmo durona,hein... – Ele bufou. Sabia que tinha
sido direto demais, mas tinha certeza que ela também gostava dele! Não
precisava ter dado um tapa e saído correndo.
- Bom, melhor ir para
casa. – O jovem montou em sua bicicleta, começando a pedalar. Depois de um
tempo, pôde jurar que estava ouvindo uma voz o chamando...
Parece até a garota séria! – Ele riu de sua esperança idiota dela
ainda querer algo com ele. Mas surpreendeu-se quando sentiu um chute numa das
rodas da bicicleta e tombou para o lado, atingindo o chão em poucos segundos.
- Ai! – Ele reclamou, por
pouco não tendo batido a cabeça. Levantou, prestes a tirar satisfação com o
doido que quase quebrara sua bicicleta...
Encontrou Crystal o
encarando ofegante.
- Crys...?
- Desculpa, foi o único
jeito de te parar. – Ela desculpou-se, sem graça. – Desculpa também pelo tapa,
e por te ignorar, e por não terminar a aula extra quando era o meu dever-
- Ei, vai com calma. –
Ele a interrompeu. – Eu te perdoo, mas... Você chutou a minha bicicleta só para
pedir desculpas?
Ela permaneceu em
silêncio, fitando o chão. Parecia nervosa. Depois de um tempo esperando, Gold
suspirou.
- Olha, tudo bem se não
quiser olhar mais na minha cara, eu me viro com um professor particular mesmo.
- Não! – Ela berrou, o
assustando. Percebendo o que fez, Crystal corou e colocou a mão sobre a boca. –
N-não, não faça isso. Eu...
- Você?
- Eu queria te dar isso.
– Ela tirou um saquinho dourado da mochila, e o estendeu.
- Para mim? Sério? – Ele
aceitou o presente, abrindo-o. Eram chocolatinhos em forma de coração, e
pareciam ter pedaços de algo por dentro. Gold encarou os doces e olhou para
cima. – De agradecimento?
- Uh... – Crys corou
mais, olhando para o lado. – Por que todo mundo acha que são de agradecimento?
- Por que você daria um
chocolate de dia dos namorados para mim...? Ah. – Ele arregalou os lhos,
olhando-a. – Espera, o que-
- Ainda é muito tarde
para começar de novo? – Ela ofereceu, sorrindo. – Sem todos aqueles
desentendimentos.
- Crystal, você gosta de
mim? – Gold perguntou.
- Você é irritante, idiota e isso não vai
mudar, mas... – Crys sentiu a face esquentar. -... É, acho que sim.
Ele sorriu, não do jeito
normal, mas sim verdadeiramente, e aproximou-se dela. A garota fechou os olhos
ao senti-lo aproximar seu rosto, borboletas voando sem parar em seu estômago...
- Vou te beijar agora,
tudo bem? – Ele murmurou, divertido. – Não me bata dessa vez.
E acabou com a distância
de ambos, envolvendo-a num beijo. Não demorou muito, ela só tendo tempo de
passar seus braços pelo pescoço dele, antes de se separarem.
- Então... Sou seu
namorado agora? – Ele perguntou, tirando parte da franja dela de seu rosto.
Crystal sorriu.
- Vou pensar no seu caso.
-- x --
Red caminhava de volta
para casa, de algum modo tendo despistado o resto das fãs. Encontraria mil
chocolates amanhã em seu armário, provavelmente. Ele suspirou. O que faria com
tanto chocolate assim?
- Ei, Red! - Ele ouviu
uma voz familiar, e se virou. Yellow corria em sua direção, já de boné, levando
consigo uma caixinha em forma de coração.
- Yellow? - O garoto
parou, esperando-a alcançá-lo. Quando a loira o fez, estendeu a caixa.
- Aqui, é para você. Eu
fiz de agradecimento pelo que você fez por mim. - Ela parecia nervosa,
ajeitando seu boné a cada dez segundos. - Não precisa aceitar se for um
problema, eu vou entender, então...
- Não, que nada!- Ele pegou a caixa, sorrindo. - É verdade que
eu tenho bastante chocolate aqui, mas... O seu e o da Blue são especiais.
Ela sorriu, mesmo que o
comentário dele tivesse doído em seu peito. Suas esperanças eram grandes
demais, como sempre.
- Te vejo amanhã, então?
- Red falou. Ela assentiu, reunindo sua coragem...
Ficou na ponta dos pés,
plantando um beijo na bochecha do mais velho. Corando mais que um pimentão, ela
despediu-se rapidamente e saiu correndo na direção oposta.
Red piscou várias vezes,
tentando processar o que acabara de acontecer. Depois, pousou uma das mãos em
sua bochecha.
- O que...? - Ele
murmurou, sentindo seu rosto esquentar também.
Que sentimento era aquele?
The Bet
Chapter 15: Trabalho
de escola ou travessura do destino? (parte 1)
Querido diário,
Minhas irmãs chatas e insuportáveis podem ter me dado você de presente,
mas como eu estou precisando mesmo de um lugar para desabafar... Bom, aqui
estou eu. Meu nome é Misty Waterflower, tenho quinze anos e estou apaixonada.
Direto ao assunto, né? Acredite, se não fosse tão sério eu faria de
tudo para tirar essa ideia da minha cabeça. Mas de uma forma estranha, por mais
idiota que seja o Ash, mais apaixonada por ele eu fico a cada dia.
Sei lá... Ele é determinado, fiel, sempre está lá para todo mundo... E
bem, ele não é feio, muito pelo contrário. O problema, diário, é que ele
simplesmente não percebe que eu gosto dele.
Depois de quase dois meses de aulas extras (que felizmente colocaram algo na cabeça dele), nada! Eu estou começando a ficar sem opções... Ah,
como eu queria ter me apaixonado por alguém como o Gold, por exemplo. Pelo
menos ele beijou logo a Crys quando percebeu que gostava dela.
Falando nos dois, até que o novo “patamar” na relação deles não mudou muito
seu comportamento não. Continuam brigando como sempre, só que eles se beijam de
vez em quando agora. May parece mais caidinha pelo Drew a cada dia (se eu falar
isso para ela me mata, mas...), se bobiar ele gosta dela também.
Ah, claro, tem a Dawn. Ela anda muito estranha. Acho que começou desde
o dia dos namorados e foi piorando... Eu estou preocupada, e o resto das
garotas também.Quero falar com ela essa
semana sobre isso.
Por último, Yellow. Não me surpreenderia se ela começasse a namorar o
“garoto mais popular da escola” (depois de tanto conversar com ele, nem parece
mais isso), eles estão bem mais próximos do que antes. Também não sei por que
não picharam o armário dela ainda.
(Talvez seja porque é do lado do 888? Hmm.)
Enfim, não sei se manterei uma constância te usando, diário, mas se
achar uma maneira infalível de conquistar aquele idiota eu dou uma passadinha
aqui. Sabe como é, ele não entende cantadas. E eu também não estou a fim de
usar meu “charme feminino”, como a Blue diz.
Beijos!
Misty
A ruiva revisou outra vez
o texto que escrevera, e fez certeza de guardar aquele diário num lugar seguro
o bastante para não ser fuxicado por suas irmãs. Após isso, jogou-se em sua
cama e fitou o teto.
- Eu só espero que essa
“maneira infalível” dê certo. - Ela murmurou para o nada, confiando que seu
“anjo da guarda” também pudesse servir de cupido. Ela estava mesmo precisando de um.
------------ x
---------------
- Tudo bem, turma! - O
professor de história tossiu, chamando a atenção de todos os presentes. - Como
sabem, a maioria das médias não foram muito boas nesse bimestre...
- Ugh, ele vai fazer algo
extra, não vai? - Yellow ouviu Misty murmurar um pouco atrás, já prevendo o que
veria a seguir.
- Por isso, eu decidi ser
bonzinho e passar um trabalho em dupla para todas as minhas turmas como nota
extra.
Os alunos festejaram,
virando para os lados e animando-se.
- Mas, - O homem
interrompeu a festa. - Eu escolho as
duplas.
Os que antes festejavam
resmungaram, encolhendo-se em seus lugares novamente.
- Que não seja uma fã do
Drew, por favorzinho... - May pediu com os dedos cruzados. As outras a olharam com uma gota.
- Nem todas as fãs são
ruins. Talvez a Angel... - Dawn ofereceu, ainda mais desanimada que o
normal.
- Agora! - As cabeças
voltaram-se para o professor, que tinha uma caixinha nas mãos. - Tirei as
duplas em uma ordem aleatória e coloquei-as numa lista. Sem reações exageradas,
alunos.
Como ele queria que não tivessem reações exageradas quando colocou May
e Drew numa só dupla?- Era o que provavelmente todos estavam pensando ao
ouvir o nome de ambos.
- A selvagem? Nossa. - O
cabelo verde murmurou, levemente surpreso.
- Professor! Mas... - A
garota argumentou. - Ele! Nós sempre brigamos, você sabe... Então por que-
- Chega, Srta. Maple. -
Ele interrompeu-a. - Talvez fazendo um trabalho juntos vocês possam parar de
atrapalhar minhas aulas.
- E ele até tava feliz
com nossas brigas antes... - Ela resmungou, afundando na cadeira.
- Você tá pensando em
fevereiro ainda. - Crystal lembrou-a. - Começo do novo bimestre, vamos, se
anime!
- Ela tá certa. - Dawn
entrou na conversa, voltando a se calar em seguida.
- Tá mesmo. - Misty
comentou, olhando para a de mechas escuras ao invés da primeira. Se Dawn
parasse de ser tão controvérsia, ela poderia parar de mandar indiretas.
- Nós não vamos cair com
pessoas chatas, confiem em mim. - Yellow murmurou.
- Você parece muito certa
disso, mas, se diz... - Crys concordou.
- Deve ser mesmo. Vamos contar com nossa sorte.
Sorte era um troço
estranho. Tão estranho que Ash caiu com Misty, Dawn com Paul e Crystal, por um
motivo muito esquisito (tinha um número ímpar na sala, mas mesmo assim!), foi
escolhida para fazer dupla com o que sobrou na outra, Gold.
- E eu fiquei com o
Silver. - Yellow franziu o cenho. - Tenho a impressão de que sei quem está por
trás disso.
- Ahahaha, claro que não
Yel, por que eu faria isso? - Blue riu de sua amiga, aconchegada ao lado de
Green no recreio. Este, por outro lado, não parecia muito “contente” com a
presença da mais velha.
- Sério? Por que você
pode ter muito bem mudado o nome das
duplas escondido na secretaria. - A loira bufou. - O professor parecia confuso
quando falou o nome de alguns grupos.
- Eu não desconfio muito
disso não. - Red murmurou de seu lugar. - Ela tá com o Green, e eu peguei um
garoto com quem eu nunca falei na vida.
- Own, não fica com ciúmes,
Red. - A morena divertiu-se, segurando num dos braços de Green. - Não roubarei
seu melhor amigo, relaxa. E é melhor um garoto do que uma de suas fangirls,
certo?
- Garota irritante. - O
garoto murmurou, tentando livrar seu braço dela. A jovem fez bico, em seguida
dando a língua para ele.
- Também te amo. - Yellow
podia jurar que não sentira ironia
nenhuma naquela frase. Será que aquele chocolate extra dela era para...?
- Blue, se foi você, eu
vou te matar. - May vociferou, interrompendo seu ataque a alguns sanduíches por
cortesia de Crys. - Eu não quero
fazer um trabalho com aquele idiota.
- Você não gostava dele?
- I-isso não vem ao caso!
- Ela evitou o tópico, corando. - Ele vai ficar se vangloriando e trabalho que
é bom, nada. Eu quero essa nota!
- Todos querem, relaxa aí
comilona. - Gold interviu, interrompendo seu momento “tentar ganhar um beijo, mas
não conseguir” com sua namorada. - E além do mais, se for a Blue que fez isso,
eu só tenho que agradecer. Com a garota séria aqui, eu tô feito!
- Eu realmente não devia
ter te convidado para passar o recreio com a gente. - Crystal suspirou, tirando
o braço dele de seus ombros. - E pare com os apelidos, pela quinquagésima vez!
- Apelidos são mais
divertidos do que palavras difíceis, Crys.
- Não me chama de Crys!
- Por que não? Não sou
seu namorado?
- Ser meu namorado não dá
direito nenhum para-
- Ah, parem com a
discussão marido e mulher, já entendi! - May berrou, acabando com a briguinha.
Misty sentiu a vontade de
comentar que ela e Drew eram iguaizinhos àquilo, mas não queria ser morta pela
“Incrível May” em seu modo revoltado.
- O sujo falando do mal
lavado. - O garoto de olhos âmbares debochou. - Vamos lá, não sinta inveja.
Daqui a pouco você e o cabelo verde ficarão que nem nós aqui-
- Corre. - Foi a única
palavra que ele ouviu de resposta, e mais que o suficiente para fazê-lo fugir
de uma adolescente em crise.
- Você não devia pará-la
antes que ela mate seu namorado? - Misty perguntou.
- Não, ele merece. -
Crystal riu, vendo Gold implorar por ajuda enquanto era agredido por socos
vindos de May.
------- x ----------
A E.F também parecia
conter notícias importantes a vir. O supervisor dos times, Surge, chamou a
atenção dos alunos assim que a maioria estava nas quadras.
- Muito bem, alunos,
vocês já devem ter ouvido falar da Olimpíada que a escola faz todos os anos,
certo?
A maioria assentiu,
alguns arquearam sobrancelhas.
- Para os confusos, é um
evento que divide todos em equipes, estas separadas em cores. Ele é realizado
no final do bimestre, no sábado após as provas, para sinalizar o início das
férias.
Uma montoada de “Wohoo”s
e “Yaaay”s ressoou, todos felizes com as férias se aproximando.
- Não fiquem assim, ainda
está longe. - Alguns alunos fizeram “Awww”. - Mesmo assim , os treinos agora
durarão um pouco mais e teremos mais treinos extras. Vocês farão apenas os
esportes de seus times. Para os sem times, há a opção da torcida de equipes,
entrar na reserva de um time ou não fazer nada. Entendido?
- Sim! - Todos
responderam ao mesmo tempo.
- Ótimo. Vão para seus
treinos então. Sem times, correndo pela quadra agora!
Um trabalho e uma
olimpíada? Por algum motivo, Yellow viu-se incomodada com essas notícias. Tudo
bem que ambos levariam um tempinho, além de serem totalmente diferentes. Mas
mesmo assim...
Seria essa uma travessura
do destino?
Ela só esperava que ele
estivesse do lado dela, e não de um anjo de olhos claros...
--- x ---
Chapter 16: Trabalho
de escola ou travessura do destino? Parte 2.
May prometera a si mesma
que ela era forte o suficiente para o que estava prestes a fazer. Como depois
percebeu que aquilo não era algo que requeria “força”, contentou-se em se
lembrar de que aquele trabalho valia nota e precisava mesmo ser feito.
Era sábado, poucos dias
antes da semana de provas, e justo naquele dia ela tinha marcado de fazer
aquilo. Maldito garoto cheio de compromissos importantes que foi marcar justo
no dia em que ela estudaria.
A campainha soou da
porta, e a garota levantou com um suspiro. Andou do sofá da sala até lá, e
olhou para a maçaneta emburrada.
Sem outra escolha, abriu
a porta de sua casa. O que encontrou foi algo que ela não esperava: Além do
parceiro de trabalho, o cabelo verde de quem coincidentemente ela gostava, seu
amigo de infância estava lá.
E eles não pareciam estar
se dando muito bem. Afinal, nem perceberam quando ela abriu a porta e
continuaram se encarando.
Ótimo, esse dia vai ser maravilhoso. - Ela pensou para si com um
suspiro. Até estudar para as provas parecia mais conveniente do que resolver
isso no momento.
- Hey? - Ela começou,
vendo se parava com o jogo de encaradas. Eles finalmente a olharam, Brendan falando
primeiro.
- Ah, May! - Ele sorriu,
revertendo seu humor. - Eu pensei em ajudar com o tal trabalho que você ia
fazer hoje, mas aí eu encontrei esse cara aí parado na porta.
- O parceiro de trabalho
dela. - Drew corrigiu-o, emburrado. - E não precisamos da sua ajuda, garoto da
touca estranha.
- O nome é Brendan, e
pelo menos é melhor do que esse seu cabelo verde esquisito. Sério, quem tem
cabelo dessa cor? - Logo os dois estavam brigando novamente.
- Ei! - May, perdendo a
paciência por estar sendo ignorada em sua própria casa, chamou-os. - Podem
parar?
Pronto, ambos calaram a
boca. Ela sorriu vitoriosa, continuando em seguida.
- Bren, eu agradeceria
muito se você quisesse ajudar, esse trabalho tem muita pesquisa para fazer. -
Ela virou para o amigo, que alegrou-se. - Mas se vocês brigarem outra vez, eu
termino isso sozinha.
- Isso é até melhor que
antes-
- E coloco só o meu nome
também. - A jovem cortou Drew, encarando-o. - Entendido?
- ... Tá. - Ambos
murmuraram, desistindo.
- Bom. Agora entrem. -
Ela levou-os até a sala, indo para a escada. - Vou pegar as coisas que eu
pesquisei, esperem aqui.
Ela subiu pelas escadas,
parcialmente se arrependendo por deixar os dois sozinhos. Enquanto isso, os
garotos olharam para os lados.
- A casa dela é bonita. -
Drew comentou baixo. Nunca falaria isso para May, mas era algo que ele podia
constatar agora.
- É linda, né? A mãe dela
que decorou. - Brendan respondeu, entediado.
Silêncio.
- Eu ainda não gosto de
você. - Ambos murmuraram ao mesmo tempo, se encarando.
- Hm? Ué, Brendan e- Max
desceu pelas escadas, e parou. - Quem é o cabeça de alface?
- O nome é Drew, garoto.
- Ele já estava perdendo a paciência. - E quem é você?
- Max, irmão da May. -
Ele deu de ombros, parando em frente aos dois. - Então você é o garoto de quem
ela fala no quarto! Ei, quer saber um segredo? Ela-
- Max, o que está fazendo? - Os três olham para
a garota que acabara de descer com uma gota. May puxou o irmão pela gola da
camisa e, depois de lançá-lo um olhar mais que mortal, apontou para as escadas.
- Tá, entendi. - Ele
respondeu, bufando. Quando estava fora de vista, ela virou-se.
- Então, vamos começar?
- Tá! - Ambos responderam
ao mesmo tempo, e voltaram a um jogo de encaradas. May olhou aquilo com uma
gota, sentando no sofá da sala. Ótimo.
-- x --
Misty checara o espelho
pela quinta vez naquela tarde, endireitando o cabelo. Respirou fundo, checando
o relógio de pulso. Quase na hora. Ouviu uma campainha lá em baixo, e a voz de
Daisy atendendo a porta.
- Ei, Misty, seu
amiguinho chegou! - Ela ouviu sua irmã gritar, e corou. Aquela ênfase que ela
dera no “amiguinho” certamente não fora sem querer, e a ruiva agradeceu aos
deuses que o garoto era denso o suficiente para não perceber a indireta.
...Se bem que, do jeito
que ela tava desesperada, até que ajudaria.
- Ai, ai... - ela
murmurou, agarrando sua bolsa e descendo pelas escadas. Eles iriam fazer sua
pesquisa na biblioteca que ficava por perto, já que nenhum dos dois tinha
livros sobre o assunto e Misty sempre gostava de fazer trabalhos usando livros.
- Ah, oi Mi- Ash começou ao notar que alguém descia a
escada, mas a visão que tomou conta de seus olhos impediu-o de falar.
A ruiva usava uma saia
quadriculada azul e branca, uma blusa também branca com flores em cinza e um
clip no cabelo solto. Não era muito, mas como Misty nunca tinha paciência para
colocar saias ou vestidos e sempre prendia o cabelo, vê-la daquele jeito
assustou até suas irmãs.
- Nossa, você parece
decente. - Sua irmã comentou, sorrindo como se já soubesse o que estava
acontecendo. - Acho que pode ter puxado um pouco da beleza dos Waterflower, Mi.
- Que seja Daisy. - A
garota bufou, passando por ela emburrada. Chegou até o parceiro de grupo e
sorriu. - Então, vamos? Quero acabar o trabalho logo.
- Uh... - Ash murmurou,
não conseguindo tirar as palavras da língua. Ela riu, pegando em um dos braços
dele e puxando-o pela porta. Eles teriam uma longa tarde pela frente.
E não é que o tal “charme
feminino” tinha dado certo?
--x --
Gold não sabe cooperar
com trabalhos de escola. Essa era a conclusão que Crys tomara assim que tinham
começado a tarefa. Ela tinha ido almoçar lá como convidada, aproveitando para
passar o dia com o namorado.
Não que ela não gostasse,
claro. Mas parece que ele tinha entendido que o dia só se resumia aos dois
juntos, e não a um trabalho de pesquisa de pelo menos duas páginas a respeito de
uma das guerras estudadas no bimestre.
- Mas Crys... - Ele
resmungou. - Podemos terminar isso depois! Eu quero ver um filme com você,
talvez ir para a piscina-
- Não! - Ela negou,
bufando. - Vamos, Gold, é só um trabalho. Se concentrar um pouquinho não é tão
mal assim, certo? - Ela devia ter previsto isso. Dar aulas extras para aquele
garoto já eram difíceis, ainda mais depois que ele ganhou a permissão para
beijá-la ou abraçá-la ou qualquer outra coisa que ele achasse que namorados
deviam fazer.
Eu devia ter deixado a confissão para lá... - Ela pensou para si
mesma. Facilitaria muito o meu trabalho.
- ...Tá bom, eu coopero.
- Ele desistiu, fazendo bico. Mas apossou-se de um sorriso travesso, girando a
caneta que tinha nas mãos. - Mas só se me der um beijo.
- De novo? - Ela
perguntou com uma gota.
- É! Vai dizer que não
gosta?
- N-não é isso, mas você
não acha que está exagerando um pouquinho não?
- Ah, vamos! Só um
beijinho.
- Gold, não- Ele chegou
perto dela com muito impulso, fazendo-a tombar para trás. Como ambos estavam
sentados no chão, não foi muito doloroso, mas não quer dizer que a posição em
que eles caíram não tenha sido confortável.
- Ai, minha cabeça... -
Ela reclamou, piscando. O garoto, recuperando-se da queda, a olhou um pouco
preocupado.
- Tá tudo bem?
- Não, eu estou bem sim,
mas... - Ela o fitou um pouco desconfortável. - Pode sair de cima de mim?
- Ah, por quê? - Ele
sorriu divertido, tomando proveito da situação e pousando seus dois cotovelos
entre a garota, prendendo-a. - Eu gosto dessa posição.
- Argh, vai continuar com
isso? - Ela bufou outra vez, mas os olhos dele se aproximando a fizeram ceder.
- ...Tudo bem, acaba logo com isso.
Gold riu, aproximando-se
instantaneamente dela. Estavam a poucos centímetros um do outro, quando...
- Olá queridos, trouxe um
lanche! - Sarah abriu a porta com uma bandeja, corando quando viu a posição dos
jovens. - Err, eu vim em uma má hora?
- N-não é isso que você
está pensando! - Crystal tratou logo de explicar, ainda por baixo do garoto no
chão do quarto. Ele levantou-se , emburrado com a interrupção, e ajudou a pegar
a bandeja com bolo.
- Obrigada, Gold. - A
mulher sorriu agradecida. Crys também levantou, pegando os copos e colocando-os
próximos ao lugar onde eles estavam sentados. - Terminem o trabalho, hein?
Depois, podem fazer o que quiserem.
- Tá bom. - O jovem
resmungou. Sua namorada sentiu vontade de rir, mas a carinha de desapontamento
dele a fez mudar de ideia.
- Sabe... - Ela começou
quando Sarah já havia batido a porta do quarto. - Se terminarmos logo o
trabalho, eu posso até pensar em te dar aquele beijo...
Ele não precisou de mais
incentivo para pegar o lápis.
-- x--
A casa de Paul era bem
diferente do que Dawn tinha imaginado. Tudo bem que uma casa com nuvens de
chuva em cima permanentemente é algo estranho, mas o ambiente era feliz demais
para ser a moradia do garoto que ela conhecia.
Isso se comprovou quando
não foi ele que abriu a porta, e sim uma versão mais velha e mais sorridente:
Cabelos de mesma cor, presos num rabo de cavalo baixo, roupas casuais e um
avental verde por cima.
- Ah, você deve ser a
Dawn. - Ele sorriu, um brilho de realização cintilando em seus olhos. - Eu sou
Reggie, irmão do Paul. Pode entrar.
- Obrigada. - Ela
respondeu, adentrando pela passagem e se deparando com um corredor. Avançou um
pouco, vendo uma porta indo até a sala e outra à cozinha, com mais uma mais para o final que
provavelmente era o banheiro.
No fim, uma escada. Não
demorou muito para o garoto que ela esperava aparecer, parando a poucos degraus
do chão.
- Hey. - Ele a
cumprimentou, indiferente.
- Ah, oi... - A garota respondeu,
um pouco sem graça. - Eu me atrasei um pouco, mas...
- Não tem problema. -
Paul virou-se para o irmão. - Ei, Reggie, vamos fazer o trabalho lá em cima.
- Tudo bem. - O homem de uns 20 anos assentiu, sorrindo.
- Estou terminando de fazer um lanche. Você gosta de panquecas, Dawn?
- Claro! Eu amo doces! -
Ela respondeu com os olhos brilhando. Não era que nem a May para comer tudo o
que via, mas nunca resistia uma boa sobremesa.
- Ok. Daqui a pouco eu
subo com elas então. - Ele direcionou-se à cozinha, e Paul chamou-a com a mão
para subir. Ao chegarem ao segundo piso, mais duas portas podiam ser vistas
pelo corredor.
O garoto entrou pela
primeira, e ela seguiu-o logo depois. Era um quarto normal, simples, com uma
cama de solteiro com colcha azul clara no canto e uma escrivaninha de madeira
no outro. Alguns livros também estavam lá, o que a surpreendeu, Nunca achara
que ele tinha hábitos de leitura.
- Tudo bem. Eu peguei
umas coisas para o trabalho. - Ele apontou para uns papéis na escrivaninha, ao
lado de sua mochila. Depois, lembrou-se de algo. - Ah, esqueci um livro lá em
baixo. Não toque em nada, cerejinha.
- Por que eu faria uma
coisa dessas? - Ela perguntou com raiva, vendo-o sair do quarto. Bufou, olhando
em volta.
É, nada estranho. Não era
sua primeira vez no quarto de um garoto - ela ainda fazia várias visitas ao
Kenny -, mas ainda podia sentir seu coração bater um pouco mais rápido.
Aproximou-se da escrivaninha, pegando os papéis e passando os olhos por eles.
- Parece que ele fez
mesmo uma pesquisa... - Ela murmurou um pouco impressionada. Mas então, viu
algo pelo canto do olho que a tirou de sua concentração.
Sua pulseira estava
brilhando.
- Quê...? - Ela olhou
para o objeto em seu braço, confusa. Nunca vira a joia brilhar tanto assim,
apenas quando era bem pequena.
- Não, isso não quer
dizer que... - Ela olhou em volta, direcionando o braço junto e percebendo que
o brilho aumentara quando se encostara à mochila. Abriu rapidamente o bolso da
frente, encontrando algo que não esperava ver nunca mais.
- Voltei. - Paul murmurou,
retornando ao quarto. Porém, ao ver a garota de costas em silêncio, piscou. -
Dawn?
- Paul... - Ela virou-se,
e ele arregalou os olhos. - O que é isso?
Em suas mãos, residia uma pulseira exatamente
igual à da garota, ambas cintilando num brilho único de quem encontrou quem
antes fora perdido.
------------------------------------
x ----------------------------------------
The Bet
Chapter 17: Volte para a primeira vez.
Yellow estremeceu e
deixou a lapiseira que rodopiava nos dedos cair no chão do apartamento. Ela
piscou, olhando para os lados. Sentira uma sensação ruim, mas não sabia ao
certo sobre o que era.
- Yellow? - A jovem para
o lado, encontrando orbes prateadas. Sorriu para Silver, que a encarava com um
traço de preocupação no rosto.
- Eu estou bem, só me
assustei por um momento. - Ela assegurou-o, respondendo sua pergunta indireta.
Ele arqueou uma sobrancelha, mas não insistiu. Não eram tão amigos assim; se
ela não quisesse contar, não haveria problema.
- Então... Como eu ia
dizendo. - Ele tossiu levemente, apontando para um parágrafo do livro parado
entre os dois. - Acho que devemos incluir essa parte, ao invés daquela outra
que você indicou antes. Ela tem mais informação sobre as trincheiras durante a
guerra.
- Tudo bem. - Ela
concordou, suspirando em seguida. -Esse trabalho não poderia ser sobre outra
coisa? Pesquisar guerras e pessoas morrendo...
- Você é muito sensível.
- Ele constatou impressionado, sem nenhum toque de maldade. Yellow deu uma
risadinha.
- Talvez eu seja mesmo.
- Ei gente! - As cabeças
viraram-se para Blue, que arrastava Green pela porta enquanto acenava.
- Por que demorou tanto? -
O ruivo foi o primeiro a pronunciar-se, olhando de relance para Green. Este
apenas suspirou, emburrado.
- Ah, passamos na casa do
Greenzinho aqui para pegar umas
coisas. - A morena disse, obviamente querendo irritar o garoto, colocando a mão
livre na boca. - Daisy pediu que eu cuidasse dele enquanto fizéssemos o
trabalho.
- Tsc... Dá para parar,
travessa? - Ele perguntou, não querendo lembrar-se da experiência. Sua irmã pareceu
estar contratando Blue como babá ao invés de desejá-los sorte com o trabalho.
Ele queria que ela não fosse tão protetora às vezes.
- Tudo bem, bebê. - Ela
respondeu, afastando-se risonha antes que ele pudesse respondê-la. - Mas então,
sobre o que mesmo é o trabalho de vocês?
- Uma guerra que
estudamos durante o bimestre. - Silver respondeu. - Estamos fazendo a primeira
guerra mundial.
- Hmm, não é tão
diferente do nosso então. - A mais velha fitou os livros que estavam espalhados
na mesa, sorrindo em seguida. - Vamos terminar logo isso para vermos um filme
depois!
O restante dos membros
ficou com uma gota, mas não discordou. Todos puseram-se a trabalhar, Green
tendo de reclamar da caneta azul bebê que Blue começara a usar, enquanto Yellow
e Silver trabalhavam calmamente e escreviam as coisas em seu relatório.
- Aargh, que coisa chata!
- A garota, cansada de tantas informações, levantou e espreguiçou-se. - Acho
que farei um lanche para a gente.
- Ah, eu vou com você! -
Yellow ofereceu-se, começando a levantar.
- Não se preocupa não,
Green vai me ajudar. - Ele fitou-a, pego de surpresa, e teve o braço puxado
pela mesma. - Vamos lá, não vai demorar!
- Ei! - Ele tentou
reclamar, mas foi em vão. Logo, fora arrastado até a cozinha pela amiga.
- Prontinho! - Ela
sorriu, virando-se para o outro que reclamava. - Pode pegar os ingredientes
para mim? Faremos biscoitos com gotas de chocolate!
- Tá. - O garoto
desistiu, indo até um dos armários e pegando algumas coisas, depois passando
pela geladeira e fazendo o mesmo. Com cuidado, deixou-os sob a mesa.
- Obrigada! - Blue separou
vasilhas e começou a preparar a massa. Green percebeu um papel perto dela com
algumas coisas escritas.
- É a receita que fizemos
ano retrasado? - Perguntou, surpreso. Não esperava que ela tivesse mantido
aquela coisa.
- Sim! - A garota pareceu
alegrar-se quando ele lembrou. - Achei há alguns dias atrás nas minhas coisas,
e resolvi fazer.
- Ah. - Arqueou uma
sobrancelha. Cruzou os braços e reclinou sobre a borda da mesa, fitando a
garota enquanto ela obedecia às ordens da listinha.
- Ei, Green... - Ela
chamou-o, parando de repente. Suas mãos ainda estavam sujas por causa da massa,
então ela manteve-as sobre a mesa. - Você sabe o que está acontecendo com o Red
e a Yellow, não é?
- Não sou tão denso
assim. - Ele respondeu, bufando. - Por quê?
- Você acha que ele vai
se afastar de nós depois disso? - Blue murmurou, olhando para baixo. - Ele e a
Yellow...
- Não sei, é uma
possibilidade. - Green respondeu, arqueando uma sobrancelha. - Mesmo assim, não
acho que Red ou Yellow seriam do tipo de esquecer-se dos amigos para ficarem
juntos. Por que a pergunta?
- Não sei... Só que,
depois de tanto tempo juntos, se separar agora... - Blue levantou os olhos para
o garoto, estes mais tristes que o normal. - Me promete uma coisa?
- Eh? - Piscou, não
esperando vê-la com essa expressão. Sentiu uma leve dor no peito de vê-la
assim, mas fez o máximo para não mostrar isso. - O que?
- Prometa que não vai se
afastar de mim. - O encarou de frente, séria.
- O que-
- Só prometa!
-... - Ficou em silêncio,
encarando a menina. Queria tanto tê-lo por perto? Deu um sorriso curto para
ela, rindo. - Tudo bem, eu prometo.
- Ótimo. - Sorriu de
volta, com as bochechas coradas. Voltou-se para a massa, sem desmanchar o
sorriso dos lábios.
Passou-se um tempo, e os
biscoitos já estavam preparados e postos no forno. Encararam o móvel em
silêncio, esperando o tempo de espera acabar.
- Você ainda não me deu o
presente de White Day.
- Eu sei. - Uma resposta.
Ela fitou o garoto emburrada, e cruzou os braços.
- Não ache que eu vou te
perdoar se esquecer, ouviu? Eu passei mais tempo fazendo aquilo que todos os
outros e ainda tive que entregá-lo na sua
casa ao lado da sua irmã-
Uma sensação quente em
seus lábios a interrompeu. Ele pôs uma das mãos no rosto dela, calando-a efetivamente
com um beijo. Afastou-se pouco tempo depois, sorrindo.
- Isso deve ser
suficiente como retribuição. - E Green saiu pela porta, deixando-a corada com
cinco tons de vermelho diferentes e com uma mão na boca. Blue piscou, tentando
entender exatamente o que havia acontecido...
E gritou logo em seguida.
- GREEN! VOLTA AQUI AGORA!
Se Yellow duvidava que
aqueles dois tivessem alguma coisa antes, agora tinha certeza. Afinal, não é
todo dia que sua melhor amiga volta da cozinha e o empurra contra a parede e ela
tem que segurar um ruivo descontrolado para que ninguém saia ferido dessa
confusão toda.
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Ash não estava ajudando
nem um pouco no trabalho. Tinha achado um livro de ficção sobre alguma aventura
de bruxos numa escola doida e não parava de comentar sobre isso, desviando a
atenção de Misty do que estavam fazendo.
Tudo bem que ela gostava
dele, e que era uma das únicas que não precisava de nota para aquele trabalho,
mas ele podia ao menos cooperar um pouco! Bufando, a ruiva encarou-o.
- Dá para parar? Temos um
trabalho gigante para fazer ainda! - Ela reclamou, tirando o livro que ele
tinha nas mãos e o deixando sobre a mesa.
- Tudo bem, desculpa. -
Ash ficou com uma gota, voltando-se para o livro que ela tinha aberto. - O que
quer que eu faça?
- Primeiro de tudo, pegue
essa parte aqui, - Indicou um parágrafo da página. - E escreva na folha do
trabalho. Pode mudar umas coisinhas se quiser.
- Tá bom então... - Ele
pegou uma das canetas e se pôs a escrever. Ótimo,
finalmente estava fazendo seu trabalho. Agora era só terminarem que...
- Olha, o que temos aqui?
Ai não, quem é que estava interrompendo agora?
A ruiva mandou o olhar
mais fatal que conseguiu para o desconhecido, mas falhou totalmente ao ver seu
rosto. Ele era... bonito. Muito bonito.
- Quem é você? - Ash
perguntou, desviando o olhar do papel.
- Ah, desculpa! Meu nome
é Rudy. - Ignorando-o completamente, ele pegou uma das mãos de Misty e a
beijou. - Não pude deixar de notar uma garota tão linda por aqui.
- Err... Obrigada? -
Murmurou, confusa. Qual era mesmo a probabilidade de um garoto lindo te
galantear no meio de uma biblioteca ao lado do garoto que você gosta? Aproximadamente menos infinito.
- Não tem de quê. - Pegou
uma cadeira próxima e sentou-se ao seu lado, não ligando para os protestos do
moreno que estava perdendo a paciência. - Mas e então... Você não quer, sei lá,
dar uma volta e comprar um sorvete?
- Espera um minuto aí. -
O moreno finalmente se pronunciou, encarando o garoto novo. - Nós estamos
fazendo um trabalho de escola, e...
- Você pode terminá-lo
sozinho tranquilamente, não é? - O outro interviu, finalmente o encarando.
- Espera aí Rudy, eu... -
Misty estava com uma gota. Não gostava de deixar o trabalho para os outros,
ainda mais numa situação como essa.
- O que foi? ...Espera,
não me diga que- Ele fitou ambos e arregalou os olhos. - Vocês são um casal?
- N-não! - A ruiva
respondeu, corada até as orelhas.
- Então não tem problema,
Mistyzinha! - O cara falou, tentando puxá-la pela mão. Do que ele tinha a chamado? Todas as boas opiniões que ela tinha
por Rudy caíram por terra num passe de mágica.
- Ei, não, me larga! -
Soltou-se dele, levantando. - Eu não sou de deixar os outros fazerem coisas por
mim. Desculpa, mas recuso seu pedido.
O garoto pareceu ofendido
com isso. Tão ofendido, que fez uma cara feia e olhou-a de cima à baixo.
- Então por que tá
vestida assim, desse jeito? Se não for para chamar atenção, não sei mais para o
que é.
E isso, indubitavelmente,
foi a gota d’água.
Com um movimento rápido,
a ruiva desferiu-lhe um chute entre as pernas que deixou-o no chão urrando de
dor. Ela se recompôs, olhando-o de um jeito que todos os ali presentes se
assustaram.
- Primeiro de tudo... -
Disse, após respirar fundo. - Só por que uma garota se veste para ficar bonita,
não quer dizer que ela queira ser paquerada por um esquisito como você. E
também, quem você pensa que é para julgar as
minhas roupas e decisões sobre o que vestir?
Silêncio.
- Foi o que eu pensei. -
Misty cruzou os braços, satisfeita. - Agora cai fora antes que eu quebre seu
narizinho lindo.
Ele não precisou de muito
tempo para fugir daquele lugar.
A ruiva bufou outra vez,
abrindo um sorriso ao vê-lo quase tropeçar para fora da porta. Encarou então os
que a olhavam assustados, que voltaram a encarar seus livros com medo de
enfrentá-la. Sentou-se novamente, suspirando.
Ela tinha que parar de se
meter em tanta furada.
- Ei, Ash. - Ela virou
para o moreno que tinha uma expressão surpresa no rosto. - Vamos sair daqui
antes que nos expulsem, ok?
- Tá... - Concordou,
reunindo as coisas e fechando os livros que tinham pegado, deixando-os na mesa.
Não demorou muito, e já estavam andando pela rua, sem saber o que fazer em seguida.
- Mas, sabe, Misty... -
Ash começou, ainda um pouco confuso com o que acontecera. - Acho que aquele
cara tá um pouco certo.
- Quê?
- N-não é o que você está
pensando nem nada, - Ele se afastou um pouco, não querendo ser atingido por um
chute. - É que... Fomos só fazer um trabalho, não precisava ter vindo... assim.
Para falar a verdade, ela
vestida daquele jeito o deixava estranho. Como se tivesse algo preso na sua
garganta que não queria sair de jeito nenhum, e fizesse sua cabeça girar e
girar ao redor de uma mesma pessoa.
Ele estava ficando louco, só podia.
-... Você acha? - Ela
murmurou, fitando o chão. Droga, estava ficando triste. Sua visão estava
borrando? Ai não. - Tudo bem, então. Posso parar de usar vestidos. Talvez de
soltar o cabelo, e ficar normal como sempre. Se for assim você vai me notar?
- Eh? - Ele olhou para
ela meio confuso.
- Eu perguntei... - A
ruiva o fitou, com os olhos marejados. - Se eu for como sempre fui você vai
conseguir finalmente perceber que eu sou uma garota e gosto de você?
- Você... Você o quê? -
Ash piscou umas cinco mil vezes, transtornado.
- E não, não é no sentido
de amigo. É no sentido que eu tento fazer de tudo para você perceber que eu
existo e... E...
E o quê? O que ela queria
depois? Pensando bem, nunca pensara nisso. Gostaria de beijá-lo? Sair num
encontro era algo que ela sempre sonhara em fazer. Mas, e se eles brigassem? E
se terminassem? Ela iria conseguir olhar para a cara dele?
- Misty. - Ouviu a voz do
garoto que tanto amava e encarou-o, verde encontrando ônix. Estava
estranhamente calmo. - Você por acaso disse que gosta de mim?
- Tenho que repetir
quantas vezes para você entender? Idiota. - Murmurou, encarando o lado oposto a
ele. Estavam perto de uma praça, então não tinha tanta gente assim perto deles.
A maioria aproveitava o fim de aulas assim como eles deviam estar fazendo.
- Hmm... - O moreno olhou
para o céu. - Sendo assim... Quer sair comigo?
- Ash, já estamos do lado
de fora. - Ela respondeu, sorrindo. Tão preocupada com o que ele ainda não
respondera, não percebeu o duplo sentido.
- Não, sua boba. - Ele
riu, bagunçando suas mechas ruivas. - Eu quis dizer num encontro!
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Como previsto, aquela não
seria uma tarde agradável. Principalmente quando dois garotos conseguem ignorar
completamente o trabalho à sua frente para ficar num joguinho idiota de
encaradas.
May bufou mais uma vez,
comendo um biscoito dos milhares que espalhara na mesa para o lanche. Ela não
devia ter aceitado a ajuda do amigo de infância. Além disso, não devia ter
aceitado fazer o tal trabalho com o cabelo verde.
Mesmo que ela gostasse
dele. Mesmo que ele não parecesse sair de sua cabeça.
Soltou um suspiro,
batendo a cabeça na mesa em frustração. Os garotos finalmente pareceram notar
sua presença, e viraram para ela.
- O que houve, May?
- Que foi agora,
selvagem?
Ambos perguntaram ao
mesmo tempo.
- Sinceramente... Você
não pode ser um pouco mais educado
com ela, não? - O da touca branca perguntou, tornando a metralhar o outro com
os olhos.
- Não é da sua conta. -
Respondeu, bufando. - A May sabe que não falo sério.
- Eu sei? - A garota
perguntou, com uma gota.
Ele a encarou, corou um
pouco e desviou o olhar. Brendan observou tudo aquilo com um olhar sério,
principalmente quando sua amiga de infância deu um sorriso pequeno e fitou o
chão, também corada.
Suspirou, tossindo alto
em seguida e chamando a atenção dos outros dois.
- Vamos continuar ou não?
- Ele começou. - Temos que acabar logo esse trabalho, eu ainda tenho que
terminar algo hoje.
- Finalmente alguém que
quer fazer isso! - A garota comemorou, quase jogando os biscoitos para o ar. -
Vamos, estamos quase! Quase!
- Não dê um surto com
tudo que acontece, garota. - Drew falou, com uma gota.
- Humph. - Ela bufou,
dando a língua para ele em seguida.
- ... Aiai. - O garoto da
touca branca suspirou, virando-se para escrever coisas no papel. O aperto no
seu peito não podia ser um pouco menos
doloroso?
Depois de tentativas falhas de comunicação,
protestos contra aquele maldito trabalho e uma guerra de biscoito que envolveu
o Max e teve Drew como perdedor para catar tudo aquilo do chão...
- Acabamos! - May jogou
as mãos para o ar, contente. Encarou o relógio da sala: Cinco e meia. Daqui a
pouco já iria escurecer. - Ainda tenho tempo hoje. Que ótimo...
- Bom, acho que já vou
indo, então. - Drew recolheu algumas coisas.
- Não vai ficar nem mais
um pouco? - A garota franziu a testa. - Pelo menos até depois do lanche...
- Nah, prometi que
chegaria em casa antes de anoitecer. - Ele deu de ombros, e sorriu. - Gosta
tanto da minha presença assim, May? Se quiser, eu fico mais um pouco.
- N-não, pode ir! Eu não
me importo. - Bufou, se virando. Sem que ela visse, ele aumentou seu sorriso,
levantando da cadeira.
- Sendo assim, estou
indo. - Colocou a mochila que levava nos ombros, e virou-se para os dois. - Agradeça
a sua mãe por mim. E diga ao Max que gostei de conhecê-lo. - Menos pela parte que ele me chamou de alface
ambulante, deixou de adicionar.
- Ah, espera aí. -
Brendan levantou também. - Também estou indo.
- Mas já? - May pareceu
triste com isso. - Você só ficou para o trabalho...
- Mais tarde eu volto
para conversarmos, ok? - Sorriu, piscando. Não deixou de notar, também, o olhar
frio que recebeu por trás do cabelo verde ao saber da intimidade dos dois.
- Bom... Se você diz. -
Ela suspirou, sorrindo. - Apareça para o jantar então! Mamãe fará seu prato favorito hoje.
Com outro aceno, o garoto
da touca e Drew saíram da casa. Porém, antes do último tomar seu rumo pela rua,
Brendan puxou-o pelas costas da camisa.
- Ei- O garoto reclamou, virando-se. - O que você
quer?
- Você gosta dela, não
gosta. - Falou.
-... E por que acha que
vou responder isso?
- Não foi uma pergunta,
foi uma afirmação. - Cruzou os braços, aborrecido. - Sabe, normalmente eu não
me meto com esse tipo de coisa, mas... É da minha melhor amiga que estamos falando. Não ouse mentir para mim.
Drew encarou-o,
estreitando os olhos. -... E se eu gostar? O que você tem com isso?
- Se você gosta, por que
não se confessa logo? - Ele perguntou, ajeitando a touca em seu cabelo negro.
- Confessar? - O outro
corou, piscando. - Mas, você... Você também gosta dela, não é? Por que está me
falando para-
- Eu amo a May, garoto. Não vou mentir para você. - Brendan suspirou,
olhando de soslaio para a porta da frente. Virou-se de novo. - Desde que a
conheci, quando tínhamos uns 6 anos. Desde que ela se mudou, e voltou. Nunca
deixei de gostar dela.
- Então... Por que está
desistindo tão rápido? - Arqueou uma sobrancelha. Odiava pessoas fracas, ou que
não tivessem coragem.
- Não estou desistindo, idiota. Eu já perdi. - Admitiu,
observando o céu.
-... Huh?
- Não é óbvio? Ela gosta
de você. - Brendan assustou-se com o nível de idiotice do sujeito à sua frente.
- Se ainda não percebeu isso, você é ainda mais estúpido do que eu pensei.
- Ela... O quê? - Piscou.
Seu pulso acelerou, e ele de repente sentiu uma sensação boa passar como
voltagem pelo seu corpo. Ela gostava dele também? Por mais estranho que pareça,
ficou feliz com isso. Mais feliz do que ficaria com qualquer outra confissão na
vida.
Deveria ser por que era
ela. A única pessoa que importava para ele naquela escola.
- Ah, então você é mesmo
estúpido. - Brendan suspirou, voltando a encará-lo mortalmente.
- Ela já chorou muitas vezes por você, e eu
não pude fazer nada. Mas se você ousar magoá-la outra vez, não vou me importar
nem um pouquinho em estragar minhas roupas te dando uma surra, entendeu?
- ...Tá. - Nunca pensou
que ficaria com medo daquele garoto “na moda”, mas o olhar que ele dera era
assustador. Drew engoliu em seco, mantendo-se calmo.
- ótimo. - O primeiro
bufou mais uma vez, tornando-se a andar pela rua. Porém, antes de cruzar na
entrada do quintal da casa vizinha, olhou para ele novamente. - E não seja um
covarde. Se declare logo ou eu posso roubá-la de você.
E com isso, ele passou
pela porta e fechou-a com um estrondo. Drew fitou o chão, ainda tentando
absorver a informação que tivera: May gostava dele, e até o melhor amigo dela
estava o apoiando...
Uma ideia surgiu em sua
mente. Uma ideia grande, que poderia movimentar a escola inteira. Ele sorriu,
jogando a franja para o lado e tomando um atalho para casa.
Sabia exatamente o que fazer.
--- x ---
Paul se encontrava sem
palavras. Tudo acontecera tão rápido - ou talvez não, mas o tempo parecera
acelerar assim que ele entrou pela maldita porta.
Como eu pude deixar essa pulseira aí. Logo quando a dona dela
obviamente poderia abrir e encontrá-la, sem mais nem menos? Ele sentiu a
necessidade de bater a cabeça na parede até desmaiar, se seu cérebro racional
não estivesse ainda controlando-o.
Dawn parecia triste.
Confusa também. Mas, mais do que tudo, decepcionada. Aquele olhar estava o
matando, parecendo encarar diretamente a sua alma.
Ele até poderia estar
exagerando um pouquinho com aquele bando de metáforas e adjetivos, mas estava mesmo o deixando tenso. Pela primeira
vez na vida - Não, segunda, a
primeira sendo o dia triste de sua mudança - ele não soube o que fazer em
seguida.
E, por isso, ela mesma fez.
- Não vai falar nada? -
Sua voz saiu rouca, e ela segurava-se para não fazer algo estúpido. - Você- Você tem a pulseira, a que eu usei
para prometer algo ao meu príncipe quando eu era nova e... Não vai falar nada?
- Dawn, eu...
- Você o quê, Paul? -
Avançou um pouco. - Por que você tem essa maldita pulseira?
-Não é óbvio? -
Respondeu, por fim, suspirando. - Sou eu. O príncipe da promessa, ele sou eu.
Ela parou. Fitou o chão,
parecendo entrar em transe. Paul desviou o olhar, já prevendo isso.
-... Sabia que ficaria
assim. - Admitiu, dando de ombros. - Eu não sou um príncipe, ainda mais agora.
Também... Você parecia feliz quando eu voltei. Não queria estragar isso.
- Feliz? - Ele teve que
esforçar-se para ouvir, a voz dela estava quase inaudível. - Você acha que
eu... Acha que eu estou mesmo feliz, até agora?
Dawn finalmente levantou
o rosto, e, para a surpresa dele, estava já com lágrimas adornando suas
bochechas. Ela soluçou, chegando mais perto.
- Sabe... Minha mãe disse
que, quando ficamos tristes, o melhor a fazer é sorrir. Sorrir e tentar
esquecer, dizer que está tudo bem. - Ela deu uma risada, sem emoção alguma. -
De tanto eu falar isso, acabou virando meu motto.
Ele arregalou os olhos.
Dawn secou as lágrimas, sorrindo.
- Não que eu não fiquei
feliz nesse tempo todo. É claro que eu fiquei - tinha amigos, minha mãe, até
alguém que gostava de mim! - A imagem de Kenny veio à mente do garoto, e ele se
perguntou se o tal sabia disso tudo. - Mas... Paul, você sabe o que é não conseguir
se apaixonar mais?
- Huh?
- Não conseguir... Sentir
algo aqui, por que você está esperando por alguém que não vai voltar? - Ela o
encarou, com a mão no peito, mais ou menos onde o coração estava. - Eu te
esperei. Por tanto tempo, te esperei, aguardando que você fosse voltar e que eu
parasse de me sentir assim, vazia. Mas...
- Dawn, eu...
- Por que você foi, para
começo de conversa? - A garota limpou as lágrimas mais uma vez, tentativa
inútil, pois elas voltaram a cair. - Por que não me contou? E-eu ia entender. E
ia entender a sua volta. - Ela tornou a olhá-lo. - Você acha que sou tão
estúpida ao ponto de querer te deixar por que você mudou?
A última parte fora alto
demais, e a garota teve de se controlar. Colocou a mão na boca, segurando outro
soluço. Ele tossiu, chamando sua atenção.
- Meu pai... Ele quis
mudar de casa. - Começou. - Disse que tinha que me treinar desde cedo para ser
o herdeiro da empresa que ele tem. Me tirou daqui, do meu irmão, só para isso.
- O seu...? - A memória
dela voltou para a limusine preta, para a casa gigante que ele tinha quando
criança. Muito diferente dessa, modesta, confortável, e pequena. Piscou.
- Só que ele exagerou.
Quis que eu fosse algo tão estúpido e mesquinho, que, quando disse que iria me
casar com uma garota “pelo bem da empresa”... - Ele coçou a cabeça. - Não
aceitei. E eu voltei, por que...
Seu olhar voltou-se para
a pulseira ainda na mão dela, brilhando estranhamente junto com a outra. Ela
entendeu a mensagem quase que na mesma hora.
Eu nunca me esqueci de você.
- Então eu fugi de casa,
e vim morar aqui. Reggie tinha comprado uma casa longe do antigo bairro com seu
dinheiro. Ele me aceitou de volta na hora. - O garoto deu um sorriso irônico. -
Ele também recusou ser o herdeiro, quando teve a chance.
- E você... Você voltou
por mim, e mesmo assim não me procurou?
- Eu te procurei, sim. -
Respondeu. - Na escola, não demorei nem um pouquinho para te achar. Mas, como
eu já disse... Você parecia contente. Não consegui falar nada.
- Paul... - Dawn
arregalou um pouco os olhos. Voltou a ficar cabisbaixa. - Seu idiota.
-...? - Ele franziu a
testa, não entendendo. Vendo isso, ela repetiu mais alto.
- Idiota.
- Quê?
- Você demorou tanto, me
tratou tão mal assim, foi tão rude, só para tentar me esquecer? - Ela riu, mais lágrimas descendo. - Seu idiota,
estúpido, você que é o problemático
aqui.
-... Dawn, eu...
- Ainda te amo, sabe. -
Ela deu de ombros. - Nunca deixei. E acredite, não é fácil deixar de amar
alguém. Toda a noite, quando você acha que esqueceu, tudo volta num instante e
você fica com vontade de chorar... Eu já tentei.
Silêncio.
- Minha avó disse que, os
dois que tivessem essa pulseira por mais longe que estivessem, voltariam a se
encontrar. - Recitou a frase que dissera muito antes, sorrindo. - Mas até
agora, parece que isso não aconteceu de
verdade, não é mesmo?
Paul instintivamente se
aproximou, pegando na pulseira. Ela o encarou, e aumentou o sorriso.
- Eu sei que isso parece
idiota e sem sentido, mas... Quer tentar de novo? - Outra lágrima desceu por
seus olhos. - Você... Ainda é o meu príncipe, e isso não vai mudar.
Como sua garganta não
parecia estar trabalhando a seu favor, o garoto partiu para a segunda opção;
abraçou-a forte, enterrando o rosto nos cabelos dela. Dawn respondeu ao gesto
com a mesma intensidade, um riso baixo escapando de seus lábios.
- Finalmente... - Ela
murmurou. - Seus abraços ainda são os mesmos... Acho que compensam a sua
timidez de sempre.
A garota ouviu-o murmurar
algo em resposta e riu mais. Ele tinha ficado tão alto, e logo quando ela era a mais alta na infância. Pelo
menos, dava para encostar a cabeça no peito dele e ouvir seu coração palpitar -
e estava acelerado, assim como o dela provavelmente estava.
- Ei. - Ela começou,
quebrando o silêncio. - Temos que continuar o trabalho, lembra?
- Ah. - A voz dele
parecia decepcionada, o que a fez sorrir. Era incrível como Paul podia ficar
tão diferente por causa dela. Sentiu uma sensação boa no estômago, e se
perguntou se aquilo eram as famosas borboletas que todos os romances diziam se
sentir em momentos assim.
Separaram-se por fim, não
arriscando nada além disso. Naquele momento, só saber que estavam juntos
novamente era o bastante. Mesmo assim, mantiveram-se as mãos dadas.
- Príncipe. - Dawn o
chamou, e o apelido saiu tão facilmente de sua boca que parecia nunca ter
deixado de ser usado. - Me promete uma coisa?
Paul a encarou, levemente
curioso.
- Você... - Seu rosto
ficou mais vermelho, e ela sorriu outra vez. - Promete que não vai embora dessa
vez?
-... - Permaneceu em
silêncio por alguns minutos, e depois sorriu abertamente. E, Deus, ela sentira tanta falta daquele
sorriso que seu coração descompassou por um segundo. - Eu prometo.
As pulseiras, antes por
eles esquecidas, brilharam outra vez. Mas não foi algo comum - era como se elas
mesmas tivessem prometido. Uma promessa antes feita por mais dois amantes, e
por mais dois, que corria plena e inquebrável por milhares de anos.
Mesmo assim, ficaram tão
reluzentes que aquele momento pareceu único.
E foi naquele brilho intenso e irreal que os dois jovens trocaram o que seria o
primeiro beijo de muitos, muitos outros.
Quem usa esse bracelete sempre volta a se encontrar, mesmo que tenha
que se separar algum dia.
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Atualização tripla, por que eu tenho preguiça. uwu sorry, esqueci de atualizar a fic aqui HUASUHASUHSAUHAS enfim, espero que gostem! até o próximo cap :3
domingo, 11 de setembro de 2011 {♥} 





2 Comentários:
Tão fofooos, o Drew e a May! ♥Estou esperando o próximo capítulo! Kissu ~
Adoreei,está tão boa quanto a antiga....e tô achando q aquela garota q ajudou a Yellow era a White,mas não tenho certeza^^
Bye
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